segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sem filtro


Depois das duas, mais uma voz se acende no escuro.
Um ritmo surdo de quem jamais me acorda.
Sonho acordada, avisto o nada...
Nada, nada, nada a dizer.
Nenhuma linha de arrependimento,
um traço abstrato,
um sinal obscuro.

Tento medir o poder das palavras.
Amenizar o impacto dos meus absurdos.
Canto em silêncio uma canção imaginada.
Ouço de novo, e de novo, e de novo...

Reviro a bolsa atrás de um cigarro perdido.
Acendo sem filtro, observo a fumaça.
Felicidade, infelicidade,
ideias desajustadas.

Sou feliz, querido, sou mesmo feliz.
Vê esse globo desenhado, desprovido de fronteiras?
Fui eu que fiz.


Tamara Ramos
Fev/2016



0 comentários: