sexta-feira, 31 de outubro de 2014

E a vida se transforma no bater das nossas asas...





E a vida se supera, se altera, se ajusta e se transforma no bater das nossas asas.
E a borboleta que há em mim, se refaz em você.
E a vontade de partir, fica pra daqui a outros tantos dias que te levará a mim.
E a gente nasce, e renasce e se encanta no espelho límpido da evolução.

Foto: com minha sobrinha, Sophia.

sábado, 25 de outubro de 2014

Cabeça de artista
















As pessoas se esquecem que a vida é breve e que não nascemos para levar uma existência medíocre e cheia de limitações. Talvez seja essa a principal diferença entre o artista e o resto do mundo: ele transforma a sua realidade e inventa um novo planeta onde possa viver com o máximo de realização e fidelidade à sua essência íntima. O artista não tem medo de pagar o preço pela sua liberdade. Mesmo atormentado por demônios pessoais internos, e talvez até mesmo por isso, o artista entrega-se à sua arte sem medo da crítica ou da desaprovação. E no final, a sociedade toda acaba de pé o aplaudindo, porque a coragem do artista provoca em todos nós um desejo inconsciente de superação. 
 
Trecho do livro "Cabeça de Artista",
de Tamara Ramos 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Exposição de Salvador Dalí em SP







 
 
São Paulo - Recorde de público (quase 1 milhão de visitantes) entre todas as exposições que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro promoveu nos seus 25 anos de existência, a exposição Salvador Dalí será aberta neste sábado, 18, em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake.
O número de pessoas que viu a mostra é superior ao registrado nas exposições de Dalí realizadas no ano passado no Museu Reina Sofía de Madri (732 mil pessoas) e Centro Georges Pompidou de Paris (790 mil).
 
Portanto, vai ser preciso enfrentar filas para ver a retrospectiva do mais popular pintor surrealista, que traz ao Brasil quase duas centenas de obras do artista, entre elas 29 pinturas, 80 desenhos e gravuras, filmes, documentos, fotografias e até uma réplica da instalação Mae West Room, produzida em 1938 para o colecionador Edward James.
 
A sala original é composta por dois quadros do artista, uma lareira e um sofá, que representam, respectivamente, os olhos, o nariz e a boca da atriz americana Mae West (1893-1980). Ela se encontra no Museu Dalí de Figueres, Espanha, terra natal do pintor. É um ambiente propício para uma imersão no universo surrealista de Dalí, nome que divide os críticos.
 
Embora reconheçam seu lugar na história, alguns deles tomam suas citações pictóricas como apropriações sem crédito ou, no mínimo, como releituras paródicas dos mestres, no limite do kitsch.
A curadora da exposição, a espanhola Montse Aguer, rebate essas críticas. Argumenta que Dalí podia ser irreverente ou iconoclasta em suas entrevistas, repletas de frases de efeito, mas "levava a sério a sua arte". Há, de fato, provas dessa dedicação, especialmente nas gravuras que ilustram obras-primas da literatura mundial, desde o clássico Dom Quixote, de Cervantes, aos modernos
 
Os Cantos de Maldoror, de Lautréamont, e O Velho e o Mar, de Hemingway, passando pelo Fausto de Goethe e Alice no País da Maravilhas, de Lewis Carroll.
A mostra, organizada em ordem cronológica, traz desde os primeiros trabalhos dos anos de aprendizado, na década de 1920, até as últimas pinturas dos anos 1980. Dalí parou de produzir em 1983. Morreu seis anos depois, aos 84.
 
A curadora destaca o lado premonitório do pintor, ao executar uma delas, em que sua mulher e musa inspiradora Gala (1894-1982) surge como uma sombra já distante (o título da tela é Gala Contemplando a Aparição do Príncipe Baltasar Carlos, personagem de uma pintura de Velázquez).
Ela morreria um ano depois. Gala é a protagonista de uma série de telas da mostra, sendo a principal uma experiência estereosópica chamada O Pé de Gala (1975-1976), em que Dalí pinta o mesmo quadro duas vezes com luz e tons diferentes para levar o espectador a uma experiência de terceira dimensão.
 
"Ele acreditava que, ao ter essa percepção tridimensional, ele e o espectador estariam preparados para uma quarta dimensão, a da imortalidade", justifica a curadora Montse, destacando a fixação tanatológica de Dalí.
 
"Em sua pintura, a morte é uma presença constante, como é possível ver na tela Composição Surrealista com Figuras Invisíveis, em que a figura de uma banhista é substituída por uma cama e uma cadeira vazias".
 
Dalí demorou dez anos para dar o quadro como concluído. Em 1926, quando começou a pintar obra, a paisagem era a da casa de Dalí em Llanes, no norte da Espanha, mostrando a baía e a costa. Dez anos depois, ele dividiu a tela ao meio, trocando a paisagem por rochas e a cama vazia.
 
A intuição de Dalí era tamanha que, cismado com o quadro Angelus (1859), do romântico francês Millet, o surrealista pediu uma radiografia ao Louvre e descobriu que havia um pentimento na pintura. Os dois camponeses que rezam ao crepúsculo estão, na verdade, velando o corpo do filho morto. Os amigos de Millet consideraram de mau gosto a presença de um caixão na tela.
 
Ele, então, pintou a relva por cima do ataúde. Na exposição há várias versões de Dalí para o quadro de Millet, tanto na tela em que Gala contempla o príncipe de Velázquez como nas ilustrações para Os Cantos de Maldoror.
 
O cubista Picasso foi outra referência do artista espanhol, especialmente na construção de figuras volumétricas, como é possível atestar num óleo de 1926, Figuras sobre a Areia, ou no Autorretrato Cubista de 1923, óleo e collage sobre madeira. Rei dos selfies, Dalí, que admitia praticar um "método paranóico-crítico" de pintura, antecipou em décadas o culto à autoexaltação, em voga nos dias que correm. Dalí queria projetar seus delírios nas telas, transmitindo aos espectadores a sensação de que essas imagens haviam sido criadas pela imaginação deles. Com base na leitura do livro de Freud sobre a interpretação dos sonhos, ele fez uma mistura híbrida e um tanto duvidosa de psicanálise e pintura, despertando o interesse de cineastas por suas ideias.
 
Um deles foi Buñuel, com quem realizou dois filmes, Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou, 1929) e A Idade do Ouro (L’Âge d’Or, 1930), que escandalizaram os conservadores por seu anticlericalismo e alusões ao sexo, ambos em exibição na mostra. Ela traz o registro fotográfico do quebra-quebra promovido por católicos na estreia dos filmes. Outro foi Harpo Marx, um dos irmãos Marx, com quem escreveu um roteiro (não filmado).
 
Na exposição é exibida também a sequência do sonho que ele projetou para Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945), de Alfred Hitchcock, um grande momentos do cinema. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 
 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

"Romeo & Juliet" por Edvin Marton


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ouvindo enquanto escrevo...




Shakespeare - Willow Song from Othello, live (2002):

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Redescobrindo Shakespeare






 
 
Ainda me lembro quando tive contato com Shakespeare pela primeira vez. Naquela época eu tinha apenas doze anos de idade e fiquei completamente fascinada pelo poder das palavras do bardo inglês. Foi também a primeira vez que li uma prosa poética, o que me deixou confusa e atraída ao mesmo tempo. Afinal, como se podia contar uma história em forma de poesia? Era fascinante demais.
 
Mais tarde descobri as adaptações cinematográficas como "Romeu e Julieta" de Franco Zeffirelli, e "A megera domada", com Elizabeth Taylor e Richard Burton nos papeis principais. Ver Shakespeare criar vida no cinema até hoje me emociona. Ainda choro quando vejo o filme de Zeffirelli mesmo sabendo o final de cor e salteado.
 
Esse mês resolvi estudar a obra e a vida de Shakespeare mais profundamente e me matriculei em 2 cursos online à respeito do tema. O primeiro curso é organizado pela fundação Shakespeare Birthplace Trust, em Straford Upon Avon (cidade natal do autor), em parceria com a Universidade de Warwick. O outro curso analisa as peças de Shakespeare do ponto de vista da interpretação e encenação para os palcos, o que me dá uma visão mais abrangente como escritora e roteirista. Este segundo curso é oferecido pela Universidade de Wellesley.
 
As aulas são bem puxadas e estou tendo que reler várias obras como Romeu e Julieta, Othelo, Muito Barulho por Nada, Sonhos de Uma Noite de Verão, entre outras. Ler as obras acompanhada da interpretação de especialistas no assunto, nos oferece uma oportunidade maravilhosa de mergulhar em cada uma das tramas de uma maneira mais completa.
 
O amor, nas obras de Shakespeare, é tratado de forma dolorosa, apaixonada e avassaladora. Dá até um pouco de medo. Será que é mesmo preciso sofrer tanto quando se ama? Será que o amor deve ser punido por sua intensidade e loucura? Fico me perguntando se todas as histórias de amor precisam ter um final triste para que se justifiquem. O amor, na minha vida, nunca me trouxe paz ou estabilidade. Mergulhei sempre por águas turbulentas, enfrentei avalanches e desafios insuperáveis. E sofri. O final infeliz tornou-se uma constante, o que me dá uma sensação de perda e incompetência. Mas quando olho para os casos de amor mais bonitos da história percebo que o final infeliz é meio que uma condição para sua existência. Elizabeth Taylor e Richard Burton viveram na vida real a tragédia shakespeariana, e parece que mesmo sofrendo, foram felizes.  
 
Richard Burton largou mulher e filhas para amar Liz Taylor, e esse preço acabou se tornando um pouco caro demais. Mas se ele não tivesse pagado essa conta, nós não teríamos uma história de amor tão intensa quanto a que ele nos deram.
 
Ainda estou no começo dos cursos e não tive tempo para digerir melhor a mensagem de cada um dos textos que estou lendo. Reler "Romeu e Julieta", depois de tantos anos, me deu um pouco de desassossego. Minha alma maluca de artista deseja sempre mais do que deveria querer. E devorar Shakespeare noite e dia não está me ajudando muito a controlar meus anseios.
 
Seja como for, recomendo a todos a leitura da obra do autor inglês. Seja pela primeira, terceira ou milésima vez, ter contato com a paixão em seu momento de maior desvario nos dá certa sensação de poder, ânimo e coragem. Um dos estudantes do curso postou um depoimento essa semana que me emocionou. Ele disse que estava lendo Shakespeare pela primeira vez aos 76 anos, e que estava encantado!
 
É disso que estou falando, entende?