quinta-feira, 30 de agosto de 2012

F. SCOTT FITZGERALD E A ERA DO JAZZ




Depois de ler a biografia de Sylvia Beach que conta em detalhes como era a vida dos escritores americanos na Paris dos anos 20,  "Paris é uma festa" de Hemingay que é sua autobiografia sobre aquele período, a biografia de James Joyce e o filme "Meia-Noite em Paris" de Woody Allen,  resolvi estudar a obra de F. Scott Fitzgerald começando por sua obra prima: O Grande Gatsby.

Por alguma estranha coincidência descobri que Leonardo di Caprio acabou de filmar O Grande Gatsby que será lançado no fim do ano. A primeira versão de 1974 teve como protagonista o Robert Redford no papel de  Gatsby.

Coincidências à parte, o livro de Fitzgerald vale a pena ser lido porque simplesmente é o máximo! Ele é o maior representante da chamada  Era do Jazz (Paris 1920-1930), onde os ricos se reuniam para não fazerem nada juntos. Quando Fitzgerald publicou seu primeiro livro, foi logo consagrado e representava a mente, os ideais e os desejos da juventude parisience da era do Jazz.  

Infelizmente, seu casamento com Zelda o atormentou e impediu que ele produzisse mais romances. Ela era emocionalmente instável, alcólatra e desenvolveu esquizofrenia aos 40 anos de idade tendo morrido sem nem mesmo reconhecer mais o marido.  

Fitzgerald e  Hemingway foram grandes parceiros durante o tempo em que os dois escritores moraram em Paris. Hemingway, um jovem escritor pobre de dá dó tentando a sorte fora de seu país, e Fitzgerald, o escritor amercano bem sucedido visto como modelo de sucesso entre os inciantes. A obra de Hemingay, Paris é uma festa, relata bem a amizade e a parceria dos dois.

Fitzgerald teve um final complicado. Após a guerra seus livros tornaram-se difícieis de ler porque tratatavm de uma realidade distante. Os leitores de sua época perderam o interesse em seu trabalho e seus livros começaram a fracassar. Foi convidado a ser roteirista em Hollywood, mas seus textos passavam por muitas revisões e seu nome não chegou a aparacer nos créditos, o que causou profundo desgosto ao escritor. 

Na verdade, a obra de Fitzgerald não era mesmo para  aquele tempo. Seu trabalho é importante para que tenhamos um registro exato da sociedade burguesa dos anos 20-40 e com isso, podemos entender melhor nossa própria sociedade. Muitos grandes artistas sofrem desse mal: tornam-se ilustres em gerações distantes da sua.

Fitzgerald publicou 44 contos ou histórias curtas que lhe renderam muito dinheiro. Uma delas é o famoso "O curioso caso de Benjamim Button", interpretado por Brad Pitt no cinema. Outra obra fantástica é "Suave é a Noite" (Tender is the night) que conta suas dificuldades em lidar com a loucura de sua esposa.

Scott morreu aos 44 anos anos enquanto descansava ouvindo música clássica.   

Vale a pena revisitar a obra de F. Scott Fitzgerald e reviver a era do jazz sem sair do lugar!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

DOCUMENTÁRIO COMPLETO SOBRE A VIDA DE F. SCOTT FITZGERALD (em inglês)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

TUDO SOBRE MULHERES QUE SABEM O QUE QUEREM



"Estudo as mulheres que me inspiram e percebo que não é apenas a beleza que fazem delas popular. Na verdade, o que atrai é a personalidade camaleônica: elas são doces e inocentes por um momento, mas podem tornar-se uma bad girl de um minuto para o outro. É isso que eu amo! São as femmes fatales dos anos 50, cheias das contradições que todo homem adora."
Dita Von Teese     



Se você for a qualquer livraria vai encontrar um arsenal de livros de autoajuda com a pretensão de te ensinar como ser tudo aquilo que estiver procurando: como ser feminina, como ser casada, como ser solteira, como ser sexy, como ser poderosa, como ser mãe, como ser profissional, etc...  Pois acredite em mim: é tudo um bando de besteira!

Nenhum livro vai ensiná-la a ser o que você já é. O que te falte talvez seja a coragem para assumir deliberadamente a força de sua personalidade. E é sobre isso que vamos falar aqui.

Conheço pouquíssimas mulheres que admiro de verdade. A maioria delas mora em Hollywood e algumas delas já não podem ser contatadas. Na vida real o que mais vejo por aí são mulheres pouco atraentes pelo fato de não assumirem uma postura mais original. Vejo mulheres aceitando coisas que não lhes agradam por medo da rejeição. Mulheres que trabalham em coisas que não gostam e nem as satisfazem, mulheres casadas com homens que não as respeitam, mulheres cansadas de atuar como mães em tempo integral, frustradas, mal tratadas, desinteressantes e resignadas.

Converso com muitas mulheres e conto nos dedos de uma só mão as que apresentam um brilho diferente, proveniente de um legítimo amor e admiração por si mesmas. 

Ser sexy vai muito além de possuir um corpo bonito, uma cabelo bem tratado e uma coleção de bolsas e sapatos Dior. Ser sexy é saber batalhar pelo que se quer, é não ter medo de revelar em alto e bom som o tamanho dos seus sonhos. Ser sexy é saber que vivemos num mundo globalizado onde milhares de possibilidades estão à nossa disposição. Ser sexy é ter objetivos, é se dedicar àquilo que ama, é mostrar por dentro e por fora sua originalidade única (como diria minha amiga Cláudia). 

Ontem estava assistindo ao musical EVITA (Madonna) e parei para refletir sobre o poder de uma personalidade autêntica. Eva Perón chegou no topo do mundo porque esse era o seu foco. A própria Madonna não virou rainha à toa. Ela é a maior artista do mundo porque soube fazer suas escolhas de forma bem consciente. Nao hesitou em assumir suas contradições, seus anseios, desejos e medos. E mostrou tudo em público, abriu espaço para discussão, inspirou pessoas.

Ser sexy é aprender com os erros do passado e parar de repeti-los. É sair do círculo vicioso que tende a perpetuar a infelicidade pessoal. É saber dizer NÃO quando a situação faz disso algo necessário. 

Quando você sabe onde quer chegar e acredita na eficácia de seu próprio caminho, você segue em frente.  

Ser sexy é ter liberdade de expressão, é fazer o que gosta e seguir seus instintos mesmo quando tudo se coloca contra você. E tem mais, uma mulher para assumir seu poder total, não pode ter medo de revelar sua personalidade ambiciosa para os homens de sua vida.

Ah! Aí está o calcanhar de aquiles das mulheres, não? Parece bobagem, mas nós estamos sempre atraindo um determinado tipo de relacionamento. Hoje compreendo que, a menos que você esteja pronta e no controle de sua vida, a pessoa "certa" não vai aparecer. Um homem para assumir uma relação com uma mulher poderosa tem que ser poderoso também, simples assim. 

O "candidato" (rs) deve estar bem resolvido em sua vida pessoal, não pode ser inseguro e deve ser o maior incentivador dos seus projetos. Qualquer atitude que demonstre futuros problemas devem servir de sinal sobre o que está por vir.

Detesto os rótulos feminista, machista, etc. Penso que uma mulher completa é feminina sem ser feminista. Pode apoiar os homens sem ser machista, e por aí vai. O mais importante é saber o que quer e desenvolver a coragem para lutar pela realização de seus planos. Mas dá para fazer isso usando batom vermelho,  salto alto, perfume francês e sendo fã de Dita Von Teese!

Mulheres poderosas destacam-se por sua complexidade, beleza e coragem para viver com todo o glamour nas decisões mais práticas de seu dia a dia. Voilá!

domingo, 26 de agosto de 2012

PARA ADQUIRIR "UM NEURÓTICO NO DIVÃ"...






O livro "Um Neurótico no Divã" pode ser encomendado pela Livraria Fontoura Almeida e está sendo enviado para todo Brasil.

E-MAIL:  contato@livrariafontouralmeida.com

TEL: (027) 3261-3823

Preço: R$ 20,00 + frete

sábado, 25 de agosto de 2012

ENTREVISTA PROGRAMA DOCTUM ACONTECE - Tamara Ramos

terça-feira, 21 de agosto de 2012

20 ANOS DE ARTE POÉTICA



Este mês de agosto tem sido de muitos desafios para minha carreira literária. Além dos lançamentos e das viagens, tenho estado ocupada com os vários concursos de literatura que participo Brasil à fora. Um desses concursos obrigou-me a desenterrar meus versos poéticos.

A poesia chegou cedo na minha vida por meio de Fernando Pessoa. Tabacaria, O Guardador de Rebanhos, entre outros, eram mais do que palavras impressas em papel, mas ideias recheadas de imagens que dançavam em minha mente e transportavam-me para um universo paralelo.

Depois de Pessoa chegaram Neruda, Bilac, Drummond, Hilda Hilst, Baudelaire, Apollinaire, Maiakovski, Anna Akhmatova... uma verdadeira sociedade de poetas mortos que aos poucos começaram a  ganhar vida ao meu redor.  

Aos 14 anos arrisquei o primeiro verso. Muito parecido com o formato das obras de outros poetas, um pequeno plágio inocente, certa incapacidade de pular do ninho alçando voos maiores. Mas a persistência e a disciplina são meus traços mais fortes e a poesia foi avançando e se aprimorando a cada ano.  Hoje encadernei um livro de poesias minhas para enviar a um concurso e percebi que este ano estou comemorando 20 anos de arte poética. 

Vinte anos de poesia, vejam só! Hoje sou romancista, contista, dramaturga, contadora de histórias eróticas, adultas, infantis e infanto-juvenis. Meu leque literário abriu-se em diversas direções e hoje não sou poeta ou romancista apenas, mas uma escritora completa.

Porém, minha trajetória iniciou-se com os poetas de outras gerações. O amor pelas palavras nasceu da adoração de alguns versos perfeitos.

Já não produzia poesia há muito tempo, mas hoje, ao embalar minhas estrofes preferidas e enviá-las para algum canto do Brasil, a paixão renasceu. Dei-me conta de que sou poeta e hoje faço parte de um grupo especial de pessoas  capazes de expressar ódio e amor em qualquer idioma. Ser poeta é ser parceira de artistas franceses, gregos, ingleses, russos, portugueses, espanhóis, chilenos e de todos os países do mundo. Ser poeta faz de mim uma artista das letras, uma especialista em provocar emoções, sentimentos e reflexões.

Hoje estou comemorando meus 20 anos de carreira poética com muito orgulho, nostalgia e  felicidade pelo arsenal de sensações imortalizadas nos meus versos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

ESSA SEMANA O NEURÓTICO VIAJA PARA CARATINGA-MG!




A partir desta quinta-feira, dia 16, estarei em Caratinga - terra de Ziraldo- para o lançamento de Um Neurótico no Divã e para ministrar a Oficina de Escrita Criativa no Casarão das Artes da cidade.
 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

NO MUNDO DE VICENTE BOJOVSKI: ARTE & AMIZADE






Um dia antes do lançamento de Um Neurótico no Divã, estive no Guaramare visitando meu amigo Vicente Bojovski. Uma vez cruzado o portal, tudo fica para trás. Vicente é sempre fonte de inspiração para mim, pois é um homem que seguiu seus sonhos e não teve medo de pagar o preço. E venceu.

Para minha surpresa, soube que esta semana o site do Guaramare entrou no ar, e uma pequena biografia de Vicente chamada  "Alma de Artista" está lá, assinada por mim. Que honra poder compartilhar com o mundo um pouquinho do universo de  Vicente.

O site foi produzido por meu grande amigo e parceiro profissional Gustavo Maioli, responsável por este blog e por toda a arte dos meus trabalhos literários (incluindo a produção do Neurótico).

Convido a todos os leitores a visitarem o mundo de Vicente Bojovski por meio do site:


Dá vontade de largar tudo e correr para lá!

  

LEIA O 1º CAPÍTULO DE UM NEURÓTICO NO DIVÃ



Um neurótico no divã é uma comédia filosófica que trata do tema da loucura com humor e profundidade. Alberto é um paciente em surto que faz sessões de análise com Doutor Mateus Mika e leva seu médico a repensar o conceito da sanidade mental, bem como as escolhas que fez na sua própria vida. Alberto e seu grupo de amigos excêntricos, como o austríaco Henrik e o poeta carioca Garcia, levantam questões polêmicas sobre as dificuldades dos relacionamentos humanos, dos casamentos, da busca pela realização pessoal e da dificuldade em manter-se são diante das adversidades da vida. O livro é baseado nas teorias anarquistas dos psicanalistas Wilheim Reich e Roberto Freire, bem como pela teoria da sexualidade de Freud e pela teoria da individuação de Jung. O texto é desenvolvido com muitos diálogos e está sendo compradao à prosa curta e humorística de Nikolai Gogol. Um livro que prende a atenção do início ao fim e leva o leitor a refletir sobre a felicidade, a sanidade e as oportunidades de mudança de vida que estão ao alcance de todos nós.



1º   CAPÍTULO



– NÃO ACREDITO EM NADA! Estou farto, farto, farto! Até os livros mentem! Bem que Henrik me dizia... Henrik é o mais são de todos, mas você fez com que eu traísse o único homem decente que já conheci! Louco! Não sei como ainda pode estar aí sentado ouvindo as confissões de tantos inocentes. É isso mesmo! Está achando que tenho medo de você? Pois não tenho, não! Acho mesmo que o senhor deveria estar preso! Ou ao menos bem longe das salas de psiquiatria. Aliás, não sei como me convenceu a contar minha história para você. Voyeur! Não passa de um voyeur de quinta categoria bisbilhotando a mente alheia. Acha que não te conheço? Pois sei bem quem você é! A sua sorte é que o Henrik não está aqui hoje. Mas uma hora ele aparece. Ah, se aparece! E aí então eu quero ver o senhor dizer estes disparates na frente dele. Covarde!

– Fale um pouco mais sobre o Henrik, como se conheceram e...

– Cale-se! Maluco insano! Não ouviu tudo o que eu te disse? Tudo foi dito bem na sua cara e você finge que não escuta? Não ouviu que por mim o senhor estaria preso? Basta! A sessão acabou, por mim pode ir embora.

– Quem define o final da consulta sou eu. E ainda temos mais quinze minutos.


– Mas é mesmo muita ousadia! Não vê que não vou dizer nada? Estou farto! Cansei dessa mentira. Que mundo de loucos é esse que o senhor vive? Admira-me não estar farto também! Sabe o que é isso? H-I-P-O-C-R-I-S-I-A! Acha que já não notei que o senhor é maluco? Fica aí rabiscando no vento, falando entre os dentes, mexendo a perna. Acha que não vejo?

– Compreendo suas observações Alberto, mas acredite que minha única intenção é ajudá-lo.

– Ora, não me venha com desculpas tolas! Vai me enrolar agora?

– Está bem Alberto, se não vai parar de me atacar e se recusa a me contar seus sonhos, é melhor encerrarmos a sessão por hoje. Espero-te na próxima sexta-feira no mesmo horário. Por favor, não se esqueça de tomar a medicação desta vez. É importante que cumpra a receita, entendeu? É apenas para o seu bem.

– Sempre a mesma ladainha: é para o seu bem, é para o seu bem, é para o seu bem! – diz Alberto imitando uma criança mimada - Argh! Não se cansa disso também? Passa a vida a intoxicar-me e acha mesmo que faz para o meu bem? Egoísta!

– Basta, Alberto! Se não confia no próprio médico, vai confiar em quem?

– No Henrik, é óbvio! Mas o senhor é ciumento, egoísta e pequeno demais para compreender a sanidade dele. No fundo sabe que o Henrik leu muito mais que o senhor e é bem mais competente! Isso é ciúme disfarçado de preocupação. Bem te conheço!

– Deu, Alberto. Pode ir embora. Tome seu remédio e voltamos a ver–nos na sexta-feira. Até lá procure não beber demais. Diga ao Henrik que você está abstêmio enquanto durar o tratamento. Se ele é mesmo assim tão inteligente quanto diz, vai compreender.

– Henrik acha que eu não preciso de remédios!

– Então se afaste do Henrik durante o tratamento.

– Mas era o que me faltava agora! É muita petulância! Acha que vou me afastar do meu único amigo só porque o senhor quer? Louco!

– Está bem Alberto, mas tente não acompanhar os porres do Henrik, está bem? Ele bebe demais.

LANÇAMENTO DE UM NEURÓTICO NO DIVÃ EM GUARAPARI - DIA 11/08




O lançamento do livro Um Neurótico no Divã, que aconteceu no último sábado (11), foi um sucesso! Todos os amigos estavam presente e foi um momento de muita festa e abraços literários!
Aproveitamos para recuperar a tradição dos grandes autores da Paris dos anos 20 e fizemos a leitura do primeiro capítulo ao vivo!

O livro está à venda na Livraria Fontoura Almeida, localizada no Shopping Guarapari, 1º piso.     
Valor: R$ 20,00

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PROGRAMA NOSSO ESTILO DIVULGA "UM NEURÓTICO NO DIVÃ"





Hoje estive ao vivo no programa Nosso Estilo de meu amigo Alfredo Gini, para divulgar o lançamento do livro "Um Neurótico no Divã". O bate-papo foi ótimo e falamos sobre um pouco de tudo: minha experiência em Portugal, os desafios da vida do escritor, literatura e inspiração para a obra.

O programa será reprisado nos seguintes horários:


TV GUARAPARI - Canal 03

Hoje, dia 08 de agosto

18: 10 hs
22:15 hs

Quinta, dia 09

01:00 hs (madrugada)
08:45 hs

Sábado, dia 11

13:30 hs
23:30 hs

Domingo, dia 12

16:00 hs
23:30 hs

sábado, 4 de agosto de 2012

AGENDA DE AGOSTO: LANÇAMENTO DO LIVRO E OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA




Neste mês de agosto darei início às turnês capixaba e mineira levando "Um Neurótico no Divã" para os leitores de Guarapari (ES) e  Caratinga (MG).

Anotem as datas!

Dia 11  - sábado - Lançamento de Um Neurótico no Divã na Livraria Fontoura Almeida do Shopping Guarapari , às 19:30 hs

Dia 16 :  Lançamento de Um Neurótico no Divã no Casarão das Artes de  Caratinga às 19:00 hs. 

Dias 17 e 18 : Oficina de Escrita Criativa no Casarão das Artes de Caratinga:
Dia 17 - das 08:00 às 17:00
Dia 18: das 08 às 12:00
Valor: R$ 45,00  

CONTO COM A PRESENÇA DE TODOS!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

NIKOLAI GOGOL




"Um bom guerreiro não é apenas aquele que não perdeu a coragem numa operação importante, mas também aquele que não se aborrece no ócio, que suporta tudo e que, haja o que houver, consegue prevalecer"
Nikolai Gogol


Sempre apreciei a literatura russa, mas apenas agora descobri a arte de Gogol. E se descobri Gogol, ainda que tardiamente, foi devido à crítica de meu pai. Após ler Um Neurótico no Divã, meu pai enviou-me um e-mail dizendo que meu livro o fez lembrar "O Capote", de Nikolai Gogol. Curiosa em descobrir o porquê da comparação, fui a Estante Virtual (como sempre) e encomendei a obra do russo. Fiquei tão impressionada com o que li que quase enlouqueci. A leitura de "O Retrato" foi tão perturbadora que obrigou-me a destruir boa parte do novo conto a que estava me dedicando e me fez recomeçar outra vez, tamanho impacto que Gogol causou em mim.    

Mas por que Gogol mexeu tanto comigo? E que diabo de semelhança meu pai encontrou entre mim e Nikolai Gogol ? 

É impossível explicar. O leitor terá que encomendar a obra de Gogol e ler por si mesmo para entender a catástrofe que tal descoberta causou-me. Nikolai Gogol é simplesmente genial, e desconfio de que muitos autores que adoro beberam nesta fonte russa. Não dá para ler O Retrato sem pensar no Dorian Grey de Oscar Wilde, por exemplo. Tanto O Capote como O Retrato mexeram comigo,  mas O Retrato  causou-me maior emoção porque trata do meu próprio oficio. Se você é artista, tem que ler O Retrato! É quase como um antídoto a tudo aquilo que pode ocorrer-lhe se descuidar da essência de sua arte.

E qual a semelhança entre o meu Neurótico e O Capote de Gogol? Penso que o senso de humor, o sarcasmo e a tendência em retratar a sociedade a qual estou inserida de forma anárquica, mas só.  Definitivamente, só. Não dá para comparar meu trabalho com o dele, estou loooonge  daquele talento. E foi justamente aí que dei um nó. Como podemos  escrever qualquer coisa e achar que está bom sem antes comparar nosso trabalho ao dos grandes nomes da literatura?

Está bem, meu leitor pode dizer que isso é bobagem, que a criatividade é individual e que tudo pode ser testado e inventado de forma livre e lúdica. Ok, mas eu digo a vocês: um livro banal, escrito sem o mínimo de cuidado ou de profunda reflexão sobre o tema escolhido, não merece ser lido.  E mais: não merece ser chamado de arte. Fiquei tão radical depois que li Gogol que estou quase sugerindo a fogueira para os livros medíocres. Aliás, o próprio Gogol queimou a segunda parte de Almas Mortas após cinco anos de trabalho porque achou que ainda não estava realmente bom. As chamas impedirão para sempre que alguém, além dele, avalie se estava mesmo uma porcaria ou se era genial. Seja como for, não passou por sua autocrítica, e se ele achou que estava mal, fogo nos papéis. 

Os críticos de Gogol dizem que sua conversão religiosa (aliás, sua obsessão religiosa) atrapalhou o desenvolvimento de sua obra. Eu não sei o que pensar sobre isso, ainda não li Almas Mortas, mas seja como for, o russo era um gênio.

Em O Retrato, um artista pobre, endividado e a um dia de ser despejado de seu estúdio frio, encontra dinheiro na parte de trás de um quadro intrigante que havia adquirido numa loja de usados. O quadro estava dando sinais de ser amaldiçoado desde o momento em que entrou em casa o que estava fazendo o artista duvidar de sua sanidade. Mas com o dinheiro em mãos, tudo mudou em sua vida. O pobre e desconhecido artista publica uma matéria paga no jornal mais lido de sua cidade declarando-se  um grande pintor. Logo toda a sociedade russa começa a buscar seus serviços e um acidente, que o leva a trocar certas telas, coloca-o no topo da celebridade. O jovem pintor vende sua alma ao diabo naquele momento e tudo no livro de Gogol nos faz perder o fôlego.  Este livro é OBRIGATÓRIO a todo artista. 

Em O Capote, conhecido como a obra-prima de Gogol, vemos o autor com uma consciência política intensa, mas não diretamente declarada. O humor desconcertante de Gogol faz o leitor rir e chorar em vários momentos. A tragédia da condição humana é cômica, o que paradoxalmente, é também trágico. Gogol não discursa ou dá sermões ao leitor, ele nos cutuca de forma mais inteligente. E passa o recado eficazmente.

Para os escritores da atualidade cabe o estudo das obras dos grandes mestres da literatura para que não corram o risco de escrever páginas e páginas de textos medíocres. É como um artista contemporâneo que primeiro deve conhecer a fundo todos os meandros  da arte para, somente após isso, afrontá-la e renová-la.    

Ter acesso a obra de Gogol obrigou-me a rever a minha própria obra e ter humildade para simplesmente destruir tudo aquilo que não está realmente bom. Esta é a primeira lição que aprenderemos de professores exigentes e é melhor cumpri-la.  


BIOGRAFIA DE NIKOLAI GOGOL
Retirado da Wickipédia

Nascido na Ucrânia em 1809, Nikolai Vasilievich Gogol escreveu apenas em russo e por isso, é considerado um dos maiores escritores dessa nacionalidade.

Com vinte anos (1829), o jovem Gogol vai para São Petersburgo, onde conhece Alexandre Púchkin, o maior escritor de então, que lhe inspira devota amizade e fervorosa empatia, ideias novas para obras que ainda não tinham vindo à luz do dia, nomeadamente Noites na Herdade de Dikanka, sua obra de estreia, tendo sido publicada em 1831, obtendo Gogol o seu primeiro êxito.
Mas desde cedo revela uma personalidade complexa.

Amante fervoroso da verdade, Gogol é um homem repleto de preocupações místicas, religiosas e patrióticas. A sua obra reflecte o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e inapelavelmente priosioneira na sua jaula; mas a crítica efusiva censurava com amiúde suas tentativas de fazer vingar o poder instituído e aparentemente inabalável.

Gogol não fora político, não possuía um programa de ação contra o regime, que fazia da Rússia da época um país «metade caserna, metade prisão». No entanto, a crítica não revelaria sendo o bastante para caricaturar o jovem e proeminente escritor.

Depois de estudos medíocres, este jovem de fisionomia austera deixa a Ucrânia e encontra um modesto emprego de escritório ministerial em São Petersburgo. A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta inspiraram alguns dos seus escritos.
Prova desse realismo típico veio a ser a novela O Capote, cujo herói se tornara arquétipo do pequeno funcionário russo.

De fato, sua intervenção não é outra senão denunciar os vícios e abusos no interior da alma humana, humilhada e atravancada de emoções contraditórias. Em pleno desarranjo emocional, Gogól foge e recomeça viajando pela Europa.

A morte de Púchkin no ano de 1837, em um desinteressante duelo, abala profundamente Gogol. «Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo». Referia-se, naturalmente, ao alentado texto de Almas Mortas.

De 1837 a 1843 vive em Roma. Regressa à Rússia, doente. Um misticismo religioso acentuado indu-lo a abandonar as antigas ideias liberais (como se aí residisse o que é de absolutamente condicionante) para se tornar um defensor da autocracia. Essa fase mística virá a exacerbar-se após a sua viagem à Palestina, em 1849.


A 21 de Fevereiro de 1852 Nicolau Vasilievich Gógol morre.

São-lhe concedidas cerimónias e reconhecimento únicos: seu corpo embalsamado segue insepulto por mais de um dia carregado pelos estudantes, que oferecem homenagens acaloradas em memória do grande escritor. Todos os que leram Gogol queriam ver de perto a despedida do grande autor. Está enterrado no cemitério de Novodevitchi, em Moscou.

Sua obra fez de Nikolai Gogol o maior escritor russo da primeira metade do século XIX, o verdadeiro introdutor do realismo na literatura russa, o precursor genial de todos os grandes escritores que se lhe seguiram. Como disse Dostoiévski: "Todos nós saímos de O Capote de Gógol". Toda a literatura russa, que já muito devia a Púchkin, colherá em Gógol os maiores ensinamentos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

NIETZSCHE, GOGOL, HEMINGWAY, DOSTOIEVSKI E O DESAFIO DIANTE DOS MESTRES



Esta semana fechei-me em casa, sentei diante do computador e iniciei um novo livro (desta vez de contos) que irá concorrer a um novo concurso literário. Em todas as biografias que leio, vejo que os autores levam anos para produzirem uma obra. Cada um a seu modo  vai interiorizando as ideias, acumulando experiências e só mais tarde traduz tudo para o papel.  Escrever é maravilhoso, mas às vezes dá um pouco de preguiça começar.  A preguiça é um dos sete pecados mais comuns entre todo tipo de profissional, acho eu. Até mesmo a Madonna, rainha do perfeccionismo, assumiu que tem dias que gostaria de não levantar da cama e simplesmente não comperecer ao próprio show.

Por isso eu gosto quando tenho prazos reais para concluir uma obra. O trabalho do escritor é muito livre, criamos nosso horário, trabalhamos do jeito que nos convém, somos nossos chefes. Os concursos literários, cheio de prazos e exigências especificas (por exemplo, o tema, o número de linhas, de páginas e o prazo de entrega) são como que uma bênção pra mim. Sigo aquilo como um roteiro que me ajuda a organizar minha produção. É óbvio que há livros mais pessoais (que escrevo fora do contexto dos concursos) e que levam mais tempo de elaboração, mas isso é um outro caso. O que importa é que às vezes, sem prazos específicos, podemos ficar preguiçosos! :)

Mas muito bem, já tenho vários prazos me aguardando e comecei o processo de elaboração da trama. E é aí que o problema maior começa. A primeira coisa que faço é definir o título (sem isso não consigo contar a história) e aí passo a viver um pouco a vida dos personagens (parte do trabalho que é um pouco esquizofrênico). Escrevo, produzo,  mergulho naquele universo durante o dia todo, e quando vou dormir à noite, relaxo lendo os mestres. Os mestres.... O motivo  deste post. Os responsáveis por literalmente tirarem meu sono.

Começo lendo um pouco de Hemingway,  transito pela mente de Nietzsche, divirto-me com Gogol, tento acompanhar o pensamento pessimista de Dostoievski e me perco em meio as obras alheias. O sono  acaba. Como posso querer ser chamada de escritora? É quase uma afronta. Leio Gogol entusiasmada. Depois comparo  com Paulo Coelho e compreendo a revolta legítimia dos acadêmicos. Falta tempero em Coelho,  falta humor, falta um não sei o quê de literário. Aí descubro que escrever livros não é somente organizar palavras. 

Leio O Retrato (Gogol) com espanto. Como ele conseguiu dizer tudo aquilo daquele jeito que disse? É sublime. É moderno. É literatura da boa. Leio a Genealogia da Moral de Nietsche assombrada. Como ele pode ter pensado tudo aquilo? O cara criou uma filosofia nova, uma produção inédita e  irreverente do espírito humano. Escrever mais o quê depois daquilo? Aí, quando já são quase três da manhã e estou quase desistindo da profissão, dou uma espiadela em Schopenhauer e sinto-me mais leve. Ele diz que devemos parar de ler se quisermos escrever, pois de nada adianta entupir-nos com pensamentos alheios. Pense por si mesmo, arrisque um palpite. 

Os personagens dos meus livros começam a rodear-me. Todos querem falar ao mesmo tempo e tenho medo de ouvi-los. E se Jasper van Dick não tiver o encanto profundo de Tcharkov? E se Macha Lippens estiver aquém de Karenina? Sigo a noite comparando meus personagens com a criação dos franceses, ingleses, ucranianos e russos. Dá mesmo pra fazer teatro depois de Shakespeare?

Graças a deus o sono vem e entrego meu cérebro ao descanso de duas horas. Duas horas e já sei que vou acordar! Vinte dias sofrendo de uma maldita insônia por causa dos mestres. Eles não me deixam dormir, sentam-se na minha cama e começam a indagar-me: e então? o que tem de novo? vai mesmo seguir a nossa profissão?

Fico ali deitada e humilhada achando que nunca darei conta do desafio.  Assisto Agonia e  Êxtase sobre a aventura de Michelângelo ao pintar a Capela Sistina e percebo que até ele, às vezes, destruía tudo e começava de novo. Acordo e vou direto ao texto. Tá uma merda. Isso aqui não é Tolstoi nem Hemingway, e ambos devem estar rindo da minha cara neste momento. Apago metade do texto. Os mestres são exigentes.  Já sei que ao menos por mais trinta dias, não vou conseguir dormir.