domingo, 29 de janeiro de 2012

O QUÊ ESTAMOS LENDO?







Qual é o livro que está indo para cama com você neste momento? Qual o autor que está sobre sua mesa de cabeceira? Está lendo alguma coisa ou não?

Quem acompanha o blog sabe que tenho verdadeira paixão pela Irlanda. Adoro a ideia de beber cerveja num pub lotado com música boa tocando alto. Adoro as bandas irlandesas, o Baileys, Oscar Wilde, Yeats e Joyce. E também adoro aquela atmosfera sombria, aquele tempo acinzentado que convida à introspecção.


Por isso podem imaginar o quanto fiquei feliz ao descobrir que a Unesco concedeu a Dublin o título de Cidade da Literatura! Mas este título não deve-se somente aos romancistas, dramaturgos e poetas do passado, mas aos jovens autores que estão levando a Irlanda para o topo da lista da boa literatura moderna.



Fiquei feliz de ver a cidade investindo alto em novas bibliotecas, editoras e incentivando a publicação dos jovens autores. Isso é algo que também precisamos fazer por aqui. Aliás, Dublin toda passou por grande reformulação e várias áreas da cidade foram colocadas nas mãos de artistas contemporâneos que criaram praças e edifícios modernos valorizando o ar cool da região.


Dublin é um bom exemplo de que podemos ter diversão sem descuidar do intelecto.

Para conhecer o trabalho que está sendo feito em Dublin clique abaixo:



No momento minha lista de leitura está assim:

Ulysses, James Joyce;

O Mal Estar na Civilização, Freud;

Inverno Russo, Kalotay;

A sombra e o mal nos contos de fada, Marie Louise Von Franz;

A Genealogia da Moral, Nietzche.


E você? O que está lendo?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

RELENDO OS CLÁSSICOS GREGOS




Para compreender melhor os textos psicanalíticos de Freud, Reich e Jung, é necessário reler os clássicos gregos que fizeram estes mestres quebrarem a cabeça tentando decifrar o significado oculto das tragédias antigas.

Sigmund Freud era apaixonado pela peça "Édipo Rei" escrito por Sófocles. Durante anos ele leu e releu este texto antiquíssimo e a partir do insight que teve durante a leitura, Freud desenvolveu a teoria do complexo de Édipo. Para Freud todas as neuroses eram provenientes do desejo sexual primordial reprimido que é o desejo que a criança sente pela mãe. Mas lendo os clássicos gregos em nosso tempo atual, ficamos com a impressão de que os gregos tudo sabiam sobre as contradições do nosso gênero humano. Para eles não há novidade.

Esta semana reli 3 clássicos gregos: Édipo Rei, Medéia e Prometeu. Três textos escritos para a representação teatral nos palcos da antiguidade. Três obras primas complexas, cujo discurso poderia ter sido observado no nosso mundo moderno. Quando lemos os clássicos gregos passamos a compreender que nada mudou. O homem ainda é o mesmo, enredado nas suas paixões, ambição, ciúmes, tramas maléficas, mentiras e apego carnal. O interessante destes textos é que eles trazem uma sabedoria profunda e literalmente nos ensina a lidar com as variações de humor e contradições humanas. Está tudo lá. De certa forma parece que tudo foi previsto. Todos os dramas que enfrentamos hoje são meras repetições dos dramas do passado. Não há novidade alguma!



A ira de Medeia, mulher em plena crise neurótica após ter sido abandonada pelo marido, em nada difere da ira de centenas de mulheres modernas. Trocar uma esposa madura por outra mais jovem faz parte da história da humanidade. Mas durante a leitura percebemos uma sabedoria ancestral alí que se levada a sério, nos pouparia muitos problemas. O amor é finito. O desejo por novidade é maior do que o tempo de duração do amor. Se guardássemos esta lição, sofreríamos menos.

Em Édipo Rei todos os personagens tentam, em vão, escapar ao destino. Quando o oráculo informa a Jocasta que o filho que ela carrega no ventre irá matar o pai e possuir a mãe, ela manda matar a criança logo após o seu nascimento. Escapando à morte, Édipo é então levado para outra cidade e criado como filho de outros pais. Porém, quando chega à idade madura também ele recebe a mesma previsão nefasta do oráculo. Com medo de cometer parricídio e incesto ele foge da cidade e abandona os "pais". Mas a cidade que ele encontra para se abrigar é justamente a cidade que deu origem ao seu nascimento. O destino faz seus arranjos e, sem saber, ele termina por matar o pai e casar com a mãe.

O mito da maternidade também é profundamente despertado aqui. Segundo Jung, o arquétipo materno é um ideal onde todas as pessoas enxergam a figura da mãe de uma forma única. A figura materna deve refletir certas características universais, como por exemplo, ter o amor incondicional pelos filhos, cuidar, amamentar, desejar o melhor para sua prole e se santificar. É isso mesmo, a maternidade santifica a mulher! Todas as vezes que uma "mãe" entrega seu filho para adoção, ou o espanca ou o maltrata, ficamos chocados! Isso ocorre porque temos uma ideia ingênua da figura materna. Na verdade, a "mãe" é apenas uma mulher comum que pariu uma criança. Mas se esta mulher comum não tiver o instinto maternal, se não tiver a inclinação para bondade, a empatia, o equilíbrio emocional, a maturidade e a paciência necessária à criação de um filho, ela simplesmente não conseguirá atender ao padrão exigido pelo arquétipo. E isso é facilmente observado nos textos gregos. Jocasta mandou matar o filho. Medeia matou os filhos com as próprias mãos para ver o ex-marido sofrer.



Não é à toa que as peças gregas são chamadas de tragédia. Isso ocorre porque em nenhum dos textos gregos poderemos encontrar um final feliz. É mesmo uma grande tragédia o que acontece aos personagens. Atualmente esperamos sempre um final feliz nos filmes que assistimos. Isso mostra que, no fundo, somos imaturos e ainda estamos despreparados para enfrentarmos a nossa sina. Estamos sempre tentando camuflar as más intenções e adiar os finais infelizes. Mas as tragédias fazem parte da vida. Nem sempre é possível encontrar um final feliz para todas as situações.



Releiam os clássicos gregos e compreenderão um pouco mais sobre a humanidade. O sofrimento que você enfrenta hoje já foi sentido na pele pelos cidadãos da antiguidade. A leitura dos textos antigos, não só os gregos como os romanos, os árabes e os egipcios, acendem uma luz para o nosso entendimento. Quando compreendemos que tudo o que vivemos hoje é exatamente idêntico ao já vivido há 3 mil anos, entendemos que não há escapatoria. Somos uma raça complexa caminhando a passos lentos em direção à evolução. E ainda vamos errar muito. Preparem-se!

domingo, 22 de janeiro de 2012

PEER GYNT: O IMPERADOR DE SI MESMO




Todo os leitores fanáticos sabem como isso funciona. Você lê um livro ótimo e descobre que o autor também leu livros extraordinários que acaba por citar na própria obra. Você fica curioso, anota o nome e vai atrás. É um fio de Ariadne que vai te levando pelo labirinto infinito da literatura. Uma leitura puxa a outra e quando você percebe, está perdido em meio a uma montanha de livros mágicos na tentativa de decifrar seus mistérios e agigantar seu conhecimento.


Pois foi desta forma que cheguei a Peer Gynt. Leio Ibsen há muito tempo e sou verdadeiramente fã de algumas de suas peças como, por exemplo, A Dama do Mar; mas confesso que jamais havia lido Peer Gynt até que ele me foi eficazmente indicado por Wilheim Reich. Sim, Reich! Eu estava lendo "A Função do Orgasmo" (que por sinal recomendo com entusiasmo...viu como funciona o fio de Ariadne? ), e descobri que ele dedicou um capítulo inteiro ao jovem desertor da sociedade, ao amoral e inescrupuloso imperador de si mesmo.


Peer Gynt, um verdadeiro marginal, um bon vivant avesso a qualquer tipo de responsabilidade, um criminoso que seduzia mocinhas inocentes e as abandonava, um vilão estranho que conquistou o mundo, viajou pela África, ganhou fortuna, naufragou, fez pacto com o diabo e envelheceu sem jamais recuperar o juízo.


Wilheim Reich tinha verdadeiro fascínio por Peer Gynt. Leu todas as versões do clássico norueguês, assistiu a todas as peças baseadas no texto e colecionava artigos que se referissem a ele. Não é de admirar que tamanha obsessão, vinda de um dos maiores psicanalistas que já houve após Freud, despertou imensamente a minha curiosidade. Pois bem, encomendei a obra pela Estante Virtual (leitores, adicionem o site da Estante Virtual aos favoritos do seu computador!), e em menos de uma semana estava dobrada em cima do texto tentando entender porque Reich era tão apaixonado por ele.


Bom, a partir daqui a coisa se complica. Para começar, senti um leve mal estar quando percebi que havia uma identificação entre o maluco do Peer Gynt e mim mesma. Creio que todas as pessoas carregam o estigma de Peer , mas isso é brutalmente recalcado para que possam viver dentro da normalidade que o mundo inteiro espera do cidadão comum. Mas a minha semelhança com Peer estava ultrapassando o limite do admissível e comecei a questionar minha própria sanidade.


Peer Gynt é uma alegoria formidável que mostra o quanto podemos pagar caro se nos afastarmos dos ideias padronizados pela estrutura vigente e a ordem pré-estabelecida. Quando ele fazia coisas estúpidas, todos zombavam dele. Quando ele aprontava e gerava o caos nos lugares onde passava, todos o temiam. Ele era tão inadequado que foi expulso da própria cidade e banido do contato com sua civilização. É mandado para a floresta e passa a conviver com seres mágicos e trolls (delírios esquizofrênicos?). Depois, na segunda parte do livro, vemos que ele aparentemente venceu, e aparece como um homem rico na África. Mas seu temperamento não melhora e por esta razão, perde tudo. É lesado pelos amigos, roubado e mandado de volta à situação original. Encontra pessoas malucas e os diálogos do texto passam a ser indecifráveis. Peer Gynt demonstra orgulho por ter sido fiel a si mesmo durante toda a vida, até que alguém lhe diz que foi justamente o contrário! E aí meu leitor, percebemos que estamos perdidos para sempre no tal labirinto incapazes de encontrar uma solução para este enigma.


Sim, é isso que Peer Gynt é: um enigma. O final da peça é surpreendente e muito difícil de compreender. Principalmente para nós que estamos acostumados à lei do retorno. Esperamos sempre que o herói seja devidamente recompensado e o vilão seja cruelmente punido. Mas não há punição para Peer Gynt. E sua falta de punição é seu maior castigo.


Peer Gynt é uma esfinge, uma charada esquisita. Um texto intrigante que revela o que há de mais obscuro em nós mesmos. Tudo aquilo que ocultamos para não chocar a sociedade, Peer Gynt traz à luz. Está tudo ali escancarado e talvez por isso a sua redenção venha no final. Porque afinal de contas, Peer Gynt é parente próximo de nós mesmos e realizou impropérios que todos nós, secretamente, também gostaríamos de realizar. Recomendo!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

LITERATURA DO LESTE EUROPEU



"Essas coisas são assim; desejamos alguém obsessiva, perdidamente, no limite do inferno e da morte. Buscamos, perseguimos em vão, e a vida se consome em nostalgia. Desde que viera para Roma esperava por este momento o tempo todo, para ele se preparara, e chegara a acreditar que jamais falaria com Éva. E de repente ela aparece, e nessa hora apertamos o pijama velho contra o peito, sentimos vergonha de estarmos descabelados (...) e gostaríamos que não estivesse ali aquela por quem ansiamos indizivelmente."


Antal Szerb, O Viajante e o Mundo da Lua



Não sei dizer exatamente o que os autores do leste europeu tem de diferente dos outros. Há algo de mais profundo e irônicamente humano que os tchecos, os húngaros e os iugoslavos percebem melhor do que nós. Realmente não sei dizer o que é.

Os autores daquele lado frio da Europa parecem compreender o que há de mais vergonhoso dentro de nós. Tudo aquilo que tentamos esconder, eles mostram com certo desprezo. Como se fosse uma banalidade risível. Todos os nossos medos e anseios, as nossas bobagens estupidamente humanas e além fronteira, nossas barbáries, nosso ciúme, mesquinhez, delinquência e humor negro universal. Está tudo ali, retratado fielmente da forma que é. Sem limites e sem disfarces.


Os autores do Leste Europeu estão me deixando fascinada com seu bom senso estranho, sua capacidade sem igual de compreender nossas fraquezas, sua generosidade em perdoar a raça humana por sua notória embriaguez. Há algo de lúcido nestes autores que raramente encontramos nos escritores de outras nações. Não dá para descrever, tem que ler para saber.


Na República Tcheca, por exemplo, 70% da população não acredita em Deus. Suas igrejas estão sendo transformadas em hotéis e há um profundo desprezo pelas coisas transcendentais do espírito. Mas lendo os autores tchecos, tenho a impressão de que sua descrença é proveniente de sua profunda compreensão sobre as falhas e os erros humanos. Se acreditassem que o ser humano é feito à imagem e semelhante de Deus, então teriam que conceber uma nova divindidade desajustada e infinitamente imperfeita.


Os autores do leste europeu são verdadeiros filósofos. Não há um livro que venha daquelas bandas que não nos ponha para pensar mais seriamente sobre a nossa jornada e características pessoais. Cada livro que abro sinto que estou sendo dissecada por dentro e a cada página virada, uma máscara cai.


A gente vai levando a leitura com um sorriso meio sem graça nos lábios, um mal estar insistente, uma identificação amoral com a linguagem. É como se saíssemos de mãos dadas com as nossas sombras para um passeio noturno.

Se meu leitor estiver disposto a dar um mergulho mais profundo nos abissais da nossa existência, sugiro que leia os autores-filósofos do lado de lá. Deixo aqui a dica de um livro húngaro fácil de encontrar nas livrarias: "O Viajante e o Mundo da Lua" de Antal Szerb

Para quem quiser ir ainda mais fundo recomendo: "A Ignorância" e "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera e "Cotovia" de Dezsó Kostolányi

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

DO ZERO AO TOPO DE UM NOVO MUNDO





A PALAVRA CRISE EM CHINÊS SIGNIFICA OPORTUNIDADE.



Dedicado a T. M.




E mais uma de minhas amigas foi surpreendida esta tarde com um pedido de divórcio. Ela está mal, preocupada com o futuro, magoada, assustada e infeliz. Para minha amiga o divórcio representa o fim do mundo. E é.



É o fim de um mundo aparentemente seguro, mas no fundo caótico e desordenado. O fim de um mundo cheio de problemas, desilusões, mágoas e violência enrustida de amizade. O fim de um mundo que a maltratava e a fazia sofrer. É o fim de um mundo de amargura e dor.

Por que ficamos estagnados numa situação que nos faz tanto mal? O ideal do casamento é uma maravilha, mas nem sempre ele consegue ser devidamente concretizado na vida real. E as pessoas sofrem, e se anulam, e acham que sem o outro elas deixariam de existir. E não percebem o engano gigante embutido nesse falso mito. Não percebem o truque do mágico, e ficam esperando a vida inteira por um coelho que jamais sairá da cartola.

A vida é feita de ciclos. Algumas pessoas temem este conceito porque esperam que tudo dure para sempre. Mesmo quando a coisa é de fato ruim, as pessoas se agarram àquilo que já conhecem e dificilmente soltam. Aí, de repente, o trem sai dos trilhos. Uma onda monumental atinge a nossa praia. O copo transborda. Mas não conseguimos entender que aquele momento explosivo é consequência de vários pequenos e grandes erros cometidos durante a jornada. Não compreendemos que a revolução externa é um mero reflexo das mudanças internas. Não aceitamos que o velho inevitavelmente será substituído pelo novo.



Do jeito que está não pode ficar, mas o que podemos fazer?

Todo fechamento de ciclo encerra medo, angústia, dúvidas e dor. Isso é normal, humano e universal. Quando uma porta se fecha, levamos um tempo para percebermos que ainda resta uma janela aberta. Ao princípio paralisamos. Recuamos. Caímos. Mas este tombo, causado por um desequilíbrio momentâneo, é o que vai nos fortalecer depois.



Os ciclos se encerram a todo instante. Vivenciamos ciclos de mudanças no ambiente de trabalho, na vida familiar, na saúde, na idade, no nosso corpo. Tudo muda o tempo todo e esta mudança é necessária para o nosso crescimento em outros níveis.



Toda mudança gera uma crise pessoal, grupal, nacional ou internacional. Quando algo muda drasticamente, afeta todo mundo. Mas se ficássemos presos para sempre numa situação ruim por mera questão de comodidade, perderíamos o nosso maior e mais precioso dom humano: o de recriar a si mesmo e recomeçar.

Gosto de imaginar a mim mesma como uma phoenix contemporânea. É claro que os cortes da vida dóem. Mas também é claro que o corte de laços já antes desfeitos, não mata ninguém. A dor é uma coisa boa, pois mostra que estamos vivos e que nossa capacidade de sentir emoçoes fortes não foi abalada. O parceiro pode ir. O trabalho pode ir. O país pode ser deixado para trás. O dinheiro pode acabar. O mundo inteiro pode mudar, mas aquilo que somos e nossos potenciais acumulados durante a vida permanecem conosco. E é do zero que se reconstrói.

O divórcio da minha amiga trará uma série de coisas novas e impensadas para a vida dela. Ela não pode enxergar agora por causa da anestesia local que acabou de tomar. Está paralisada. Insensível às palavras de consolo. Incapaz de enxergar o futuro embutido no dia de amanhã. Mas isso vai passar. Sempre passa!

No fundo ela sabe que aquele casamento não desmoronou de repente. Muita água correu até desembocar no mar do divórcio. Foram anos de mal entendidos, brigas, ofensas, traições, mentiras e maus tratos. A coisa estava capenga há anos. Olhando de fora parecia a Torre de Pisa. Um "balança mas não cai" mambembe. Mas também havia lá a promessa do "felizes para sempre" a qualquer custo. Ao custo da nossa dignidade, da nossa capacidade de amar, dos nossos sonhos.



Minha querida, essa mudança trará um pouco de dor no início, mas ela será superada e muita coisa nova irá acontecer na sua vida. A vida da gente é a coisa mais fantástica e mágica que há. É cheia de surpresas, encontros memoráveis, novidade e beleza.

O amor que existe dentro da gente não morre com a partida da pessoa agora amada. Ele se renova, se expande, aumenta com o tempo, fica do nosso tamanho. E antes do que pode imaginar seu coração estará pulsando outra vez. E faremos uma festa nova para um novo casamento.

O importante é seguir adiante, cuidar de si mesma e não perder a coragem.


E tem mais, você é uma felizarda que conta com o apoio de grandes amigas que vão te levar para outras festas. Vamos animar o seu dia e estaremos ao seu lado doando muitos tijolos para a reconstrução da sua vida.



Vambora viver!

PAIXÃO REVOLUCIONÁRIA




"Isso de a gente querer ser exatamente o que a gente é,

ainda vai nos levar além."




Roberto Freire é um psicanalista brasileiro que divulgou as ideias de Wilheim Reich por aqui. Mais do que um cientista, Roberto é um anarquista e sua obra está me levando a pensar sobre a minha visão subjetiva do mundo e sobre o mundo em si.


Ao ler "Utopia e Paixão" descobri que tenho fortes tendências anarquistas. Confesso que fiquei um pouco chocada diante da descoberta, mas o fato é que é assim que me situo no mundo. Mas afinal, o que é o anarquismo?


Quando pensamos em anarquia, imediatamente pensamos no caos total. Imaginamos coisas quebrando, instituições em chamas, pancadaria e morte. Mas essa visão infernal do anarquismo está mais associada a bandas de punk rock como os Sex Pistols (que por sinal eu adoro), do que com o conceito anárquico político discutido por Freire.


Ser anarquista é ser incomum. Ponto. Anarquista é aquele que questiona as regras impostas pela sociedade, religião e Estado e vê nos dogmas uma forma de contenção da natureza humana. Ser anarquista é compreender que os dogmas sociais são castradores e, na maioria das vezes, falsos. Ser anarquista é ter coragem para repensar as ideias vigentes, contestar, criticar e abandonar antigos padrões que já não nos servem mais. Ser anarquista é ser corajoso para realizar mudanças profundas na forma de pensar, agir e estar no mundo.


Roberto Freire foi o maior anarquista do nosso país. Brilhante, inteligente, sagaz e altamente competente em seu discurso de liberdade. Para Freire a liberdade não pode ser parcial, mas total. Qualquer outro tipo de ideia é falsa. O Estado e a família dentro dos padrões vigentes nos oferecem apenas uma liberdade fake, uma liberdade vigiada. E ser livre, para Freire, é poder exercer plenamente sua individualidade e originalidade pessoal.


Para Freire a vida não é importante, só o amor é. Vida sem paixão não tem razão. Estar vivo é apenas um estado natural, mas para se viver de verdade tem que se estar apaixonado. Apaixonado por um ideal, por seu trabalho, por uma ideia, um conceito, uma pessoa, um grupo, um objetivo maior. É este comprometimento total com algo independente e criativo que faz a vida valer a pena.


Se pararmos para pensar, as pessoas levam a vida de forma medíocre. Acordam, vão para o trabalho, retornam, dormem , acordam... Geralmente isso é feito de forma automática. Poucos são aqueles que acordam para realizar algo maior.


E tem mais, nós todos perdemos nossa identidade a partir do momento que começamos a viver em sociedade. Aquilo que pensamos que somos, é apenas um reflexo esmorecido do que esperam da gente e pensam que a gente é. Estamos sempre nos adaptando e procurando ter a conduta adequada, que nem sempre é a tradução exatada daquilo que somos.


O trabalho de Roberto Freire é fantástico e sua obra deve ser lida para ser compreendida. "Utopia e Paixão" é um livro obrigatório para todos aqueles que estão em busca de mudanças. É basicamente um pequeno tratado filosófico escrito para chacoalhar todos os nossos preconceitos.


Gostei muito também de outro livro dele entitulado "Cléo e Daniel". A obra é um romance de ponta cabeça onde a liberdade de expressão é tão explícita que mal acreditamos. Todo tipo de loucura é permitido no livro. Toda a forma de auto-censura é proibida. Simplesmente vale a pena ler Roberto Freire.


E para o leitor que deseja ir ainda mais longe e cometer um suicídio dogmático, sugiro que leia Reich. E aqui eu provoco enfaticamente: LEIA REICH!


Para iniciar sugiro que comece logo com o mais polêmico de todos: "A Função do Orgasmo".


Atualmente estou mergulhada nestas leituras e este desafio me deu de presente inspiração para o novo livro que estou escrevendo. Estou lendo, escrevendo e passando por uma metamorfose fascinante. Ando revendo todos os meus antigos conceitos, repensando escolhas, modificando pensamentos e buscando prazer em minha vida. A felicidade é um conceito pessoal e ela deve ser perseguida individualmente, pois cada um sabe o que é melhor para si.


Felicidade para mim é liberdade de escolha. Portanto, estou neste momento escolhendo algo novo, raramente pensado e bastante revolucionário. Estou escolhendo a liberdade absoluta por agora.


Desejo ao meu leitor que também ele dê um mergulho mais profundo e tire um tempo para repensar antigos conceitos e reestruturar a sua vida. Lembre-se: felicidade é escolha pessoal. E felicidade sem liberdade simplesmente não existe.


Por favor, tire uns minutinhos do seu tempo e assista a entrevista de Roberto Freire no programa Provocações:




Vale a pena parar para pensar!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ALPHONSE MUCHA E A ART NOUVEAU






Estou sempre pesquisando e admirando todas as expressões artísticas do passado. Gosto de dedicar-me à leitura dos grandes poetas, romancistas e filósofos, bem como de apreciar a arte musical e as telas dos grandes mestres. Adoro música clássica, especialmente Tchaikovsky, Chopin e Debussy, e também adoro as telas de Picasso, Monet, Modigliani, Rembrandt e de tantos outros gênios da velha escola.

Como escritora acredito que a literatura também é obra de arte e não há como negar a influência de todos os tipos de arte na produção do meu trabalho. Penso que o artista deve estar sempre atento ao que está acontecendo ao seu redor, mas também deve manter o contato com a genialidade produzida pelos antigos professores da arte.


Semana passada estava assistindo a um programa sobre a arte de Praga e fiquei encantada com o trabalho de Mucha. A harmonia estética é muito importante para mim. Não sou muito fã daquela arte moderna que não consigo compreender. Aprecio a inovação de Pollock, mas não teria um quadro seu na sala de estar da minha casa. Prefiro as formas coerentes, ainda que nem sempre sutis, ao caos que perturba. Talvez porque como artista, eu já traga em mim conflitos suficientes, busco na arte alheia um pouco de consolo e calma.


Alphonse Mucha, nascido na República Tcheca em 1860, é o maior expoente da Arte Nouveau. Mucha iniciou seu trabalho pintando cenários teatrais e pintura decorativa, até que mudou-se para Paris, onde formou-se pela Academia Jullian e iniciou o trabalho de ilustrações para revistas e anúncios publicitários.



Em 1894 o destino promoveu o encontro do artista tcheco com a maior atriz parisience de sua época, Sarah Bernhardt. Mucha ofereceu-se para fazer o cartaz de sua peça Gismonda, e a deixou impressionada com seu talento e inovação de estilo. O cartaz fez tanto sucesso em Paris, que Mucha fechou um contrato com Sarah de seis anos para que ele produzisse não apenas os cartazes, mas os cenários e produção artística para as peças da atriz.


Nos anos seguintes Mucha produziu uma série de pinturas, cartazes, anúncios e ilustrações de livros, bem como desenhos para jóias, tapetes, papel de parede e peças de teatro. Este novo estilo artístico foi inicialmente chamado de estilo Mucha, mas ficou conhecido posteriormente como Art Nouveau (nova arte).


Mucha inspirou-se na Paris do século XIX para produzir suas litografias, mas a influência do universo Tcheco também é evidente. A cidade de Praga é como um museu à céu aberto e fica difícil não se apaixonar pela beleza clássica de sua arte.


Cada tela de Mucha nos faz sonhar com a vida de um personagem novo. É como se ele contasse uma história apenas com tintas e cores. Temos a impressão de que todo seu trabalho foi influenciado pelo fantástico mundo dos contos de fada e podemos perceber a presença das musas, lendas e do folclore universal na sua pintura, além de capturar a beleza do seu ambiente contemporâneo repleto de luxo e ostentação.


Para conhecer mais do trabalho de Mucha acesse o site da sua fundação (em inglês)



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

MILAN KUNDERA: O MAIOR AUTOR TCHECO DA ATUALIDADE




"Porque as perguntas realmente sérias são apenas aquelas que uma criança pode formular. Só as perguntas mais ingênuas são realmente perguntas sérias".

(A Insustentável leveza do Ser)



Milan Kundera, nascido em 1929, na cidade de Brno, Tchecoslováquia, tornou-se uma obsessão quando eu estava morando em Portugal. Descobri sua obra tardiamente, mas me apaixonei perdida e imediatamente pela sua escrita cheia de paradoxos. Kundera é leve e denso ao mesmo tempo. Neurótico e são. Fabuloso e simplório. Imortal, mas divinamente humano.


Sua obra mais famosa, e transportada para o cinema, é "A Insustentável Leveza do Ser". O livro é belíssimo, filosófico e assustador pela humanidae sombria que apresenta. Lembro-me de ter sentido o mesmo impacto quando li pela primeira vez "O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronté. Por sinal, as duas obras despertaram em mim uma curiosidade nervosa e estranhamente familiar. Os dois protagonistas tinham o mesmo grau de perturbação egoístico que tanto nos assusta quanto fascina. Mas mesmo com toda a pompa e aclamação, só compreendi melhor Milan Kundera quando li outros livros de sua autoria. Obras perfeitamente sustentáveis pela leveza e densidade de seu próprio ser.


"A Ignorância" foi um dos livros que mais me intrigou porque fala da questão da emigração e dos sentimentos que ela desperta no desertor. Talvez pelo fato de eu estar tão longe de casa quando o li pela primeira vez, tenha havido uma conexão instantânea que me ligou à trama e gerou em mim simpatia imediata pelos personagens.


Lembro-me que era um dia frio na cidade da Régua, em Portugal, eu estava angustiada e abri Milan Kundera mais por tédio do que por curiosidade. Mas logo na primeira página, tive a impressão de que o livro falou comigo:


- O que é que ainda estás aqui a fazer?

- E onde é que eu haveria de estar? - Perguntou Irena

- No teu país!


Aquele primeiro diálogo foi como um soco no meu estômgo. Milan Kundera era um emigrado e toda a sua obra trata disso, da opção de viver longe de casa, construindo uma nova vida e uma nova identidade. Mas é estranho como nos tornamos nacionalistas quando abandonamos o ninho original. Eu nunca fui piegas, nem dramática e nem muito menos, saudosista. Todavia em Portugal era comum me encontrar ouvindo Roberto Carlos enquanto segurava um copo de cerveja numa mão e enxugava uma lágrima cretina com a outra.


Milan Kundera era um homem forte, mas isso não amenizou seu sentimentalismo e uma saudade falsa e iludida de um país que já não era mais o seu. A Kundera foi negado a cidadania dentro da própra casa, e a França então se tornou mais uma fatalidade do que uma opção.


Mas Kundera não falava apenas de saudade da pátria e de amores complicados. Kundera é um intelectual brilhante, um músico e um artista completo. Por isso tive outra susrpresa agradável quando iniciei a leitura de "Um Encontro". Estou convencida de que Milan Kundera é um grande filósofo moderno. Em "Um Encontro" Kundera trata dos assuntos mais variados, da arte de Gabriel García Marquez ao fascínio de Fellini com maestria. O livro reúne uma série de artigos curtos que impressionam novamente pela profundidade, leveza e densidade do seu pensamento. Kundera é altamente crítico, afiado, inteligente é imbatível ao traduzir suas ideias com a máxima clareza.


Tenho estado atenta à arte Tcheca e no próximo post quero apresentar o trabalho de outro artista daquelas bandas. Talvez o enfrentamento da guerra faça nascer nas almas mais sensíveis uma veia poética e filosófica mais aguçada, repleta de novos sentidos. Seja como for, não quero morrer sem ter apreciado a obra inteirinha de Kundera. Só fico satisfeita no momento em que devorar sua última linha.


Para ir mais longe acesse o site http://www.leninimports.com/milan_kundera.html

domingo, 8 de janeiro de 2012

INAUGURANDO A VERSÃO 2012 DO BLOG!







O blog "E eu que era tudo ou nada ao meio-dia" está comemorando 4 anos no ar! Começou timidamente, com apenas alguns poemas recém-saídos da gaveta e algumas ideias a explorar. Mas durante este período fui amadurecendo muito como escritora e me despojando de vários preconceitos. Esta revolução interna refletiu no blog, que serviu como porta voz de minhas revoluções íntimas.

O número de visitas superou totalmente as expectativas e até dezembro de 2011 , recebemos 25 mil acessos! Para mim este número é imenso, pois o blog nunca foi divulgado nos meios de comunicação. Começou com as visitas dos amigos, os amigos dos amigos, e os internautas de plantão que o descobriram assim por acaso, e foram aproximando-se e tornando-se leitores assíduos...

Nestes quatro anos tivemos alguns assuntos polêmicos, muitos comentários de leitores participativos e muitos e-mails de incentivo e admiração. O blog é um diário vivo sempre em movimento acompanhando o ritmo das minhas mudanças, percepçoes, desapontamentos e alegrias pessoais.



Em 2011 o blog foi meu diário de bordo durante o longo período que permaneci na Europa. As postagens eram quase diárias e isso ajudou a diminuir a distância entre mim e meus amigos leitores.




Mas todo este trabalho não seria possível se eu não tivesse ao meu lado um grande amigo e excelente profissional GUSTAVO MAIOLI. Foi ele quem elaborou o primeiro design do blog e continua trabalhando ao meu lado e aguentando as minhas chatices! OBRIGADA DE CORAÇÃO GU! Você é um mestre!



Agradeço sinceramente a todos os leitores que me incentivam a continuar compartilhando meu caos publicamente. Sou apenas uma mulher comum que nasceu dotada com a alma do artista. Por este motivo, algumas estão sob meu controle, outras não. O artista não dá muita conta das impressões que a vida lhe causa. Vive em constante estado de euforia, angústia e excitação. Por isso o blog apresenta temas dos mais variados que vão surgindo de acordo com meus interesses do momento.



Prometo que em 2012 vou continuar lendo muito, escrevendo muito e vivendo a vida da forma maluca que sempre vivi. E tudo isso continuará sendo partilhado por aqui.


OBS: O contador do blog foi zerado e vamos contabilizar as novas visitas a partir de hoje.


Obrigada a todos!

Desejo que todos sejam bem-vindos a este novo portal!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

REVENDO CONCEITOS EM 2012




Para a primeira postagem de 2012 escolhi um tema controverso, mas que tem me feito refletir bastante nestes últimos meses. Como toda mulher moderna, estou de dieta! O ano na Europa me trouxe uns quilinhos a mais e estou fazendo aqueles sacrifícios básicos para afinar a silhueta. Mas será que isso é mesmo tão importante assim?


Quando estava em Portugal vi muitas mulheres supermagras. Vi meninas novas sofrendo de anorexia. Vi adolescentes neuróticas em busca do corpo ideal (?) estampados nas revistas de moda e nos filmes americanos. Mas sinceramente? Não vi graça em nenhuma dessas magrelas.


É claro que a obesidade excessiva, além de ser nociva, é feia. Mulher gorda demais não cabe direito nas roupas, fica sem postura e envelhece. Mas o oposto é igualmente nocivo e feio. Estou aqui me virando com diet shakes, queijo branco, pão integral e água, mas após assistir alguns filmes clássicos das décadas de 50 e 60, relaxei um pouco.


Se você pegar Marilyn Monroe, Sofia Loren, Cláudia Cardinale, Jane Mansfield e Anita Eckberg, vai desejar ter um pouco mais de curvas em seu próprio corpo! Estas mulheres eram muito mais atraentes do que qualquer modelo anoréxica da atualidade. Pegue qualquer atriz famosa do cinema atual e ela parecerá subnutrida e doente perto das grandes divas da antiga e glamourosa Hollywood.


Em "Os Desajustados" há uma cena icônica de Marilyn saindo do mar de biquini que choca pelo tamanho! Aliás, seu manequim era 46! Marilyn tinha barriga, peito, bunda e um bocadinho de celulite absolutamente normal para a idade de trinta e poucos anos que tinha na época das filmagens. Um mulherão fascinante e exuberante que bota qualquer garotinha magrinha (coitadinha) no chinelo de dedo!


Agora pegue os filmes de Sofia Loren ou o clássico italiano Dolce Vita com aquela cena belíssima de Anita Eckberg se banhando na Fontana de Trevi. Sofia e Anita enchem a tela quando o close fecha nelas! Não dá para parar de olhar e admirar! Sofia Loren era uma mulher de peso. Não acredita? Então vá à locadora e pegue o filme "Ontem, hoje e amanhã" onde ela faz parceria com Mastroiani. Além de rir muito, porque o filme é ótimo, você vai ficar bem feliz quando se olhar no espelho e constatar que seus seios grandes parecem com os de Sofia!


Sofia era a mulher ideal e perfeita. Linda, farta, inteligente, mãe, amante e musa do mundo inteiro. Posso garantir que seu marido Carlos Ponti nunca sugeriu a ela que entrasse numa academia!


Como estava intrigada com este assunto do padrão ideal das mulheres do mundo moderno, resolvi pesquisar quem eram as Cindy Crawfords do Renascimento. Mais uma vez fiquei extasiada. Bote no google "mulheres de Boticcelli" e vai entender o que estou dizendo. A musa renascentista era corpulenta, grande mesmo, parideira e sensual. Corpo magrinho apenas na infância e adolescência, o que é o correto, não?


Quando eu tinha 16 anos pesava 49 quilos! Mas agora aos 34 não dá, né? A gente envelhece, o corpo aumenta. Mas e daí?


Acho que antigamente havia um respeito maior ao processo de envelhecimento e à passagem do tempo. É horrível folhear as revistas de moda e ver aquele monte de mulheres vítimas de uma moda fútil e de uma dieta de alface. Pois sou uma mulher que gosta de fartura. Adoro um bom pedaço de carne, um copo bem grande de cerveja, um prato de massa, a exuberância da boa gastronomia e as delícias da vida. E se isso me der uns quilinhos a mais, azar. Da próxima vez que me olhar nua no espelho vou ser mais condescendente comigo mesma e comparar a minha silhueta à da Marilyn ou à da Sofia.


Vamos repensar nossos modelos estéticos e encontrar um novo onde a gente se encaixe melhor.

E é sempre bom lembrar que beleza está muito relacionada com personalidade e sex appeal. Há mulheres lindíssimas caladinhas, mas quando resolvem abrir a boca...é triste. Ficam mais sem graça do que arroz japonês empapado e sem sal.


Portanto, vamos cuidar mais da inteligência, da cultura e do charme e prestar menos atenção à balança neste início de ano.

E sejamos cada vez mais livres e felizes em 2012!