quarta-feira, 31 de agosto de 2011

EU NÃO VOU VOLTAR






"Love is a losing game"


Amy Winehouse






Não me lembro onde estava naquele momento exato em que você chamou.

Lembro apenas de alguns copos, um grito mais alto, um corpo coberto de areia.

Saí de fininho pela porta dos fundos fugindo aos poucos para não ser encontrada.

Saí correndo de mim mesma fingindo não ver o que aquilo representava.




Botei só duas fotografias na mala,

Inventei uma desculpa esfarrapada,

Tirei os livros do meu lado da gaveta,

parti sem dizer nada.




Não foi a primeira vez que dei um tiro em mim mesma.




Estava convencida de que ele jamais se lembraria,

mas ele nunca esqueceu.

E agora me atormenta com palavras de whisky e uma dose de gelo.




Quando abri a primeira porta do armário percebi que não teria roupa pra preencher todos os sonhos.

Foi uma aposta alta.

Trocamos uma aliança invísivel e depois de tanto tempo,

ele ainda me cobra por isso.




Havia um espelho mágico no meio de nós dois.

Vimos refletidos esperanças de outros tempos.

Apresentamos certidão de nascimento por e-mail.

Dissemos sim à meia-noite do dia seguinte,

e depois de todo este tempo,

ele ainda quer casar comigo.




Foi mais do que qualquer um poderia suportar.

Foi além do que você pode imaginar.

E eu fui mergulhando sem saber nadar,

e me afogando longe do mar.




Eu não vou voltar pra lá.

Eu não vou voltar pra aquilo que deixei matar.

Eu não vou retornar.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ENTRE AMIGOS E MILAGRES








" Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos"

William Shakeaspeare




Este final de semana tive a sorte de descansar numa quinta portuguesa rodeada de bons amigos, bons livros, boa comida e boa conversa.


Eu sou brasileira e sinto falta dos meus amigos de lá, da família e de alguns lugares, mas no fundo sinto-me totalmente em casa aqui em Portugal. Os portugueses não são diferentes dos brasileiros. Aliás, quanto mais o tempo passa, mas percebo que somos todos iguais, independente da nacionalidade. Mas meu grupo de amigos aqui tem muito a ver comigo.



Tenho refletido sobre a Lei da Atração. Eu sou muito otimista e sempre consegui atrair para minha vida tudo aquilo que sempre sonhei. Mas às vezes, quando nos falta um ou outro detalhe, tendemos a não enxergar os pequenos milagres que acontecem diariamente na nossa vida. E ficamos angustiados, frustrados e momentaneamente desesperançosos.



Eu nunca fui católica, mas aqui vira e mexe pego a mim mesma falando com Deus. Estou sempre peregrinando de igreja em igreja conversando (meio timidamente) com todos os santos que me apresentam. A conversa é assim: "-Oi, tudo bem? Olha só, tô meio sem saber o que pedir porque não sei rezar e acho que sou uma fraude completa quando entro aqui na sua igreja e espero que você me conceda um milagre....Mas é o seguinte, será que você poderia me ajudar nisso ou naquilo? A senhora vai ficar muito chateada se eu não voltar aqui para agradecer? Sabe como é, eu sou uma viajante, não sei nem onde estarei amanhã. Mas acho que li em algum lugar que os milagres acontecem mesmo quando duvidamos deles. Eu não sei se acredito em milagres. A senhora fica ofendida com isso? Por favor, não fique. Eu sou meio desajeitada para conversar até mesmo com as pessoas, imagine com os santos... Me perdoa o atrevimento? Então é assim, eu vou sair e esperar que alguma coisa aconteça, está bem? Amém."



Não sei se sou auto-sugestionável (se calhar eu sou), o que sei é que saio sempre mais tranquila das igrejas. E há muitas igrejas em Portugal. E eu vou assim falando com todos os santos, pedindo um milagre aqui, um desejo bobo ali, um sinal.



E então, quando estou totalmente distraída, olho ao redor e percebo os sinais. Tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas aqui. Sinto-me parte de uma família. Talvez por eu estar sozinha e tão longe de casa, o meu "eu" se potencializou. Estou em paz comigo mesma e, por isso, estou em paz com o resto do mundo. Olho as pessoas nos olhos, sorrio para elas, e compreendo que fazemos todos parte de um plano maior. Estou a milhas e milhas de casa, mas acho tudo tão familiar.



Temos os mesmos problemas, as mesmas piadas, os mesmos provérbios, o mesmo gosto pela música e pelos pratos culinários. Eu cozinho para eles, eles cozinham para mim. E de prato em prato a compreensão se aprofunda.



Ontem olhei a minha volta e vi que estava rodeada de pessoas que estavam sinceramente felizes com a minha presença estrangeira. E isso é maravilhoso porque me sinto motivada a seguir meu caminho confiando em que farei novos amigos até mesmo no Alasca. É parte da nossa natureza humana fazer amigos.



Creio que os santos portugueses estão olhando por mim. Os milagres que peço são grandes demais e não sei se eles vão dar conta de realizar todos. Mas às vezes tenho a impressão de que eles se reunem numa coletiva exclusiva para avaliar o que podem fazer por mim. E tenho uma vaga sensação de que a votação é unânime. Sim, vamos ajudar esta peregrina meio cara de pau que nem rezar sabe.



Entre amigos e milagres meus dias correm. E meus sonhos continuam vivos e coloridos dentro do meu coração de cuco.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

WHISKEY RIVER



"Whiskey river take my mind, don´t let the memory torture me.

Whiskey river don´t run dry, you´re all i´ve got take care of me."

Willie Nelson




terça-feira, 16 de agosto de 2011

VOLTE PARA ALICE




"Sempre tive medo das suas ideias.


Por que você precisa ser tão sincera?"


Alice - Kid Abelha



Alice não escreva aquela carta de amor.

Guarde as palavras, as explicações, o rancor.

Fale mais baixo, por favor.

Alguém pode ouvir o que vai no interior.




Alice, eu cansei de avisar que isso não te levaria longe.

Apressar os passos, correr no asfalto , chegar antes.

Para quê tanta pressa?

Esta não é a sua casa, o seu país, o se lugar.

Mas você é teimosa e seguiu adiante.

Removeu pedras, derrubou muros, se precipitou.




Agora já é tarde, Alice, durma um pouco mais.

Basta de discursos banais.

Ele não vai te ouvir mais.




Para quê tanta história Alice?

Onde isso vai?

É melhor juntar suas malas e partir pra nunca mais.




A Alice me disse que iria transformar o mundo.

Garantiu a todos de que era capaz.

Botou os cigarros, as balas, o casaco de couro e a honra no banco de trás.

Jogou a bolsa vermelha fora e

arrancou o motor que atravancava sua vida.




Agora me diga Alice, pra onde vai?

Tá na hora de voltar para casa.

Que mapa estrangeiro é este no bolso da frente?

Ainda pensa em viajar mais?




A Alice nunca teve juízo,

sempre amou demais.

Não teve limites, não teve medo, não teve frio.

Foi entregando logo tudo a quem não lhe pertence.

Fica quieta Alice, não erre mais.




A Alice não engole as mentiras do mundo.

Fica aflita, perde a fome, atira para acertar.

A cada novo alvo, uma desilusão.

Eu já disse Alice, são todos iguais.

Descarrega a arma de fogo.

Guarda tudo pra logo mais.




Ele olha para ela com desconfiança.

Como pode alguém ter tudo o que lhe completa e ainda assim não o satisfaz?

Ele acha que a outra é melhor do que Alice.

Pois fique com ela porque agora tanto faz.




Alice acordou meio tonta do porre de ontem.

Eu já disse a Alice que ela bebe demais.

Qualquer dia desses vai esquecer o próprio nome.

E vai sumir no mundo assim mesmo, sem documentos.




A Alice não tolera traição, covardia e maldade.

Já falei pra Alice que ela é ingênua demais.

Vai ver tá achando que a vida é um filme.




Servi café preto para Alice hoje cedo, mas ela detesta café.

Torceu o nariz e olhou feio para mim.

Não dá para continuar desse jeito, Alice.

Você precisa crescer.




Tira essa sombra preta dos olhos, Alice.

Que prazer você sente em ser tão diferente?

Não vê que tanta rebeldia assusta as pessoas?

Pelo menos tenta ser mais parecida com o resto do mundo, vai?

Não Alice, não vai doer.




Eu já disse a ele que a Alice é melhor do que parece.

Eu sei que ela é de lua.

Fala o que pensa.

É meio agressiva.

Morde.




Mas no fundo a Alice procura alguém parecido com ela.

Eu disse a Alice que isso era impossível.

Quem de nós se parece com Alice?

Volte para Alice e tome uma dose com ela.




Alice veio de um mundo confuso.

Muito álcool, muito rock, muito dinheiro, muito prazer.

Mas ela até que deu duro e chegou a vencer.




Alice não escreva aquela carta de amor.

Guarde sua saudade para você.



domingo, 14 de agosto de 2011

O SHOW TEM QUE CONTINUAR



"Whatever happens, I´ll leave it all to chance.

Another heartache, another failed romance.

On and on...

Does anybody know what we are living for?"




(The Show Must Go On - Queen)






Se você olhar de perto pra vida que leva, vai entender que foi você mesmo quem se colocou na atual situação. Algumas vezes vai olhar ao redor e não vai reconhecer o lugar onde está. Noutras vai sorrir e concordar com discursos fúteis apenas por não ter prestado a mais ínfima atenção à boca aberta do seu interlocutor. Às vezes vai se fazer de estúpido por pura preguiça. Às vezes falará mais do que deve. Noutras vai estar distraído. Às vezes vai cometer erros gigantes, maior que o seu próprio tamanho.

Nos dias normais você vai gostar da imagem que vê no espelho. Nas noites de tempestade vai se sentir feio e só. Nas horas vagas vai se lembrar de uma antiga resposta. Nos momentos de caos vai se esquecer da pergunta vital.

A cada dia que passa acordo mais ignorante do que no dia anterior. E vou vivendo assim com o complexo de Sócrates sabendo mais do que nada sei. E os livros, por vezes, não me dizem nada. E já não estou em paz com a literatura, os textos sagrados, as palavras de amor e os sinais. E de abismo em abismo vou visitando jardins. E a cada flor sem cor, uma palavra morre.

A vida é feita de altos e baixos, escolhas erradas e arrependimento posterior. E somos testados infinitamente. E falhamos hoje, e acertamos amanhã, e falhamos novamente, e acertamos mais uma vez. E novos testes virão.

Falhei em praticamente todos os testes neste último mês. Errei, errei de novo, e segui errando já desprovida de vergonha ou pudor. Já nem sei mais configurar meu sistema de acerto, pois ele falhou, e falhou, e falhou. E tudo aquilo que aprendi com tanta clareza ontem, já se perdeu amanhã. E por causa disso amanhã, provavelmente vou falhar de novo.

O que aprendi não vai fazer muita diferença para você, porque somos duas personalidades distintas. E aquilo que é bom para mim, não é para você.




Hoje vi de perto um cérebro humano pifar. Prestei a máxima atenção a todos os detalhes, acompanhei o processo com lupa de aumento, me aproximei. E descobri que o cérebro está diretamente ligado ao coração. E suspeitei de que, na verdade, quem pifou foi o último e não o primeiro.

Quando o coração aperta e atinge seu máximo grau de desespero, seu cérebro pode falhar. E você pode perder tudo o que tem de mais valioso. Pode perder a si mesmo e nunca mais se recuperar.

O blackout emocional/cerebral tem origem no desassossego. Aquela inquietude crônica que vai se acumulando, sabe? A infelicidade, a autocomiseração, a dó de si mesmo. E você começa a se afundar, perde a fé, fica sem coragem, falta o chão. E quando não há mais nada ao que se apegar: curto-circuito. Pane no eixo central. Surto.

Não sou terapeuta, psiquiatra, psicóloga ou clínica geral, mas acho que ,de alguma forma, descobri um meio de proteger meu coração dum colapso súbito. Meu segredo é tão simples que chega a ser bobo. Minha arma secreta é o senso de humor.




Não leve as coisas tão à sério. Não faz mal se, assim como eu, você for um leitor que falha quinze vezes por mês. Não faz mal se você faz as piores escolhas da sua vida por burrice crônica. Não faz mal que tudo pareça fora do seu controle de vez em quando. Não faz mal se, assim como Orpheu, você sofra do mal do amor. Não faz mal se você ofereceu tudo o que tinha e não serviu de nada (vai receber tudo o que deu em dobro logo ali adiante, confie).

O segredo está em levantar quando o galo cantar, e seguir em frente a cada novo dia. O segredo está em seguir com a corrente da vida e se deixar levar.

Todos os meus heróis são uma vergonha. Todos deram vexames, todos beberam um (pouquinho...) a mais do que deviam, todos falharam nos casamentos, nos romances, na maternidade, no horário, no palco e na vida. Alguns morreram cedo demais. Outros ainda vivem demais. Mas todos tem algo em comum: a tal da coragem que eu tanto admiro e que, graças a deus, reconheço em mim mesma.

Coragem para tentar de novo, coragem para levantar, mudar, se expressar, falar, sentir e amar como se fosse a primeira e também a última vez. Coragem para viver a vida que a gente mesmo inventa. Coragem para falhar, e falhar e falhar...e tentar, e tentar e tentar. Coragem para ser quem se é. Coragem para não se deixar matar.

Quem me conhece sabe que não sei sentir ou ser nada pela metade. Quando eu amo, entrego o mundo inteiro e mais meia dúzia de planetas soltos pela galáxia. Quando detesto, detesto com força. Simplesmente não tolero, quero que se lixe. O perigo mora quando começo a sentir a indiferença. Quando passo a já não ligar se alguém está aqui ou lá. Como não sei lidar com meio termo, a minha indiferença geralmente é mortal.

O cérebro pifado em questão falhou por causa disso. Falhou porque havia dúvidas no seu coração. Pifou porque não aguentou o massacre da pressão externa. Falhou quando o medo venceu a coragem.

Não importa aonde você está. Não importa o tamanho da sua conta bancária, o número do seu manequim, os livros que você gosta. Não importa a quantidade de erros que você comete, e nem os acertos. Não importa se está triste ou realizado. O show tem que continuar até o final irreversível. O que importa é que estamos vivos agora, e o agora é sempre a hora certa para abrirmos mão de tudo aquilo que já não nos traduz e inciarmos uma trajetória diferente.




Arrisque de novo. Falhe. Levante. Tente outra vez. Mas, por favor, seja verdadeiramente feliz. Seja audacioso, corajoso, diferente. Aceite os milagres que acontece em sua vida. Seja mais. Seja você.








"Inside my heart is breaking

My make-up may be flaking...

But my smile, still, stays on! "







Obs: Este texto é dedicado a uma amiga querida que teve um colapso no seu coração. Espero sinceramente que ela encontre forças para levantar, caminhar e rir mais de si mesma.

Obs2: Cláudia, minha amiga, o cabelo comprido já era. Cortei tudo. Inspiração: bondgirl do Quantum of Solace. Já sabe o que isso significa, não? Vem mudanças radicais por aí...


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

BELLA DONNA











"Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar"

Maysa



Creio que a beleza não tem relação nenhuma com a simetria dos traços. Mulher bonita, para mim, é a mulher forte, independente, corajosa, fiel à si mesma, destemida e de vanguarda.


Desde menina tive dificuldade de enxergar a tal da beleza universal. Sabe aquela menina bonitinha que todo mundo adora na escola? A garotinha do balé, que faz ponta enquanto caminha, que sorri para os desconhecidos, não discorda de nada e se veste de rosa? Sim, você sabe. Pois bem, eu as detestava.


Quando eu era adolescente tinha 3 modelos de super-mulheres: Madonna, Malu Mader e Paloma Picasso. A Madonna vinha no topo da lista por causa da versatilidade. Os cabelos dela estavam cada dia de uma cor, falava sobre tudo abertamente, nunca teve uma carinha bonitinha de colegial, era punk e faturava milhões. Malu Mader é a mulher mais despojada que já vi na vida. Quando morávamos em São Paulo ela morava na rua de trás. Calça jeans, cabelo comprido, olhos negros, blusa preta e nada mais. Paloma Picasso eu invejava de morte. Como pode alguém ter tamanha sorte e nascer de dois gênios fabulosos? Eu imaginava como seria minha vida se meu pai fosse o Pablo Picasso e a minha mãe a Françoise Gillot.... (Recado aos meus pais biológicos, assíduos leitores deste blog: eu os amo e adoro ser filha de vocês).


Durante meu processo de amadurecimento as impressões que me causaram estas mulheres fortes forjaram a minha personalidade. Como poeta fiquei fascinada pela Anne Sexton (poetisa americana). A personalidade forte e artística da Maysa me nocauteou. Frida Kahlo e seus auto-retratos tiraram meu chão. A biografia de Coco Chanel é um norte na minha vida atual. Marisa Monte e seu infinito particular sempre me inspirou.


Não entendo como as mulheres podem perder tanto tempo em lojas de cosméticos, clínicas de beleza, espelhos de lojas de departamentos. Qual é a graça de juntar tantos sapatos, bolsas, apetrecho para cabelo, máscara facial e superficialidade? O excesso de bagulho serve apenas para camuflar a ausência de bagagem.


Todos os meus ídolos femininos são mulheres intelectuais. Todas leem muito, produzem muito, sustentam a si mesmas e dão um show de coragem.


Mas se reparar bem, não vai encontrar em nenhuma delas o padrão convencional de beleza esquadrinhado pela sociedade. De cima para baixo: Paloma Picasso (nariz protuberante e olhos fortes), Marisa Monte (traços imperfeitos, charme fulminante), Maysa (personalidade dura, caráter violento e olhos verdes), Chanel (traços feios, genialidade exuberante), Anne Sexton (sua alma era tão selvagem que sua beleza se assemelhava a um corcel irado).


Estas mulheres causaram profundo impacto na minha vida e são em parte responsáveis pelo que sou. Essas mulheres não perderam tempo com coisas fúteis, não despejaram tolices enfadonhas sobre os outros, não poluiram o mundo com intrigas, fofocas ou mesquinharias afins. Estas mulheres foram à luta para realizar seus sonhos pessoais. Todas viveram paixões ardentes e sofreram, mas todo o sofrimento virou arte em suas mãos.


Meu conceito de beleza sempre esteve diretamente ligado à personalidade das pessoas. Quando penso nos homens tenho os mesmos sentimentos. Um homem bonito e atraente, para mim, deve ser viril, honesto e confiável. Além disso deve ser culto, lido, sociável e educado. Tanto faz se tiver a cara do Marlon Brandon ou não. A beleza do homem está no seu caráter e não na etiqueta das suas calças.


Todas estas mulheres citadas apresentam algum tipo de desajuste interno. Anne Sexton é o caso mais trágico. Mesmo casada, amada pelo marido e pelos filhos, deu fim à própria vida. Não há nenhuma tradução da obra de Anne para o português, mas se meu leitor domina o inglês, vale a pena explorar seus textos.


Coco Chanel nasceu pobre, ficou órfã, cresceu num orfanato sem educação e estímulo. Mas sua inteligência permitiu que ela aprendesse tudo rápido. E ela era uma mulher atenta e interessada por tudo o que se passava à sua volta. Chanel revolucionou o mundo quando desprezou o guarda-roupa de Barbie do seu tempo e vestiu calças e botas. Chanel, para mim, é um enigma. Chanel, para mim, é fonte de inspiração eterna.


Uma das coisas que mais abomino é a fraqueza humana. Estive sempre em busca do herói arquetípico. Por ironia da vida, sempre achei mais fácil encontrar heroínas do que heróis. A mulher, quando nasce dotada dos dons certos, é fascinante.


Pense nas mulheres e nos homens que inspiram a sua vida, e verá que a beleza se define pela personalidade, e não pela simetria da sua boca ou do seu nariz.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

INCONSTANTE CORAÇÃO




What kind of fuckery is this?

Amy Winehouse


Amy Winehouse fez milhares de dólares cantando a mais pura verdade sem florear as palavras. Ela não se preocupava com os palavrões em suas composições e também pouco se importava sobre o problema que daria às rádios que teriam que colocar um "bip" para encobrir suas músicas nada comportadas.



Mas afinal, do que se tratava as letras de Amy? Você já parou para traduzir? Se ainda não fez, por favor, faça. Mas antes deixe seu preconceito bobo do lado de fora da porta e escute Amy com o coração aberto. Veja a tradução de Back to Black, Love is a losing game, Wake up alone, Unholly war , Me & Mr. Jones e You Know Im No Good.



Amy falava de coisas muito simples e universais como o problema do abandono, das traições, dos vícios, dos momentos de desespero, humilhações, mentiras e todas a sorte de desajuste humano. Não foi só a belíssima voz e o talento musical que fez dela uma artista amada pelo mundo inteiro, a força do seu sucesso está também na simplicidade e absoluta honestidade que usou para falar dos seus sentimentos.



Amy conheceu Blake. Blake tinha uma namorada, era comprometido, mas se envolveu com Amy. Blake abandonou Amy e voltou para a antiga namorada. Amy bebeu para esquecer "on the kitchen floor". Blake sentiu falta de Amy depois que a deixou. Amy compos um disco inteiro sobre a dor causada pelo abandono de Blake. Blake voltou para Amy. Os dois eram boêmios e viviam no limite. Blake foi para a cadeia. Amy morreu. Uma lenda nasceu.



Passamos o tempo todo tentando ser "bons" com o vizinho, a família, o marido, a mãe, a sociedade. Algumas pessoas querem parecer mais do que "bons", querem ser dignos de exemplo (do quê, meus deus, não compreendo). Aí vão à igreja, dizem que são religiosos, batem no peito com orgulho afirmando que não mentem, e fazem cara de herói para camuflar a hipocrisia do discurso vazio. Depois sobem ao topo do mundo e condenam pessoas com a autenticidade da Amy.



Mas geralmente as atitudes contrariam o verbo. Em pouco tempo a máscara cai e você percebe que falta massa por dentro, falta cimento, falta coragem. Tudo desmorona a olhos vistos na sua frente, mas a conversa furada continua de pé. E se vão revelando segredos pequenos, picuinhas e uma infinidade de problemas sem sentido.



Fico sempre susrpresa quando me deparo com a inconstância do coração humano. O sentimento eternamente contraditório. O hoje sim, e o amanhã não. A dificuldade de se saber ao certo o que se quer. O medo de fazer uma aposta mais alta, uma escolha diferente.



Esta semana relacionei-me de perto com diversos corações. Deparei-me com um coração volúvel e inconstante que não sabe o que quer, um coração apaixonado que ainda pulsa com força quando ouve meu nome, um coração aflito que está tentando encontrar a paz por meio dos tribunais e um coração boêmio ansioso por uma taça de vinho e um pouco de diversão. Quatro corações avariados. Quatro corações malucos que, talvez assim como o meu, foram trocados por um relógio de cuco.



Estou sempre em busca da linha exata que separa o certo do errado. A honestidade e a franqueza de caráter sempre foram os grandes tesouros que busco na minha caminhada. Tenho minhas vaidades femininas, mas elas estão muito misturadas com minha essência meio punk, meio selvagem. Mas acima de tudo, busco a fidelidade. Busco a amizade sincera à prova de bala de fogo. Busco a cumplicidade.



Quando sinto que há faltas neste aspecto, prefiro a reclusão. Poderia xingar, me vingar ou compor um disco inteiro por alívio como fez a Amy. Mas não sou musicista, contorcionista ou este tipo de artista.



Quando fico triste e decepcionada sinto-me atraída pelo deserto do Sahara. E que eu possa levar alguns livros comigo e que meu coração de cuco possa namorar as estrelas.



Recebi uma carta de amor esta semana. Uma carta digital que veio de longe. Um relato assinado por um dos meus heróis antigos. Um herói torto que também possui um coração avariado e um milhão e meio de defeitos. Mas ainda sim um herói pela coragem de dizer o que sente e pela constância do sentimento que persevera apesar do tempo.



Buda dizia que o apego era a causa de todos os sofrimentos. Pois eu acho que a origem de todos os nossos problemas está na inconstância do nosso coração.



Faço votos para que meu leitor consiga ouvir a Amy sem preconceitos, que consiga amar sem medo e que encontre um pouco de constância em meio a total inconstância de nossos pobres corações.








Foto: Tirada por Helena Magalhães, sem photoshop, sem iluminação adequada, sem pose, sem vaidade e sem disfarce.





sexta-feira, 5 de agosto de 2011

IMITAÇÃO DA VIDA






"Ninguém em minha família conseguiu escapar da sua presença sufocante. Ele precisava de sangue para assinar cada uma de suas telas"


Marina, neta de Picasso.






Esta semana tive uma conversa interessante com um dos meus leitores. Ele está convencido de que alguns dos meus textos foram escritos para ele. Pois este aqui é mesmo para você. Preste atenção.




O blog "E eu que era tudo ou nada ao meio-dia" foi criado em dezembro de 2007, pois como escritora eu necessitava de um espaço aberto onde pudesse externar minha visão de mundo. Os artistas parecem egocêntricos por causa do excesso de exposição. Mas depois que o blog veio à público, meu medo de parecer excêntrica desapareceu, pois fui supreendida por uma quantidade imensa de visitas e e-mails de leitores de todos os cantos do Brasil. E em todos estes anos que o blog está no ar, as palavras dos leitores foram sempre as mesmas. Eles me agradecem pela autenticidade da minha escrita e me dizem que eu os inspiro a transformarem as próprias vidas.




Em 2010 pusemos um contador no blog, e fiquei perplexa ao descobrir que em pouco tempo já recebi quase 20 mil visitas. E este número só aumenta a cada dia.




A matéria prima de todos os meus textos são as minhas experiências pessoais e vivências internas. Escrevo basicamente sobre o que vejo, sinto, acredito e sou.




Não há meio termo. Não tento agradar a um grupo específico de pessoas. Não adulo ninguém e nem estou buscando o prêmio Pulitzer com minhas palavras tortas. Escrevo única e exclusivamente porque não consigo viver sem escrever. Para mim é um processo vital. Este é um hábito que tenho desde os 14 anos e que nunca se alterou.




Mas o leitor em questão está curioso para saber se está mesmo sendo descaradamente retratado aqui. A resposta é não. O artista se alimenta das próprias experiências tanto subjetivas como objetivas. Às vezes passo a noite conversando com alguém e aquela conversa me faz refletir sobre algo de forma mais profunda. Então quando escrevo, falo sobre a minha reflexão pessoal diante do assunto em questão, e não sobre a pessoa com quem a conversa se deu.




Todas as coisas que ocorrem comigo servem de material para os meus textos. Digo sempre aos amigos que se não querem ser retratados, não mantenham amizade com os artistas!




Um dos meus livros foi totalmente baseado em histórias reais que presenciei, e foi adaptado à minha percepção individual da realidade. Alguns amigos leram e não se reconhecream ali, outros ficaram chocados com a semelhança entre eles mesmos e os personagens. É tudo uma questão de ponto de vista pessoal.




Quando passo por uma crise com alguém (família, amigo, namorado), esta situação me leva a refletir sobre a minha postura dentro da relação. Quando aquilo satura dentro de mim, transforma-se em verbo. Mas quando escrevo não estou mandando recado para ninguém, estou apenas me posicionando dentro de uma situação pessoal e exercendo a minha individualidade de forma independente.




É óbvio que a situação específica torna-se base para inspiração e vira argila pra fazer barro nas minhas mãos. Mas os textos não são recados pessoais. Quando quero falar diretamente com alguém, mando longos e-mails para o destinatário certo.




Pablo Picasso tinha o hábito inconfundível de retratar nas suas telas a visão particular que tinha das pessoas, gostassem elas ou não. No caso específico das mulheres com quem se envolveu o tema era trágico. Quando ele estava no auge do amor, pintava a todas lindamente. Quando aquele amor arrefecia e virava repulsa, ele as retratava como verdadeiros monstros, pois aquela era a sua visão subjetiva e atual das parceiras.




Ele não conseguia retratar ninguém apenas baseando-se pelo aspecto físico. Seus quadros estavam marcados com o sentimento que aquelas pessoas causavam nele. Se a mulher fosse maravilhosa, mas insuportavelmente tola, a beleza física desaparecia e era sobrepujada pelo horror que a má impressão gerava nele. Por isso, ao invés de uma bela mulher, via-se um monstro deformado, pois era uma visão interna e subjetiva do artista. Era a visão íntima que Picasso tinha da mulher em questão.




Mal comparando, é isso que ocorre nos meus textos. Eu não escrevo para o leitor (embora fique grata e feliz de saber que sou muito lida), mas antes escrevo para mim mesma. O artigo nasce de uma necessidade pessoal de organizar meu caos interno. E quando o leitor se identifica com o texto e se sente tocado por ele, fico feliz porque afinal nossos problemas são os mesmos. É a mais pura chatice da condição humana.




O referido leitor é neste momento um personagem que participa ativamente da minha vida. É alguém com quem convivo e partilho diversas experiências. Às vezes nos entendemos, noutras somos como Israel e a Palestina. Por isso, é evidente que algumas situações compartilhadas por nós dois geram conflitos agudos e me levam a refletir sobre as posições que tomo.




Mas olha leitor, acredite, meus textos tem mais a ver comigo mesma do que com você. Quando eu tiver algo para dizer a você, será dito pessoalmente. Você será o primeiro a saber.




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

VOLTA ÀS ORIGENS



Converti-me ao budismo no início do ano de 2003. Venho de uma família espiritualizada, mas sem raízes religiosas. Meus pais foram criados no catolicismo, mas como eram altamente intelectualizados, acabaram por abrir mão da interpretação literal da bíblia ainda jovens.

Mas mesmo com a enorme quantidade de livros intelectuais existentes na biblioteca da minha casa (lembro-me que ia do chão ao teto da sala de estar e meus pais usavam escada para pegar os livros mais altos), eles nunca deixaram a mim e ao meu irmão indiferentes ao respeito pelo sagrado e sou grata a eles por isso.

Meu pai é um ávido leitor das ciências ocultas, da alquimia, dos estudos antigos secretos e dos livros de revelações. Minha mãe estudou profundamente todos os oráculos existentes e acabou por se convencer da existência de um destino maior que se impõe à vida das pessoas.

Quando tinha doze anos de idade aprendi com meu pai a utilização de um dos mais profundos oráculos existentes, o I CHING. Meu pai estuda o I Ching há mais de 35 anos sem nunca parar. E por ter me inciado cedo, hoje já tenho 21 anos de estudo neste livro de sabedoria milenar da cultura chinesa.

O I ching foi utilizado por todos os imperadores da antiga China, pelos grandes líderes mundiais (incluindo Napoleão Bonaparte que não lutava sem antes consultá-lo), por Carl Gustav Jung (o maior discípulo de Freud) e por todas as pessoas que se preocupam com o auto-conhecimento. O último grande mestre a interpretar o I Ching foi Confúcio, e suas observações ainda hoje podem ser encontradas nos textos originais.

O livro é composto por 64 hexagramas que fazem 6 combinações a cada mutação chegando ao total de 384 textos da mais profunda sabedoria humana. É um livro um tanto obscuro para quem o pega pela primeira vez, mas extremamente fascinante para os que se aventuram no seu desvendamento.

 
Como minha educação teve por base os princípios filosóficos orientais, foi bastante natural para mim a conversão ao budismo quando tornei-me adulta. Toda a filosofia de Buda pareceu-me simples e irrefutável. E mesmo com os meus 20 anos de estudo e prática oriental, ainda padeço para seguir os conceitos à risca.


Hoje já não tenho mais a prática diária e também não frequento mais os templos budistas com diligência, mas os princípios estão fortemente arraigados e não consigo ver o mundo de outra forma que não seja com a visão oriental da vida. A minha forma de agir e interpretar as coisas é inegavelmente budista.


O primeiro de todos os ensinamentos budistas é o desapego. Para Buda, o apego era a causa de todo sofrimento que há no mundo. Sofremos porque buscamos a eternidade em tudo. Queremos que tudo fique exatamente da forma que está e nos esquecemos que isso é radicalmente contrário à natureza de todas as coisas. Tudo morre. Nada é para sempre.

O nome I ching, traduzido para o português, significa "O Livro das Mutações". Tudo está em constante processo de mutação.

E devemos estar atentos, pois a mudança não chega de uma hora para outra. Ela dá sinais constantes antes da transformação final. Se estivermos atentos, perceberemos a aproximação das reviravoltas e não seremos pegos de surpresa.

Outro princípio budista que me fascina é sobre a polaridade do yin e yang que neutraliza os conceitos ocidentais sobre o bem e o mal. O bem e o mal, para os orientais, são apenas dois lados necessários da mesma moeda. Não há maldade num dia de tempestade como não há bondade num dia de sol. Ambos são expressão de força igual da natureza.

O I ching também é um livro de ensinamentos morais, mas é tão correto e profundo que não dá para contestar a sua verdade. As vezes, quando consulto o I Ching, sinto-me constrangida diante da minha própria ignorância!

Eu sei que este tema é controverso e meu leitor pode estar se perguntando sobre os motivos que me levam a relatar sobre meus dogmas pessoais, mas estou num momento de volta às origens, e meus anos de estudo tem sido muito úteis a mim neste último mês.

Para quem quiser ir mais longe, há um site na internet que consulto diariamente e me ajuda bastante. Busque no Google: UOL - I Ching- Livro das Mutações.

Neste site você poderá ler o texto de Jung e fazer as suas perguntas ao I Ching. Claro que na internet é mais superficial, mas o texto deste site é bem completo.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a corrente budista que sigo, procure no Google: O Busdismo de Nitiren Daishonin (BSGI).

O estudo do auto-conhecimento é o melhor que poderá fazer pela sua vida, sua família e pelo mundo ao seu redor.


Seja feliz.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

FAÇA UMA ESCOLHA




"A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a qualidade que garante as demais"

Winston Churchill






Desde pequena tenho dificuldades em lidar com pessoas incapazes de fazerem uma escolha e seguirem em frente com ela. Lembro-me bem dos tempos de escola em que tinha raros e poucos amigos, pois a maioria das crianças estavam mais preocupadas em agradar aos professores do que ousarem ser elas mesmas.



Vivia frustrada e infeliz quando era garotinha porque sentia-me claustrofóbica dentro das instituições de ensino, que tinham como meta principal, transformar todos os setenta alunos de uma sala heterogênea em criaturas iguais.

Eu simplesmente detestava a escola. Já me libertei dela há muito tempo e nunca senti saudade daqueles anos estudantis nem um único dia da minha vida adulta.

Hoje sou uma mulher feita e continuo sendo corajosa quando o assunto trata-se das minhas escolhas pessoais. Quando faço uma escolha sigo em frente apesar do medo, da insegurança e da solidão que às vezes enfrento como o preço pela minha ousadia.

O que mais me entristece (a palavra tristeza é exata e ideal para expressar o que sinto), é lidar com pessoas que paralisam diante de uma bifurcação e simplesmente não conseguem prosseguir. Sinto-me aflita e inquieta quando lido com situações confusas e ambiguas.

Não há nada que me incomode mais do que ficar parada em cima de um muro. Quando encontro-me nesta situação uma decisão se faz urgente, pois está além das minhas forças lidar com o que é demasiado frágil e instável.



Prefiro perder absolutamente tudo o que tenho e recomeçar do zero a viver esperando por um milagre ou por algo pior. As situações dúbias me confundem , desequilibram e minam as minhas forças.



Eu sempre tive uma ideia clara das coisas que desejo, pois sou movida pelos sentimentos. Eu não levo dias ou meses para compreender aquilo que sinto. As sensações chegam a mim de forma direta e na mesma hora sei se gosto ou não do que estou vivendo.



Sou cheia de paradoxos, como a maioria das pessoas, mas eles não se excluem. Gosto tanto do calor como do frio, do doce e do salgado, dos mares e dos rios, da luz e da escuridão. Mas entre todas as possibilidades às vezes é necessário optar por algo diferente. Às vezes a loteria da vida está na atitude de fazer uma escolha incomum.

Sou uma pessoa de hábitos simples. Sou constante nas minhas amizades, nas minhas paixões artísticas, nos meus conceitos e nas minhas palavras. Tenho uma personalidade firme que não enverga com facilidade. Mas também tenho minhas fraquezas, meus momentos de angústia e de dor. Porém, penso que a maior de todas as minhas qualidades é a coragem para enfrentar os desafios com o coração sempre aberto.



Sou uma apaixonada pela vida, pelas pessoas, os animais, os lugares, os sabores e as cores que me rodeiam. Sou uma otimista nata e sigo, muitas vezes aos trancos e barrancos, sempre em frente conforme aquilo que sou.



Se meu leitor estiver passando por um momento de dúvida sugiro que tire um dia inteiro em silêncio para que possa ouvir seu coração. A resposta está lá escrita em neon para que você não se confunda. Observe seus sentimentos mais intensos. Avalie os dois lados do muro com os olhos de dentro. Nem sempre é sensato optar novamente pelo mesmo lado que costuma escolher. Às vezes, do outro lado oposto ao que está olhando, a vida te deixou uma caixinha com um presente. Às vezes, lá dentro do seu coração você sabe o caminho que deveria tomar. Mas para receber os milagres e os presentes da vida você deve fazer uma escolha. E antes de tudo, é necessário que desça do muro.



Pois que meu leitor desça do muro e faça uma escolha diferente! E que a vida o surpreenda com algo maravilhoso que jamais sonhou.