segunda-feira, 27 de junho de 2011

LISBOA, ÓBIDOS, ESTORIL, FÁTIMA E OUTRAS PARAGENS PORTUGUESAS













Esta semana fiz uma viagem fantástica por Portugal. Toda minha estada aqui, desde o primeiro dia em que cheguei, tem se revelado um inusitado milagre. Cheguei em Portugal à meia-noite do dia 09 de abril, pelo aeroporto do Porto, sem ter a menor ideia de onde estava. Nunca, em momento algum da minha vida, havia passado pela minha cabeça conhecer Portugal.



Toda a minha viagem tem sido uma aventura incrivelmente maluca. Não dá para explicar exatamente o que está acontecendo na minha vida. Nestas horas sinto falta da Cláudia que sempre teve mais facilidade do que eu para compreender e perceber a extensão das mudanças constantes que ocorrem comigo. Sou como o louco do tarô que sai para o mundo seguindo um caminho torto, e talvez por isso mesmo, abençoado.

No segundo dia em Estoril tive uma crise de pânico. Olhei-me no espelho e senti dificuldade para entender onde estava. Aquilo parecia piadinha do Faustão. De repente vi a mim mesma como o bêbado das peças de Shakeaspeare que é enganado pelo rei. Tive medo de não consegui realizar meus sonhos, tive medo do fracasso, medo de que aquilo tudo fosse apenas um sonho, tive medo de acordar.

Não sou filha de pais milionários, não tenho uma conta decente no banco, não sou herdeira de avós bilhardários, não possuo ouro guardado e nem cabeças de gado. Ainda assim, a vida tem me presenteado com tudo o de mais sublime que uma pessoa rica poderia sonhar.

Sou uma apaixonada pela obra de Eça de Queiroz, "Os Maias", e minha garganta apertou quando avistei Lisboa ainda durante a noite, quando lá chegamos na última quarta-feira. Não conheço muita coisa do mundo, mas Lisboa é tão linda que me seduziu imediatamente. As avenidas largas, as casas históricas, a beleza de tirar o fôlego do Rio Tejo (que me confundiu com a vastidão do mar), os castelos, a influência árabe nas ruelas de pedra, as flores, os bares, os turistas, as cores do lugar. É impossível ficar indiferente ao apelo de Lisboa.



Mais tarde flagrei a mim mesma no ambiente mais infernal, conhecido e cobiçado do mundo: o Casino de Estoril. Eu, uma brasileira forasteira sem um centavo no bolso, passei 3 noites me divertindo no Casino de Estoril. Inacreditável. Acho que agora entendo melhor o conceito da mente milionária. Há muito tempo desisti dos noticiários da tv, das manchetes sangrentas do mundo e botei meu foco apenas no que valia a pena para mim. E cá estou eu. Vejam, não é egoísmo ou indiferença, é apenas questão de opção. Se você é um duro como eu não vai poder ajudar ninguém a superar a fome da África, por isso botei meu foco nos milhões (sim, todos os meus amigos sabem que desejo ter milhões apenas para nunca mais ter que pensar nisso.).



Saindo do inferno de Estoril, fui direto para o céu...Santuário de Fátima. Um dos locais de peregrinação mais famosos do mundo. Não, eu nunca havia nem sonhado com isso. Nunca me passou pela cabeça visitar Fátima, mas lá estava eu. Extasiada com a beleza daquilo. O túmulo dos três pastorinhos, a fé gigantesca da humanidade, a cadeira onde se senta o Papa quando vem a Portugal. Outro milagre. Ganhei uma vela enorme da Helena e fui fazer um pedido. Orei pelos familiares, pelos amigos, pelo mundo. Orei em agradecimento a todos os milagres que estão acontecendo comigo.



Antes de Fátima paramos em Óbidos. Não leitor, eu nunca havia ouvido falar de Óbidos. Sou a turista mais relapsa do mundo. Admiro os turistas profissionais que compram um guia de viagem uma semana antes de comprar a passagem aérea. Não sou assim. Vejam, não é indiferença, é pura incompetência mesmo. E uma fé infantil de que seja lá onde eu estiver, tudo vai dar certo.



Óbidos é uma cidade medieval construída dentro de um castelo magnifíco. É tão lindo que assusta. É incrível caminhar por aquelas ruas de pedra e pensar que milhares de pessoas caminham por ali há centenas de anos. Quantas gerações? Quantos reis? Quantas histórias? Mas parei de pensar nisso assim que bebi a primeira taça de ginja, foram muitas, mas é melhor deixar pra lá...



Olha, eu não tenho a mais vaga ideia de onde a vida vai me levar daqui para frente, mas sei que estou pronta para prosseguir minha caminhada. Abençoei todos os peregrinos quando estive em Fátima, porque subitamente, entendi que sou um deles.

terça-feira, 14 de junho de 2011

VIVER DA ARTE







Há um tempo para se vencer na vida, e outro tempo para se viver a vida"

Brigitte Bardot


Tenho recebido muitos e-mails de autores brasileiros e latino-americanos que procuram meu trabalho como consultora literária em busca de uma oportunidade no universo da escrita. Todos são talentosos e inteligentes, mas ainda são anônimos.

Recebo livros por e-mail, releases, resenhas e mostras de todo tipo de criação artística. Como também sou escritora, e sei o quanto é difícil encontrar um lugar ao sol, procuro atender a todos com carinho e dou sempre uma opinião sincera sobre o material que me enviam. Lamento por desapontar um ou outro, mas o trabalho crítico deve ser feito com imparcialidade.



Viver da arte é um sonho romântico, mas extremamente difícil de conquistar. O problema do processo criativo é o fato dele ser muito pessoal. A arte parte sempre do ponto de vista do artista, e nem sempre nossa perspectiva agrada ao receptor.


A minha perspectiva está de certa forma limitada à maneira que percebo o mundo. E nesta análise individual entram as experiências pessoais, os traumas e acontecimentos que me causaram emoção. Quando escrevemos botamos para fora uma visão exclusiva da vida.




No meu caso particular, não sinto atração por histórias comuns. Não desperta a minha curiosidade tramas que falem sobre doenças e sofrimentos, pois isso temos em abundância no mundo. Também não suporto clichês! Romances açucarados e textos fáceis demais me dão sono.



Gosto de uma ficção mais encantada, com toque de realismo mágico e um pouco sombrio. Sou fã de Tim Burton, Mathias Mauzieu, Gabriel García Marques, Jô Soares, Chico Buarque e Cervantes, por exemplo. Gosto também da Candace Bushnel (autora de Sex and the city) que descreve a realidade contemporânea de forma descarada, indecente e bem humorada.




Aprecio também as biografias de personalidades como Picasso, Chanel, Bardot, Monroe, Clinton e Churchill. Para conquistar minha atenção, tem que ser um vencedor!



A dica que dou para os autores é a seguinte: ousem quando sentarem para escrever. Arrisquem tudo, rasguem a pele, inovem. Vá à livraria mais próxima de você e compre o que houver de mais esquisito, autêntico e sublime!




O escritor deve mergulhar em universos fantásticos, porque a leitura é feita para tirar a mente do convencional. Quem quiser saber de tristeza e tragédia, que ligue o telejornal. Na minha biblioteca particular só há espaços para gênios malucos e visionários!



Quer fazer a diferença? Desafie o leitor. Conte uma história extravagante que o faça viajar para outros mundos mais divertidos do que o seu!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

SEU DIA VIRÁ




Talvez haja mesmo um destino traçado e a linha da sua vida esteja decidida inteira ali. Talvez haja um dia de glória para os desesperados e o final trágico possa ser adiado. Talvez haja uma erva que cure os males do mundo no quintal atrás da sua casa. Talvez haja uma passagem secreta dentro de um livro antigo e você consiga escapar.


Tive uma série de pesadelos horríveis esta noite. Acordei três vezes seguidas e tive medo de mim. Sonhei com a morte, com o fracasso, com a dor. Sonhei com todos que estavam distantes. Sonhei que não houve socorro quando precisei chamar.


Levantei mais cedo do que de costume e vi o sol chegando. O mesmo sol que esquenta a vida dos amores que deixei do outro lado do mar.


Não consigo ser amável com pessoas rudes. Não consigo perdoar fraquezas tolas. Não consigo superar certos traumas.


Ás vezes grito em voz alta, não consigo calar. E tento colocar tudo do jeito que me parece mais certo sem me importar com o que o resto do mundo vai pensar. Ás vezes perco as palavras certas, o momento certo, a direção correta que deveria tomar. E vou seguindo em frente amaldiçoando aquilo que já não posso mudar.


E todo mundo fala a mesma coisa, diz que cedo ou tarde seu dia virá. E que daqui a algum tempo tudo fará sentido. Que tudo está certo e que um futuro brilhante vai te recompensar.


Odeio esperar. Detesto adiar o que podia ser feito já. Sinto frio quando preciso parar.


Mas o meu dia virá. Virá quando cruzar uma esquina deserta desse país que desconheço. Virá quando abrir a porta de uma casa estranha. Virá quando minhas palavras forem lançadas numa brochura grossa. Virá quando o homem que partiu disser "olá". Virá quando minha hora chegar.


E vou vivendo assim meio aos trancos caindo como Alice no país das maravilhas. E já não tenho mais uma dose da poção secreta que me faz mudar de tamanho.



Mas o destino é um golpe de sorte e a vida um jogo de azar. E a gente vai sonhando acordada lamentando tudo o que deixou passar. E vai correndo atrás de cacos antigos que há tempos vem se despedaçando.


Havia um pássaro amarelo na gaiola do meu vizinho. Esta noite ele decidiu voar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

E AGORA, ARCANJO MIGUEL?





Saí do banho sem saber o que vestir. Acordei aliviada. Não sei porque carrego no preto quando estou bem. Camisa preta, olhos pretos, sapatos pretos, óculos pretos. Deve ser a herança que herdei do rock quando era menina. Miguel diz que sou o diabo disfarçado de gente. Se calhar tem razão.

Tenho feito a mim mesma algumas perguntas sérias. Isso é complicado porque ultimamente não tenho levado a mim mesma muito à sério. Mas esta semana alguns acontecimentos fatídicos botaram meu cerébro a pensar.

Mas como toda bad girl penso melhor com uma cerveja à mão. Olhei para o céu azul e lembrei da Cidade dos Anjos. Os anjos também usavam preto naquele filme. Pensei no Miguel. Tinha duas opções: sentar e chorar ou ligar o som bem alto em sintonia com meu conturbado interior. Optei pelo rock, fundo musical da minha vida inteira. Nos momentos bons e também nos ruins.


Nunca fui muito amiga da depressão. Sempre a escurracei a vassouradas quando ameaçava invadir meu espaço sagrado. Esta manhã não foi diferente. Preto na roupa, cerveja na mão, rock na casa. Pronto! Meu cerébro estava livre para pensar.


Não tenho velas em casa, nem oratório, nem imagem de santo nenhum. Invoco Miguel nos meus pensamentos. E agora Arcanjo Miguel? O que foi que eu fiz? Por que me condena pela verdade das minhas palavras? O que deveria fazer? O que faria você?


Calava diante da infâmia? Fingia que não via? Deixava pra lá? Então porque diabos te deram este nome de anjo? Falar a verdade não é melhor que mentir? Lembro do Miguel dizendo que deve-se dizer a verdade, mas não crua. Então me explica a receita para cozinhar as palavras, Miguel. Gostaria de tê-las al dente? Ao ponto? Mal passada? Frita? Tostada?

Descobri há pouco tempo que tenho um coração de cuco que se desregula ao lado do Miguel. Mas acho que ele não se importa muito com isso. O Miguel não queria enxergar a maldade no coração das pessoas, mas eu lhe dei uma lupa de presente. Ah Miguel, tá na hora de enxergar! Nem todo coração é desregulado como o meu.

O problema do Miguel é que ele não é gente, mas anjo. E os anjos acreditam apenas na bondade do mundo. E se queimam à luz de uma verdade feia.

Perdoe-me pela feiúra do nosso mundo Miguel. Juro que não quis te magoar. Mas mulheres Valquírias como eu já não suportam o veneno das mentiras doces. Gostaria de poupá-lo da dor, mas enganá-lo? Amor e mentira não se conjugam na minha gramática.

Saí vestida de preto, mas o sol estava quente lá fora. Voltei pra casa suada e encarei de frente um banho frio. Fico triste pela decepção de Miguel, mas foi para o seu bem meu anjo querido. Mais vale uma dura verdade a uma mentira adocicada. A verdade sempre aparece. É a lei da vida.

Vou orar pela nossa felicidade esta noite. Talvez amanhã eu use outra cor. Talvez amanhã você entenda quem sou. Talvez amanhã você me perdoe.