terça-feira, 31 de maio de 2011

LIVRARIA LELLO E IRMÃO




















Após a visita à Feira do Livro fui à Livraria Lello e Irmão com meus amigos e também editores Valentim Ribeiro e Helena Magalhães. A suntuosidade do local impressiona de verdade!




Infelizmente não é permitido tirar fotos no interior da livraria, pois ela é presevada como um museu vivo. O interior da loja estava lotado de turistas espanhois, ingleses e franceses que assim como eu, estavam extasiados diante de tanta beleza e requinte.




A Livraria Lello e Irmão, também conhecida como Livraria Chardron ou simplesmente Livraria Lello situa-se na cidade do Porto em Portugal.
Foi classificada como a terceira melhor livraria do mundo no guia de elevada reputação da editora australiana Lonely Planet, para o ano de 2011.




Em 1881 foi fundada uma livraria por José Pinto de Sousa Lello, à rua do Almada.
Em 1894 Mathieux Lugan vendeu a antiga Livraria Chardron a José Lello que, associado ao irmão, António Lello, manteve a Chardron com a razão social de "Sociedade José Pinto Sousa Lello & Irmão", posteriormente alterada para "Livraria Lello e Irmão" (1919).
O actual edifício foi construído pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves e inaugurado em 1906. Compareceram à cerimónia nomes, entre outros, como os de Guerra Junqueiro, José Leite de Vasconcelos e Afonso Costa.
Tudo em Portugal tem uma história romântica por trás. É fascinante entrar em construções que contam com mais de duzentos anos ou andar por ruas que carregam em si anos de tradição e história. Ás vezes me dizem que pareço uma portuguesa a defender Portugal...acho que ainda não dá pra tanto, mas meu amor por Portugal só aumenta a cada dia.





81º FEIRA DO LIVRO DO PORTO















A Feira do Livro do Porto 2011 realiza-se entre 26 de Maio e 12 de Junho de 2011, na Avenida dos Aliados, na baixa do Porto. A 81ª edição da Feira do Livro do Porto, organizada pela Associação Portuguesa de Editores e livreiros (APEL), tem como objetivo estimular a leitura e promover a literatura portuguesa.


Nada melhor do que passar uma tarde inteira num mundo de sonhos! Sim, é isso que a Feira do Livro do Porto-Portugal representa para os apaixonados por literatura.

Todos os grandes nomes da literatura portuguesa, brasileira, francesa, espanhola, inglesa, americana, africana, entre outros, estavam muito bem representados na Feira. Trouxe para casa várias obras fascinantes que tiraram o meu sono esta noite.


A MECÂNICA DO CORAÇÃO







" A dor das engrenagens de um relógio é ridícula comparada com as dores do amor. O prazer e a alegria do amor pagam-se mais tarde ou mais cedo com sofrimento. E quanto mais se ama, mais se sofre. Sente-se a falta, depois o ciúme, a incompreensão, a sensação de rejeição e de injustiça. O mecanismo do teu coração explode." Mathias Malzieu



Ontem estive na 81º Feira do Livro do Porto, aqui em Portugal. Para uma leitora apaixonada nada poderia ser melhor. Estou encantada com os novos autores que estou descobrindo aqui. Antes de me mudar deixei praticamente toda a minha biblioteca no Brasil. Trouxe apenas alguns livros raros na bagagem. Todo o restante ficou lá.



Mas aqui já comprei tantos livros novos que posso afirmar que uma nova biblioteca particular está sendo montada. E que biblioteca! Às vezes perco a vontade de sair para explorar o país, pois fico imersa nas leituras.



Ontem tive a felicidade de trazer para casa a obra "A mecânica do coração" do francês Mathias Malzieu. No mesmo estilo sombrio e mágico de Tim Burton, o autor francês criou uma fábula romântica e triste sobre um menino que nasceu na noite mais fria do mundo em Edimburgo e teve um relógio como substituto de seu coração que lhe veio congelado



O pequeno Jack foi criado por uma feiticeira que morava no alto da montanha e que tinha o talento de consertar pessoas. Um olho mecânico para um, uma perna para outro, um coração de cuco para Jack.



Seu coração de metal não aguenta fortes emoções, pois logo se desregula e perde a hora. Portanto, o pequeno Jack não pode ter emoções violentas e nem se apaixonar. Mas tudo muda quando ele conhece a pequena cantora quase cega de Andaluzia, que dançando com encanto, faz estremecer o coração frágil de Jack.



Uma metáfora belamente escrita sobre as armadilhas do amor e da fragilidade de nossos pobres corações, sejam eles feitos de tecido ou de madeira.



domingo, 29 de maio de 2011

VILA NOVA DE GAIA: NIGHT & BLUES













Sábado à noite. Estou a milhas de kilômetros de casa. Literalmente em outro continente.

A lua lá fora é a mesma que meus amigos namoram no Brasil.

Quatro horas de fuso horário.

Dez da noite em Portugal.


Ninguém ao redor.

A trilogia de blues que comprei na FNAC me fez beber uma cerveja a mais.

Mefistófeles encarnado nos novos amigos me convida a sair.

É noite no Porto.

O blues faz a noite ferver.

Uma revoada de gaivotas sobrevoa as embarcações do cais.

Espetáculo noturno.

Faz vinte anos que luto contra o rock'n roll dos meus gens.

Salto alto, olhos marcados e vida ao redor.

A noite no Porto me faz jogar a toalha no chão.

Quer me ver feliz?

Me dê diversão.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

MEFISTÓFELES E O PACTO COM DEUS








"No plano celestial Deus e o Diabo empreendem uma aposta relativa à alma de Fausto.

O Senhor crê que o moço será redimido por suas virtudes espirituais, enquanto o diabo acredita que o apelo material é mais forte no espírito do jovem. Deus permite que Fausto seja testado, e Mefistófeles aparece diante dele como um mero estudante oferecendo-lhe tudo que ele mais deseja em troca de sua alma. O rapaz aceita o pacto."

Fausto de Goethe






A história de Fausto me fascina desde jovem. Li a obra de Johann Wolfgang von Goethe quando ainda era adolescente e já estava completamente apaixonada pelos clássicos da literatura mundial. Li tudo o que o leitor possa imaginar: Goethe, Shakeaspeare, Thomas Mann, Cervantes, Hobbes, Rousseau, Eça de Queiroz, Machado de Assis, e por aí vai minha lista.

Mas a história do pacto entre Deus e o Diabo na figura de Mefistóteles sempre mexeu comigo. Fausto era um rapaz impecável, uma boa alma e um ser humano exemplar. Deus o tinha como sua criação mais perfeita até que Mefistófeles o desafia a colocar a bondade intrínseca do rapaz à prova.


E o teste veio direto e reto do inferno.


Os diálogos entre Deus e o Diabo são simplesmente geniais, e é muito complicado não simpatizar com Mesfistófeles. O diabo aparece como um fanfarrão divertido, muito esperto, inteligente ao extremo, filósofo e sarcástico. As teorias de Deus ficam meio sem graça comparadas ao discurso apaixonado e quente de Mefistófeles.


Mas e então? E se este pacto fosse renovado e o diabo descesse em pessoa para testar você? O que você faria?


Deus ofereceria a você o paraíso após a morte. Mefistófeles lhe ofereceria o paraíso aqui na terra mesmo enquanto desfruta do seu corpo e da sua juventude. Complicado escolher, não?


Mefistófeles lhe ofereceria prazer até os últimos dias de sua vida humana. Mulheres, dinheiro, poder, boemia, amores selvagens, viagens, um corpo viril, uma capacidade intelectual invejável e um poder de atração e magnetismo irresistível.


Do outro lado Deus lhe garantiria a vida eterna sabe-se lá onde (alguém por acaso sabe me dizer pra que direção fica o paraíso?) , uma alma redimida e um coral de anjos do lado de lá.


Olha meu caro leitor, até mesmo pra mim fica um pouco difícil decidir. Não fique constrangido se de vez em quando sentir um impulso vil de vender a alma.


E então?







terça-feira, 17 de maio de 2011

COMER, AMAR, REZAR E DEIXAR QUE A VIDA ACONTEÇA








Minha fé religiosa sempre oscilou um pouco. Tem dias que acredito em tudo e há momentos que não creio em nada. Às vezes penso que tudo é parte de uma imensa coincidência, e às vezes acho que somos mesmo guiados por um plano maior. Depende do dia, da hora e das circunstâncias que me rodeiam.


Mas minha relação com o destino anda passando por grandes mudanças. Minha viagem a Portugal tem se revelado um milagre a cada dia.


Estava muito insatisfeita com a vida que levava no Brasil. Lá no fundo eu achava que estava perdendo tempo, que podia viver mais, que ainda havia muitas pontes para cruzar. Tenho uma alma forasteira. Não conseguia mais me conformar com a paisagem rotineira da janela do meu quarto. Queria voar para mais longe. Queria ver além.


E bem lá dentro do meu coração eu achava que podia. Esta certeza inabalável de que o mundo iria me acolher, impulsionou-me a fechar os olhos e partir.
Não dava mais para adiar. Não dava mais para fugir de um desejo que estava me sufocando. Não dava para resistir.


Mas o que aconteceu comigo quando cheguei aqui, não estava nos meus planos, nem nas minhas fantasias mais malucas. Parece que o mundo percebeu que eu estava completamente apaixonada por ele, e resolveu corresponder ao meu amor improvável e grande.


Em Portugal estou engordando, corando, amando, me inspirando, crescendo e vivendo de maneira plena e inusitada. Parece que o universo inteiro resolveu conspirar para que minha aventura além fronteira desse certo. E está dando.


Agora entendo melhor porque a obra de Liz Gilbert, “Comer, amar e rezar” tornou-se um Best-seller internacional. O que importa não é o resultado de nada, mas a jornada. Quando você se despe de tudo e transporta seu corpo para outro lugar apenas com a vontade de ver algo novo e sem nenhuma expectativa , você se fortalece.


Fiz amigos maravilhosos aqui. Há a Helena Magalhães e o Valentim Ribeiro que me acolheram em suas vidas sem saber ao certo quem eu sou; há a Natália, meu anjo da guarda que me leva para ver o sol e a lua ao mesmo tempo junto ao mar do Porto; há a Clara que abre as portas de sua casa mágica cheia de obras de arte e me convida para jantar, há o Luis que mostra para mim a beleza das vinhas do Douro; há a Dori Counãgo que me chama de linda e anima meu dia; há o Daniel que veio lá da Suíça e deixa meus cabelos maravilhosos; há a Maria que não deixa faltar nada no meu apartamento; há a Susana da imigração que me orienta com carinho, e há mais uma infinidade de pessoas que conheço todos os dias e que sorriem para mim amenizando a saudade que às vezes bate de casa.


Hoje entrei na capela de Santo Expedito para agradecer. Estava há dois dias procurando uma igreja, mas não me sentia à vontade em nenhuma. Entrava e saia com um leve sentimento de culpa por não conseguir rezar. Mas hoje quando vi Santo Expedito enorme olhando para mim, entendi que já era o momento de agradecer e pedir coragem para cumprir minha missão.


Em Portugal estou resgatando a fé na vida e no amor. A fé na bondade das pessoas e no espírito de fraternidade universal. Os problemas existem, claro, mas são tão pequeninos que não merecem menção. O que importa é o sentimento de realização que me invade todos os dias quando desço pela manhã e percebo que estou há milhas do meu próprio país, e ainda assim, não estou só.

domingo, 8 de maio de 2011

ESTOU FALANDO DE REVOLUÇÃO










Minha vida mudou completamente. Há anos venho sonhando com uma revolução. Trabalhei com afinco, economizei, fiz contatos e lancei ao universo meu pedido de mudança. E ela veio de uma forma surpreendente e inesperada.


Não entendo a depressão, o rancor, a melancolia e o desespero. Penso que é tudo consequência da falta de fé na vida. Na falta de fé em si mesmo e na ausência de auto-estima.
Se eu publicar meu curriculum aqui, os leitores ficarão confusos. Já fiz de tudo nesta vida! Tirei diploma em fotografia, diploma em Direito, montei galeria de artes e fiz inúmeras exposições. Sou poeta, romancista e consultora literária. Compareci ao Rock in Rio e ao show da Madonna. Fotografei crianças, velhos, adultos, modelos e esportistas. Fiz parceria com a Nationa Geographic e com uma best-seller espanhola. Tenho muitos amigos e uma curiosidade que me assola.



Tomo doses cavalares diárias de informações e me sinto inspirada a fazer algo novo todos os dias.
Cruzei o oceano com duas malas pequenas, cheguei como turista, tive a sorte de fazer amigos maravilhosos em terra estrangeira e tudo tem ido bem graças ao meu otimismo incorrigível e a minha facilidade de adaptação.
E quero mais. Muito mais. O chão da minha estrada é infinito. Quero dobrar a curva do horizonte e encontrar novas perguntas.



Uma amiga querida ligou desesperada e disse que sofre por amor. Meu conselho é sempre o mesmo. Amor bonito é aquele que sentimos por nós mesmos e pelo improviso da vida. Quando estamos em paz com nossa imagem no espelho, estamos em paz com o resto do mundo.



Fui de morena a loura, do Brasil a Portugal, da poesia ao infanto-juvenil, do samba ao fado, da esquerda para a direita e vou continuar seguindo meu caminho torto e sem prévia direção.



Puxo assunto com todas as pessoas que me cercam, conheço novas histórias e a minha vida oscila entre grande e pequena. Mas o que importa é manter a confiança em si mesmo e ter a certeza inabalável que estamos aqui para vencer!

terça-feira, 3 de maio de 2011

TRAGÉDIA DA VIDA PRIVADA (convite à reflexão aos brasileiros, portugueses, americanos, ingleses, chineses e todas as outras nações)






Nasci, cresci e vivi no Brasil. País do samba, da caipirinha, do verão eterno, do futebol e da infidelidade generalizada. Como brasileira já vi de tudo. É muito difícil que algo me choque ou me assuste.



Já vi gente traindo, sendo traida, mentindo, enganando e sendo vítima de muitos enganos. Estou tão farta disso que tenho material suficiente para escrever um livro (que já está sendo escrito aliás). Vi esta situação dentro da minha casa com as mentiras do meu pai, vi na rua e vi na escola, vi nas rodas de amigos, na mesa de inúmeros bares, na internet e no celular. Vi tanto disso que perdeu a graça.



Um belo dia, já cansada de tanta mentira, hipocrisia e desenganos, fiz as malas e cruzei o oceano. Foram doze horas de viagem, dez dias para acostumar com o fuso-horário, dezenas de objetos doados no momento de juntar os pertences.



Saí do Brasil em busca de novas histórias. Talvez a culpa fosse do nosso excesso de sol, pensei eu com ingenuidade infantil. Vai ver é a cultura latina. Vai ver é o tamanho das saias das brasileiras. Talvez seja herança da geração de 70. Talvez seja apenas eu.



Fui praticamente barrada na Itália, porque de repente, todas as italianas se apavoraram com a chegada súbita de uma brasileira causando confusão no novo império romano. Cheguei em Portugal e fui logo sendo avisada: "Não destrua o casamento das santas portuguesas". E fui assim ouvindo recomendações morais por onde passava.



Mas para minha nada grata surpresa, encontrei na Europa a mesma situação que já me havia saturado no Brasil. Sim, meus leitores, há muita hipocrisia do outro lado do oceano e temo que vou encontrar mais disso quando visitar o Alasca!



Estou pesquisando a infidelidade para concluir meu mais novo livro. Tenho estado atenta. Observo, falo, opino e calo.



Será que a mentira descarada é algo de origem fisiológica impossível de ser banida? Qual o problema de assumir a verdade? Qual é a dificuldade, internacional, de ser sincero um com o outro?



Paguei caro pela minha língua afiada, pelo meu cansaço e pela minha nacionalidade. "Cuidado com as brasileiras!" dizem as pobres línguas, como se a comunidade internacional fosse diferente da minha.



É claro que nem tudo é inferno queimando. Encontrei amigos do outro lago do oceano. Encontrei gente culta, educada, inteligente e de alma grande. Mas também encontrei mentiras, hipocrisias e atitudes desprezíveis além-mar.



Meu blog recebe mais de cem visitas diárias e agradeço os e-mails elogiosos que recebo nas minhas caixas de e-mail. Sei que quando escrevo atinjo uma multidão de leitores curiosos ou em busca de algumas respostas. Hoje não tenho respostas para dar, mas deixo uma pergunta:



Por que é tão difícil amar sem segredos, sem mentiras e sem mágoas causar?



Se este é mesmo um problemas internacional, estamos todos fadados ao fracasso no amor. Independente da direção que a gente tomar.