terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A POLÊMICA SOBRE AS DECLARAÇÕES DE GISELE BUNDCHEN


Com uma manchete polêmica – Cala a boca, Gisele – o jornal New York Post do dia 13 de fevereiro, reuniu declarações polêmicas feitas pela übermodel brasileira Gisele Bündchen nos últimos tempos. A publicação traz uma lista das frases já ditas por ela, destacando algumas como:

Sobre protetor solar

"Não coloco esse veneno na minha pele."

Sobre o enteado, filho de Tom Brady e Bridget Moynahan

"Eu sei que ele tem mãe, mas - para mim - sinto ele como meu filho."

Sobre virgindade

"Hoje ninguém é mais virgem antes de se casar. Me mostre uma virgem."

Sobre quilos extras na gravidez

"Algumas mulheres quando engravidam acham que podem se tornar um triturador de lixo. Eu tinha consciência do que comia, por isso só ganhei 13 quilos."

Sobre amamentação

"Deveria ter uma lei que obrigasse as mães amamentarem seus filhos até os seis meses."


Acima vocês podem ver as declarações públicas de Gisele que causarem tanta polêmica. Agora leitor, eu me pergunto: POR QUÊ?

Por quê a imprensa americana ficou tão chocada com tais declarações que, sinceramente para mim, não apresentam problema algum?

Vamos lá, sobre o filtro solar: todos sabem que o filtro solar é necessário por causa do câncer de pele, das manchas e do envelhecimento precoce...Mas alguém sabe dizer com certeza absoluta que a fórmula dos filtros não podem causar mal nenhum à pele? Quem pode afirmar?

A manchete americana eliminou a segunda frase de Gisele sobre o assunto, quando ela disse que "sim, os protetores são um veneno e por isso eu prefiro utilizar os orgânicos, mais naturais".

Continuando, a frase sobre o enteado. Qual o mal nisso? Achei que ela foi muito humana e simpática ao dizer que para ela o menino é como se fosse seu próprio filho! Acho que tá faltando um pouco de sentimento na nação americana...

Ok, prosseguindo, assunto hipocritamente tabu: virgindade. Aqui faço um pedido a Gisele: Gisele querida, também gostaria de conhecer alguma noiva virgem nos tempos atuais, se souber de alguma, me avise! Mais uma vez, qual é o problema com este comentário???

Tá bom, todo mundo sabe que tem jovens mais românticas que ainda se guardam para os maridos, principalmente na Arábia Saudita, mas que são minoria....ahhhhhhh se são!

Vamos lá, sobre os quilos extras da gravidez. Achei muito engraçada a comparação dela entre a grávida e a máquina de triturar lixo! Ela não estava ofendendo ninguém, isso seria ridículo uma vez que ela mesma estava grávida, ela apenas disse que deve-se contar as calorias ao invés de comer por dois, como aliás, muitas mulheres fazem.

Não dá para comer loucamente achando que o organismo eliminará sozinho os ingredientes extras (como uma máquina de triturar lixo).

E a última que, aqui entre nós, ficou um pouquinho radical, mas tente entender a mensagem que ela está passando. Ela apenas está defendendo a amamentação com um pouco mais de vigor, mas e daí?

Não seria maravilhoso se todas as mães entendessem sobre a importância da amamentação e alimentassem seus filhos de forma natural até, pelo menos, seis meses? É lógico que isso nunca vai virar lei, foi só força de expressão.

Olha aqui ô New York Post, vocês deveriam passar um ano no Brasil ou em qualquer outro país de origem latina para derreterem um pouco este gelo! As acusações contra Gisele só mostram o quanto vocês são frios, imaturos e insensíveis.

Cala a boca, New York Post!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A NATUREZA HUMANA NOS CONTOS DE FADA



Aproveitando meu atual interesse por tudo o que esteja relacionado aos contos de fada e à psicanálise, fui ontem ao cinema assistir ao belíssimo "Enrolados" (Tangled), da Disney. Não poderia ter feito uma escolha melhor!

A história de Rapunzel é recontada com humor, graça e muitas dicas fascinantes sobre as nuances perigosas da natureza humana. Esta leitura exaustiva que tenho feito dos contos de fada está abrindo minha cabeça para as verdades imutáveis escondidas ali. Se você ler uma dessas histórias com os olhos bem abertos irá aprender muito sobre você mesmo e sobre o mundo que o cerca. A maldade existe. Ela é sutil. Fique atento!

O que mais me impressionou na versão cinematográfica de Rapunzel foi seu relacionamento com a falsa mãe. Rapunzel é uma princesa e seus cabelos tem poderes mágicos. Por esta razão ela foi raptada, trancafiada numa torre e domesticada de maneira extremamente cruel.

Mas a crueldade de seu destino não é óbvia. Sua falsa mãe não a oprime por meios violentos, mas por uma distorcida manifestação de amor. Ela garante que ama a filha e por isso a "protege" da loucura do mundo. Esta mulher passa a ser sua carcereira e sua melhor amiga ao mesmo tempo. É assustador, perigoso e muito, muito cruel!

O pior tipo de maldade que existe é a velada. Sua falsa mãe a abraça, penteia seus cabelos com ternura, cozinha sua torta preferida, e por esta razão a menina não consegue enxergar a verdadeira motivação oculta nos atos da mãe.

Este tipo de relação destrutiva é mais comum do que podemos imaginar. Como podemos saber se os sorrisos que nos são dirigidos não estão carregados de inveja e rancor? Como podemos identificar um vilão por meio de palavras doces? Quantas pessoas ao seu redor são sinceramente honestas com você?

Rapunzel tinha sonhos. Ela desejava estar próxima às estrelas, embora estivesse presa numa torre alta perto do céu. Ela queria tocar a grama com seus próprios pés. Mas este pequeno prazer humano lhe foi negado por dezessete anos. Então um dia ela foge., mas não fica feliz. Pelo contrário! O que sente é uma mistura de emoções conflitantes: alegria pela liberdade e repulsa por si mesma por ter traído a "mãe". O que temos aqui é quase um paralelo da síndrome de Estocolmo! A paixão da vítima pelo próprio algoz!

As crianças obviamente não vão compreender as entrelinhas, mas o adulto vai. E deve ficar atento, pois aquilo é uma prévia do que vai encontrar pessoalmente quando deixar a sala escura do cinema. Lá fora nem todos desejam o seu bem, mas ninguém vai dizer isso na sua cara.

O relacionamento de Rapunzel com o mocinho/bandido também faz pensar. Flynn/José está preocupado com o desmantelamento de sua reputação de mau e, quando é perguntado por Rapunzel se ele se importa com isso, a resposta choca: - Sim, claro! Uma falsa reputação é tudo na vida! - diz o impostor antes de sua definitiva regeneração.

Ele também entra em conflito quando deixa cair sua máscara e revela seu nome real a Rapunzel. No fundo os dois protagonistas vivem uma grande ficção, o que os une e também os separa. Apenas quando ambos abrem mão da idealização de suas vidas podem experimentar um encontro real.

O filme também surpreende pelo desfecho. No final o louro cabelo de Rapunzel é cortado dando fim a todo encantamento. Imediatamente ela se torna morena e consciente. Quando sua longa cabeleira mágica é cortada, temos a impressão de que a personagem abre os olhos e sai de vez do estado de entorpecimento mental. É um renascimento arquetípico pelo qual todos passamos quando modificamos padrões internos.

Sugiro que leve seus filhos ao cinema e preste atenção na mensagem. É assustador, mas também de grande ajuda para o processo de autoconhecimento.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

NO ROOTS




"I got no roots they're not set in stone
I got no place that I call home
I'm just a low low lonely soul"
Amy MacDonald

E vai chegar o dia em que terei que fazer as malas,
pouca coisa,
quase nada,
duas sacolas vazias.

E vou partir assim sem mais nem menos,
sem notícias, sem bilhetes,
sem histórias pra contar.

E você vai se perguntar qual será meu endereço,
um telefone de contato,
uma última mensagem,
o número de um celular.

Mas já estarei fora do alcance,
outros lugares,
outros anseios,
e uma obra viva que me sucederá.

Tudo o que tenho é um acervo de palavras,
que nem é assim tão diferente,
nem tão ousado para calar.

E fui colecionando letras e verbos,
e meu acervo pessoal cabe em uma única estante.
Mas ela também vai ficar.

Não tenho raízes que me segurem a nada,
não sou nem daqui nem de lá.
E não adianta fazer drama,
reclamar,
me pedir pra ficar.

Pois meu destino está na estrada aérea,
e meu mundo gigante me acolherá.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O JULGAMENTO DE PÁRIS (AS CONSEQUÊNCIAS DA ESCOLHA)



De acordo com o mito grego, a Guerra de Tróia viria a ser causada por um simples evento, normalmente chamado "O Julgamento de Páris ".

Apesar de terem sido muitos os convidados para um banquete em que se celebrava o casamento de Peleu e Tétis , Éris , deusa da discórdia, não foi uma das divindades convidadas. Irritada, a deusa enviou ao evento um maçã de ouro, na qual se podia ler a inscrição "Para a mais bela".

Três deusas - Hera, Atena e Afrodite - responderam a esse desafio.
Zeus, incapaz de escolher uma vencedora, atribuiu tal honra a Páris , um mortal cujos dotes já estavam comprovados. Aparecendo a este herói, cada uma das deusas tentou atribuir um suborno a Páris : Hera dar-lhe-ia o trono da Ásia e Europa, Atena torná-lo-ia mais sábio e Afrodite dar-lhe-ia o amor da mais bela mulher, caso ele escolhesse cada uma delas para vencedora.

Talvez movido pela luxúria, Páris deu a maçã a Afrodite, o que gerou a Guerra de Tróia, pois a mulher mais bela que havia era uma mulher casada, Helena, esposa de Menelau.

Esta é uma versão famosa da mitologia grega, uma lenda tão antiga que mal dá para situá-la com exatidão no cenário histórico. Porém seu tema é assustadoramente atual. O que prova que o homem vem sofrendo há milhares de anos com os mesmos problemas.

Precisamos fazer escolhas a todo momento. Manter-se num emprego medíocre ou arriscar a vida e o bolso num projeto ousado? Insistir num casamento que não mais atende nossas demandas emocionais ou abrir-se para o novo iniciando uma nova história? Dar novas chances a quem já traiu nossa confiança ou afastar esta pessoa de vez de nosso círculo íntimo? Gastar todo dinheiro acumulado na viagem dos sonhos ou trocar de carro?

Os questionamentos são inúmeros e suas variações infinitas. O grande problema intrínseco à escolha é que quando decidimos por algo, infalivelmente, perdemos alguma outra coisa. Uma escolha sempre implica numa perda. Não há como fugir.

Escolher permanecer num casamento falido, implica na perda da liberdade pessoal. Escolher arriscar tudo por um novo amor, implica na perda da estrutura familiar. Escolher mudar de país, gera a perda de inúmeras facilidades. Mas escolher permanecer no país, implica na perda de uma fantástica oportunidade de crescimento.

O que mais nos assusta também é o que mais nos atrai. Somos feitos de paradoxos do início ao fim. Quando Páris opta por Afrodite ele não o faz com a razão. Na verdade, o fascínio em possuir algo extraordinariamente belo - como Helena (a Gisele Bundchen da antiguidade) -, suspende por um instante sua clareza de pensamento.

Na maioria das vezes são estes impulsos instintivos que nos empurram para certas escolhas. O tempo é absolutamente relativo no momento da tomada de decisão. Às vezes fazemos escolhas radicais em questões de minutos e acabamos pagando caro pelo nosso afobamento. Outras vezes levamos exatamente o mesmo tempo para tomarmos a decisão correta.

Não importa se a sua decisão está certa ou errada, se vai gerar satisfação ou tristeza, o importante é que devemos sempre fazer uma escolha.

Não sei porque a vida funciona desta forma, mas o que venho aprendendo é que sempre que optamos em mantermos uma condição dúbia, somos pegos de surpresa e a tragédia recai sobre nós com a força de um trovão.

Não dá para ter tudo. Páris podia ter escolhido a sabedoria de Atena e, por meio dela, poderia ter conquistado facilmente o amor de uma bela mulher. Poderia também ter optado pelo poder de Hera o que lhe daria condições de ter o mundo aos seus pés. Mas Páris era homem, e os homens não resistem ao charme de uma bela mulher.

A escolha pela oferta de Afrodite custou não apenas a sua vida como a de toda sua nação. Um erro de cálculo estúpido que gerou sua própria destruição. Mas era necessário que se fizesse uma escolha. Não dava para optar pelas três mulheres.

E também não sabemos qual seria a consequência das outras escolhas. Páris era um jovem imaturo e o poder poderia ser desastroso para ele. Atena queria lhe dar sabedoria, mas que homem pode ser verdadeiramente sábio aos vinte anos? Qualquer uma das escolhas poderia ser nefasta.

Ainda assim, era urgente que se tomasse partido. Na vida real não é diferente. Se meu leitor estiver neste momento necessitando fazer uma escolha, pois que ele ouça o seu coração.

Não dá para prever as consequências exatas geradas pela opção feita. Mas é melhor tomar uma decisão ruim, do que não tomar nenhuma. Porque todo erro pode ser consertado e todo fracasso pode ser superado.

Mas a fraqueza causada pela paralisação é muito prejudicial. Assumir com coragem uma posição, qualquer que seja ela, é dez vezes melhor do que não assumir nenhuma. Portanto, feche os olhos, prenda a respiração e mergulhe. Quando voltar à superfície veremos se estará no caminho certo.

E se não estiver, não tem problema, sempre há tempo para retornar e escolher de novo. E devemos escolher quantas vezes forem necessárias até encontrarmos a nossa verdade, aquilo que nos faz verdadeiramente felizes.