segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CHRIS RIDDELL E O UNIVERSO INFANTIL


Estou encantada com minha nova descoberta no universo literário. Desde que comecei a escrever literatura infanto-juvenil descobri uma infinidade de autores fantásticos que encontraram neste mundo colorido, a oportunidade de extravasar suas fantasias mais malucas e mais bonitas.

Primeiro tive a felicidade de conhecer a obra da autora alemã, Cornelia Funke . Já escrevi sobre ela aqui há algum tempo. Cornélia é autora do ótimo "Coração de Tinta" (Inkheart). Agora estou maravilhada com o autor e ilustrador britânico, Chris Riddell.

O primeiro trabalho que vi dele foi o divertido '"Otolina e a gata amarela", da Editora Galera Record. Infelizmente esta foi a única tradução para o português que encontrei de suas obras. Mas vale à pena! Riddell mistura quadrinhos, humor e uma trama de suspense que vai agradar a criançada. É bem infantil, mas ótimo!

Esta semana meu grande amigo, Gustavo Maioli, voltou de Londres e trouxe minhas encomendas literárias, como sempre... Sim leitores, minha encomenda desta vez foi Chris Riddell! Aliás, você que está lendo meu blog e está indo ou vindo do estrangeiro, por favor, traga mais Chris Riddell para mim!

Riddell também é um cartunista político que desenha charges para o jornal "The Observer", mas seu trabalho mais celebrado é mesmo para os baixinhos. Ele venceu o Nestlé Smarties Book Prize 7 vezes! E seu livro Something Else (na foto acima) que significa "Outra coisa" (tradução livre) foi o vencedor do prêmio da Unesco para produções literárias infantis e infanto-juvenis em 1997.

Portanto leitor, minha dica hoje é que aumente suas explorações literárias. Quando estiver meio cansado das ideias pessimistas de Nitsche ou quando não aguentar mais ler aquele manual empresarial, aposte em Riddell. Diversão garantida!


sábado, 29 de janeiro de 2011

VIRANDO MESAS



Levei quase um mês para entender que o ano virou e algumas mudanças simplesmente deveriam ser feitas. A gente faz promessa no dia 31, faz lista de objetivos, desejos, etc. Mas quando acordamos no dia primeiro, a única coisa que realmente muda é o funcionamento da padaria que, por sinal, não abre.

Aí você abre seu e-mail e vê que continua recebendo mensagens de pessoas que deveria eliminar de vez da sua vida, volta ao trabalho e se depara com as antigas limitações, tira um estrato bancário e se dá conta que aquela dívida de sempre continua lá...

Não sei como meu leitor tenta resolver este problema, eu sempre tento a leitura de livros motivacionais. Este ano fui mais fundo e comprei o curso inteiro de terapia pelo correio. Vocês já viram os post abaixo: Marie Louise Von Franz, Anthony Storr, Jung...

Estou lendo, nada mais nada menos, do que 8 livros ao mesmo tempo. Meu pai me mandou um texto falando dos absurdos do Big Brother Brasil 11 e tive que assumir que não ligava a televisão desde o início do ano. Sim, estou imersa em leitura. Sim, estou me auto-analisando. Sim, estou começando a enxergar mudanças profundas a caminho.

Esta iniciativa de auto-terapia deve-se ao preço da terapia convencional! Simplesmente agora não dá para pagar alguém para conversar comigo. Por este motivo tenho conversado comigo mesma. E estamos nos entendendo muito bem.

Para começar fiz uma lista daquilo tudo que já não serve na minha vida. E aí meu leitor, sai de baixo! Comecei a virar mesas! É impressionante a quantidade de lixo que guardamos dentro da gente. Umas ideias antiquadas, uns preconceitos obsoletos, umas meias-verdades, uns rancores bobos, umas ilusões sem sentido... Ando prestes a ligar para o disque-entulhos.

Quando nos damos conta já não sabemos quem somos. Tem tanta coisa que já não nos pertence. Tanta coisa antiga. Tanta coisa errada. Tem também aquela culpa intransigente que carregamos com a gente de um lado para o outro. Coisas que ocorreram no passado distante e, que se olharmos bem, nem foi assim tão culpa da gente.

Erramos porque não sabíamos fazer melhor, erramos por infantilidade ou desespero. O que importa é perdoar a si mesmo sobre o erro e se dar mais uma chance.

Mas há também umas coisas bacanas que ficaram lá no fundo de alguma gaveta interna e achamos na faxina. Lembra daquele sonho em voltar a fazer um curso de dança? Aquela foto vestida de odalisca (sim leitor, fui dançarina do ventre), aqueles textos começados e não terminados. Lendo agora parece que iria ficar muito bom. Aí encontramos a foto de um amor antigo e percebemos que a paixão ainda existe meio escondida. Encontramos a capa de um projeto antigo ou orçamento de uma viagem que ainda não deu para fazer.

Por fim, encontramos um lado bom de nós mesmos e redescobrimos quem somos.

Portanto meu leitor, sugiro a você também que crie coragem para virar algumas mesas! Se fizer de alma lavada, juro que não dói nada!! Bota pra fora tudo o que não já não te traduz: pessoas, trabalho, projetos, casa, cidade e país. Troque tudo e seja feliz!



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SOPHIA LOREN: MULHER TAMANHO FAMÍLIA




Sou fã nº 1 do cinema italiano. Os filmes made in Italy são mais românticos, sensíveis e humanos. De Vittorio de Sica a Giuseppe Tornatore - sem falar no brilhante Felline - todos são realmente ótimos e um alívio para quem está farto das chatíssimas e previsíveis produções americanas.

Não posso ver um lançamento novo que compro na hora. Não foi diferente quando vi um filme da Sophia Loren à venda nas Lojas Americanas: Ontem, Hoje e Amanhã.

Fiquei totalmente fascinada pela jovem Sophia Loren. Ela é linda, divertida e muito carismática. E o Marcello Mastroiani é simplesmente fantástico!

O que mais me encantou nesta produção de 1963 - vencedor do oscar de melhor filme estrangeiro - foi a beleza exuberante de Sophia Loren. Ela sim era uma mulher de verdade. Sophia é o oposto do nosso padrão atual de beleza. Estamos num momento chato da moda. Esta ditadura moderna da magreza e da saladinha no almoço (que por sinal eu detesto) me pareceu um crime contra a natureza feminina.

Sophia é uma mulher tamanho família! Fiquei chocada ao ver seus braços e seios gigantes, uma barriguinha saliente, uns pneuzinhos escapando da cintura e uma sensualidade do tamanho de uma montanha! Sophia é uma mulher grande. A típica mama italiana dentro de um corpo forte e saudável e sem nenhuma papa na língua!

Outra coisa que me surpreendeu na biografia de Sophia foi descobrir que a primeira dama do cinema italiano veio de uma favela. Isso mesmo leitor, favela! Sophia era muito pobre e precisou participar de vários concursos de beleza até que fosse descoberta pelos cineastas italianos.

Isso mostra que beleza e elegância independem de berço e status social. Todos podemos nos aprimorar se tivermos a correta percepção de como as coisas funcionam.

Para as minhas leitoras que estão sofrendo com a balança, que não se conformam com os dois quilos extras que insistem em permanecer no corpo e andam deprimidas e infelizes com o próprio tamanho, sugiro que assistam "Ontem, hoje e amanhã" como antidoto à sua ansiedade.

Todas nós deveríamos ser mais mulheres e menos bonecas. Viva a grande Sophia!


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MORTE AO HERÓI




Descobri a obra de Marie Louise von Franz por acaso. Estava buscando na internet respostas para meus desajustes internos. Infelizmente a terapia no Brasil é cara e não dá para tirar grande parte do orçamento mensalmente para colocar a neurose em dia.

Sou fã das teorias de Carl G. Jung há muitos anos e sabia que ele havia deixado muitos discípulos. Mas nunca havia ouvido falar de sua aprendiz mais devotada: Marie von Franz. Pesquisei sua obra na internet e comprei vários livros de sua autoria. Marie von Franz é especialista em contos de fadas. Mas seu interesse está longe da busca pelo príncipe encantado. Na verdade a autora e psicanalista alemã especializou-se em desmistificar a fantasia por trás dos mais famosos contos.

A principal discípula de Jung está me contando que heróis são modelos arquetípicos que não existem além de nossa fantasia subconsciente. A maioria dos problemas humanos resultam dessa falta de compreensão. Buscamos no outro o herói perdido, o homem de aço, a mulher maravilha, a pessoa perfeita que não comete erros, o super humano.

Esta fantasia inocente é a principal causa de nossa neurose. Marie von Franz dedicou sua vida a matar os seus heróis. Ou melhor, passou a vida a humanizar seus heróis. Todos os seus livros são dissecações dos mais populares contos de fadas.

Mas se não há mais heróis, o que colocaremos no lugar? Como poderemos admirar alguém que comete as mesmas falhas que nós mesmos cometemos?

O maior desafio de Jung e Marie é tentar fazer com que nos reconciliemos com nós mesmos e com nossa frágil condição humana.

Não sei o que meu leitor anda fazendo nas horas vagas. Em meu tempo livre tenho matado meus heróis.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

SOZINHO



Pela primeira vez tive acesso a uma obra que não vê a solidão como algo nocivo, mas como oportunidade para o desenvolvimento da criatividade.

Anthony Storr, um psiquiatra inglês do século XX, e autor do belíssimo livro "Solidão", traça um perfil dos homens criativos - escritores artistas - do ponto de vista de sua solidão. Todos eles possuíam em comum a dificuldade de socialização, a impossibilidade de manter um vínculo íntimo convencional e a necessidade de permanecerem sozinhos em contato com seu universo interior.

O grande paradoxo na vida destes artistas encontrava-se na dualidade entre o desejar a companhia alheia e a necessidade de estar só. Na grande maioria dos casos estes indivíduos encontraram dificuldades em estabelecer uma relação estreita com o meio, pois o contato com o senso comum os perturbavam.

Freud via na solidão um princípio de neurose ou psicose, uma incapacidade de adequamento. E considerava distúrbio a tendência ao isolamento. Storr discorda de Freud e afirma que sem a solidão, os grandes gênios não seriam capazes de concluirem suas obras.

Sou escritora. Sou sozinha. Sempre tive dificuldade de adequação. Nunca me senti à vontade em meio à lugares e pessoas barulhentas. Não gosto de festas na minha casa. Não gosto de ver invadido meu espaço físico e criativo.

A leitura da obra "Solidão" de Storr me perturbou um pouco. Eu nunca havia sentido tanta empatia por estes autores solitários. Storr não vê no recolhimento um problema, na verdade ele vê a capacidade de ficar sozinho como um sintoma de maturidade emocional.

A obra é complexa e leva o leitor a reviver fatos do seu passado para que haja uma profunda compreensão do seu presente. Geralmente a tendência ao isolamento já se manifesta na primeira infância. Perscrutei a minha, e vi-me só.

A arte é uma companheira ciumenta que exige momentos de exclusividade. Mas ela nos dá muito mais do que um amante. Porque ela não te abandona nunca. É impossível a um artista deixar de sê-lo. A arte é nada mais do que uma percepção subjetiva da realidade expressa com mais sentimentos e profundidade.

Beatrix Potter, escritora infantil e ilustradora inglesa, casou-se aos 47 anos de idade. Foi também aos 47 anos que parou de produzir. Enquanto viveu só estava em contato profundo com seu universo interno que manifestava-se através de sua arte. O casamento a tirou do isolamento, e a falta de solitude a impediu de criar.

Hemingway casou-se quatro vezes, mas apenas quando estava só foi capaz de produzir o nobel da literatura. Kafka, Anne Sexton, Michelangelo, Edgar Allan Poe... gênios da literatura. Mestres da arte de ficar sozinho.

Não há nada mais difícil do que a relação com o outro. Mas os psiquiatras, as histórias infantis, os filmes americanos, as novelas e os livros tentam nos impingir que a felicidade só é possível a dois.

Quem está começando a discordar deste discurso deve ler Anthony Storr. O processo criativo dos autores deve ser desenvolvido em silêncio. E isto está longe de ser algo ruim.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

SAUDADES DO QUE AINDA NÃO VI




Esta noite tive um sonho repetido. Sonhei novamente com o deserto. Eu sozinha naquela imensidão sufocante... mas não senti medo algum. O deserto me atrai desde menina. Gosto do sol quente, das ruas de areia, dos odores, das cores. Possuo uma alma beduína. Estou sempre a caminho.

Quando acordei senti um cheiro estranho no meu quarto. Um cheiro que vinha do passado, da minha imaginação. Um vento quente entrou pela janela e entorpeceu meu corpo. Então subitamente me vi transportada para outro lugar.

Estou com uma angústia no peito. Uma saudade imensa do que ainda não vi. Saudade dos lugares que jamais visitei. Vontade de abraçar pessoas que nunca conheci.

Não pude mais dormir. A vontade de fazer as malas suprimiu a vontade de dormir. Caminhei pela casa como se andasse pelo deserto quente. Olhei no espelho e vi a sombra da minha alma errante.

Não posso falhar este ano. Preciso partir.


domingo, 2 de janeiro de 2011

TUDO OU NADA EM 2011


O ano novo já chegou, 2010 ficou para trás com suas derrotas e suas conquistas e amanhã estaremos frente a frente com a primeira segunda-feira de 2011. Não sei se meu leitor já volta ao trabalho amanhã, eu volto.

Fui dormir tarde esta noite pensando em todos os projetos que tenho para este novo ano. A primeira coisa no topo da minha lista é a abundância financeira. Pela primeira vez na vida consegui juntar um dinheirinho em 2010, pois quero redobrar a meta em 2011. Sou budista, espiritualizada, li o segredo, o Dalai Lama e o Deepak Chopra, mas sem dinheiro no bolso não dá para manter o equilíbrio.

No início do ano passado li um livro que literalmente mudou a minha relação com o dinheiro. Anotem, por favor, "O HOMEM MAIS RICO DA BABILÔNIA" de George S. Clason.

Situado na cidade mais rica da antiguidade, a Babilônia, o autor explica o passo a passo para se iniciar a construção de uma fortuna. O livro é extraordinário! A primeira coisa que fiz neste 1° de janeiro de 2011 foi ler a obra inteirinha outra vez, para ficar bem afiada.

Outra meta importante para este ano é a publicação de minhas obras. Em 2010 concluí uma obra infanto juvenil que terá 3 volumes e este ano estou trabalhando num projeto para adultos.

As obras foram enviadas para vários países em agosto e setembro de 2010 e espero colher frutos maduros em 2011.

Depois de muito refletir, entendi que o mais importante agora é avaliarmos nossos desejos mais profundos e mantermos o foco permanente neles. Não adianta ter 15 metas, isso só vai desfocar sua energia.

Meu lema para 2011 continuará sendo o título do meu blog: Tudo ou nada! Estou preparada para vencer neste ano. E você?