terça-feira, 27 de dezembro de 2011

AOS ANIVERSARIANTES DO DIA



Eu simplesmente adoro o dia do meu aniversário. Acho uma bobagem esconder a idade, ficar deprimido e dar atenção aos sintomas de nostalgia. A data do aniversário é um marco importante, pois significa que sobrevivemos a mais um ano e triunfamos.


Sou uma apaixonada pela vida e uma otimista incorrigível. Não me lembro de ter acordado de mau humor nunca. Todas as manhãs levanto feliz, pois sei que tenho mais um dia pela frente e ele pode vir repleto de surpresas e novidades inesperadas. Pode parecer bobo e ingênuo, mas espero sempre pelo melhor.


Na minha casa é tradição: dia 27 de dezembro é o dia de receber os amigos. Gosto de celebrar a data próxima às pessoas que mais amo. Faço festa, abro vinho, canto parabéns, vou para a cozinha e comemoro mais um ano de vitórias com muita satisfação. Para mim celebrar é viver. Celebrar é ser agradecido aos muitos milagres que acontecem em nossa vida.


Dia do aniversário não é momento para se chatear com nada. Nem devemos ficar triste com as pessoas que esquecem a data ou que não se fazem presente. Dia do aniversário é motivo pra ser feliz por se estar vivo, e só isso já vale uma grande comemoração.


Desejo a todos os capricornianos do dia 27 de dezembro um feliz aniversário! Que nossos sonhos se realizem e que nossas forças estejam redobradas para o novo ano que entra!




PARABÉNS PARA NÓS! :)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

INSPIRE-SE NOS MELHORES E SUPERE A SI MESMO EM 2012






Estamos chegando ao fim de 2011. Neste período sempre paro para repensar meu percurso. Gosto de me olhar no espelho friamente e identificar sem medo quais as metas conquistadas e quais ficaram para trás.



De modo geral creio que 2011 foi um divisor de águas na minha vida. Alcancei algumas das principais metas que havia planejado. As que falharam serão novamente perseguidas em 2012. Mas é sobre o sucesso que vou falar aqui, e não sobre o fracasso.


Todo mundo que me acompanha sabe de cor e salteado que meus heróis são pessoas especiais, alguém que conseguiu destacar-se no meio da multidão homogênea, aceitou o peso de sua própria diferença e lutou com todas as forças pelos mais utópicos ideais. Neste mês de dezembro (mês especial para mim por ser a data do meu nascimento), dei a mim mesma de aniversário algumas horas passadas diante de duas mulheres que me influenciam muito: Maria Callas e J K Rowling. Duas mulheres incríveis que alcançaram o poder máximo dentro do universo da sua arte.



Maria Callas, La Divina, era uma mulher de personalidade indomável. As entrevistas dela chocam pelo excesso de sinceridade e absoluta ausência de medo. Estou lendo mais uma biografia sobre a vida dela e tenho assistido a todas as entrevistas que a diva deu no auge da fana. Com Callas aprendi que não faz mal ser sincera. Identifiquei em mim mesma alguns traços semelhantes em nossa personalidade, embora minha voz não chegue nem aos pés da dela. Nossa igualdade se apresenta no momento do discurso. Maria Callas às vezes perdoa, mas jamais esquece. Maria Callas crê que laço sanguinio não determina afinidade. Maria Callas acredita que a determinação máxima à sua arte não é vocação, mas disciplina conquistada com esforço. Maria Callas amou de forma profunda e catástrófica. Maria Callas jamais foi mãe. Maria Callas era única e extraordinária.


J K Rowling é uma personalidade que me fascina há bastante tempo. Como escritora é fácil entender porque. Mas ontem eu assisti a uma entrevista dela simplesmente fantástica na Oprah. A própria Oprah admitiu que esta foi sem dúvida a melhor entrevista que ela fez em toda a carreira. A trajetória de J K Rowling, por incrível que pareça, se assemelha a minha. Ou vice- versa. Rowling levou sete anos levando não das editoras que não conseguiram enxergar a poderosa extravangância de Harry Potter. Rowling foi para Portugal, onde se envolveu com a pessoa errada. Rowling tem pânico de direção e ainda hoje, mesmo possuindo motorista, ainda anda de ônibus. Rowling foi do divórcio para a miséria sem encontrar atalhos, mas sobreviveu e superou. Rowling nunca desistiu dos seus sonhos. Rowling escreve desde a adolescência e sempre desejou ser escritora. Rowling não perdeu a alma rebelde escondida sob os vestidos caros que usa hoje. Rowling venceu.



Estas duas mulheres ajudam-me a compreender e a aceitar melhor a mim mesma. Estas duas mulheres me dão forças para continuar. Estas duas mulheres estão muito bem representadas em suas biografias que adormecem na cabeceira da minha cama.



Sugiro ao leitor que passe estes últimos dias de 2011 ao lado de pessoas que o inspirem a melhorar e a evoluirem em seus trabalhos. Esteja atento aos conselhos de suas divas ou seus heróis. Aprenda com eles. Tanto faz se seu herói é o Pelé ou o imperador romano Adriano, como escolheu Yourcenar. Dê ouvido apenas às palavras de incentivo e observe apenas os modelos de sucesso.



Releia um livro que lhe causou forte impacto. Assista a um filme que lhe provocou desejos de mudanças. Ouça uma música que marcou positivamente algum momento da sua vida.


Entre em 2012 motivado a fazer mais por você mesmo e pelo seu trabalho. Assista aos dançarinos do Bolshoi. Inspire-se na arte da disciplina. Supere todas as suas próprias expectativas neste novo ano que já vem chegando.




FELIZ 2012!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

TUDO É POSSÍVEL, SÓ DEPENDE DE VOCÊ.



"Se você comete erros, é sinal de que está tentando coisas novas"

Einstein



"O universo gosta de velocidade, não hesite. Quando a oportunidade ou o impulso está lá, AJA."

Rhonda Byrne



"Os 3 passos da Lei da Atração: 1) Peça, 2) Acredite, 3) Receba."

Fundamento básico da lei da atração.




Muito se ouviu falar sobre a Lei da Atração e muito se questionou sobre sua veracidade e forma de aplicação. No início era uma febre. Todo mundo tentava colocar em prática e o discurso no meio das pessoas entendidas sobre o assunto era igual. Um incentivava o outro a testar mais coisas, a aumentar o pedido, a ir além.




Mas parece que aquilo foi um modismo que passou e as pessoas retornaram ao velho padrão de dúvidas, medo e hesitação. E isso é uma pena...




Existe um conceito básico, uma teoria básica sobre a vida que simplesmente não pode ser negada: o universo é mental. Podem dizer o que quiserem, mas não vão conseguir afetar este príncipio: PENSAMENTOS TORNAM-SE COISAS. Tudo o que até hoje foi concebido pelo homem é proveniente da sua mente. Primeiro pensamos e depois realizamos.


Não acredita? Façamos um teste: olhe ao seu redor. Escolha qualquer objeto que lhe chame a atenção. Pode ser uma caneta, uma cadeira, um sapato, uma mesa, o que for. Agora me responda, de onde veio este objeto? A resposta é uma só: o objeto que está olhando neste momento nasceu da mente de alguém. Ele foi idealizado a nível mental antes de vir à existência.



A vida que você leva hoje, com todos os prós e contras que há, é fruto do seu processo de criação mental. Preste atenção ao que está ocorrendo a você, porque tudo isso é fruto das escolhas que está fazendo. Quando ficamos arraigados a uma ideia, ela torna-se a força propulsora de nossas ações. Agimos de acordo com nossos conceitos. Mas muitas vezes, nossos conceitos estão obsoletos ou já não são adequados à nossa vida. Porém, o medo do novo deixa-nos estagnados.



Há milhões de possibilidades no universo, então por quê insistimos em fazer sempre as mesmas escolhas? Quando optamos por algo, excluímos todo o resto. E quando optamos diversas vezes pela mesma coisa, limitamos radicalmente nossas possibilidades.



Para quem é religioso pode compreender melhor as teorias da Lei da Atração no processo da oração. Quando oramos estamos botando toda nossa energia no desejo que estamos fazendo. Quando pedimos um milagre específico, estamos emitindo um desejo profundo ao universo. E como budista eu sei que não há oração sem resposta. O problema mora justamente aí. Os passos da lei da atração são os mesmos da lei da oração:



1) PEDIR: Devemos estabelecer em nossa mente as nossas prioridades. O que realmente desejamos para nossas vidas? Pinte uma tela mental. O que é a imagem da felicidade para você?


Assim que definir o seu pedido, siga adiante.




2) ACREDITAR: Neste ponto a lei da atração é idêntica à lei da oração porque trata-se da fé. Definido e feito o seu pedido, você deve acreditar que ele é possível. E aqui há um truque simples que deve ser colocado em prática: ACREDITE COMO SE JÁ EXISTISSE. AJA COMO SE JÁ TIVESSE RECEBIDO O QUE PEDIU. IMAGINE QUE AQUILO QUE PEDIU JÁ ESTÁ VINDO A SEU ENCONTRO.



3) RECEBER: Para mim este é o ponto decisivo no processo de criação. Após pedir e acreditar que vai conseguir realizar seu sonho, você tem que estar aberto a recebê-lo. Não adianta nada você desejar um carro novo, pedir e acreditar se quando a oportunidade aparecer, você optar por manter o carro velho. Se isso acontecer, você estará desperdiçando o maior poder da vida, o poder de transformar a sua realidade. Por isso que todos os estudiosos da lei da atração falam sobre o problema da hesitação. NÃO HESITE. Quando a oportunidade aparecer, e ela sempre aparece, AJA.



Estamos às portas de um novo ano o que é uma excelente oportunidade para fazermos um balanço profundo sobre as escolhas que estamos fazendo. Resgate estes ensinamentos que, por negligência ou comodismo, esqueceu na gaveta. Você quer mudanças para o próximo ano ou deseja continuar vivendo da mesma forma? Vai tentar algo diferente ou vai continuar estagnado em situações que são nocivas para você? Lembre-se: é uma escolha pessoal sua. Não há certo ou errado neste processo, há apenas aquilo que você determina que é bom ou não para você. A vida não faz julgamentos. O juíz da nossa vida somos nós mesmos.



Desejo aos meus leitores que consigam fazer as mudanças necessárias em suas vidas neste novo ano que entra. Tenham firmeza, sejam visionários, criem uma nova realidade agora mesmo para vocês. TUDO É POSSÍVEL, SÓ DEPENDE DE VOCÊ.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

SOBRA FELICIDADE...FALTA INSPIRAÇÃO




Conversa entre dois amigos escritores:

Tarcísio: Oi Tamara! Quanto tempo! Tudo bem?

Tamara: Olá! Nossa, faz tempo que não nos falamos! Como vai o blog?

Tarcísio: O blog está abandonado, faz tempo que não posto nada...

Tamara: Tô vendo aqui, não posta nada desde julho... O que houve?

Tarcísio: Eu postava quando era solteiro.

Tamara: O amor aniquilou sua inspiração?

Tarcísio: Acho que sim.

Tamara: Sei como é. O amor deixa o texto meio besta.

Tarcísio: Concordo. Eu escrevia muito mais quando estava angustiado.

Tamara: Pois é...



Sexta-feira à noite. Um monte de besteira na televisão. Todos os livros que estava lendo, já foram lidos. Encontro virtualmente meu amigo Tarcísio França, escritor que eu adoro e acompanho sempre. Conversa vai, conversa vem chegamos à seguinte conclusão: o artista tem que sofrer para escrever. É doído, mas é verdade.


Agora pensa bem, o que seria de Goethe, Kundera, Reich, Pessoa, Proust, Pasternak, Neruda, Joyce e Shopenhauer se eles fossem felizes? Que graça teria Ana Karenina se ela não se atirasse embaixo do trem no final? Que graça teria Werther se não tivesse se suicidado por amor? Que graça teria Oscar Wilde se não tivesse sido preso?


Se a gente olhar bem, todos os clássicos da literatura mundial que amamos trazem um final terrível para chocar o leitor. Acham que isso é técnica ficcional? Não é não. O final infeliz é reflexo da dor do autor.



Tarcísio está paralisado, está sofrendo um bloqueio artístico. Mas sobre o quê ele poderia escrever em meio a tanta felicidade? Vai escrever um livro inteiro para dizer como a vida é bela e o amor é lindo? Que livro mais chato seria! O problema é que o autor só pode escrever sobre as emoções que vive. Como diz Borges, se tudo der certo, o máximo que o autor vai conseguir é falar um pouco sobre si mesmo. E olhe lá...

Eu não gosto dos altos e baixos da minha vida e das minhas relações. Vivo angustiada tentando arrumar meu caos. Mas é justamente quando estou fervendo é que consigo produzir meus melhores textos e meus maiores livros. É lógico que é uma contradição. Mas veja lá, consegue imaginar Camile Claudel produzindo sem parar sem o ódio/amor que sentia por Rodin? Consegue imaginar a vida trágica e triunfal de Callas se não fosse Onassis? Consegue pensar no sucesso de Madonna se a nossa sociedade não fosse pudica e padronizada? Acha que Fernando Pessoa seria o maior poeta do mundo se fosse um homem contente?

Sem falar na Amy Winehouse, né? Back to Black é a maior obra prima de todos os tempos e fala sobre o que? Sobre a miséria de ser abandonada, traída e drogada. Agora imagine se o tal do Blake facilitasse as coisas e fizesse somente declarações de amor incondicional à Amy. Que tipo de disco ela teria produzido?


Não tem jeito. O artista tem que aprender a ver a beleza do seu caos e a importância que ele tem para sua arte. Apenas uma dona de casa sem grandes aspirações pode ser feliz à toa, sem grandes consequências. A felicidade sozinha constrói livros chatos, telas de arte medíocre e música pimba.


Acha que não? Então vai no youtube e escute a música "O Que Será" do Chico Buarque com atenção. Agora escreva lá: Bee Gees. Aqueles caras deviam ser mesmo muito felizes porque ô música chatinha aquela How Deep Is Your Love... Para mim, é a pior música de todos os tempos, mas vai lá...


Agora pega o Paulo Coelho. Lembram quando ele não era ninguém e foi fazer o caminho de Santiago? Pois bem, escreveu uma de suas melhores obras. Agora pegue o último livro dele, o tal do Aleph, e veja se consegue passar da página 30. Não vai conseguir, e sabe por que? Porque o cara devia estar feliz pra caramba quando escreveu!



Tarcísio, somos amigos e sei que eu deveria estar feliz pela sua felicidade, mas se ela for o preço que terá que pagar por sua arte...é melhor arrumar um sofrimentozinho por aí.


Você é genial. Não deixe a felicidade absoluta banalizar sua obra.


De vez em quando é necessário uma crise existencial, um pouco de raiva, insatisfação e poder de indignação pro motor da arte funcionar direito. Sei lá, arruma briga doméstica, discuta com um guarda de trânsito, xinga um político em pleno plenário, manda uma carta desaforada para a Dilma. Se vira, mas volte a escrever!


Para quem não conhece o talento do Tarcísio França, clique aqui:



E vão ver como ele é genial quando está meio infeliz.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SERÁ AMOR?

Amor sem sexo

É amizade

Sexo sem amor

É vontade...



Rita Lee





Paixão é desejo ardente, vontade de ligar, de comer, embriagar.

Paixão é festa, diversão, é uma montanha russa de altos e baixos.

Paixão é fogo que queima, madeira que parte, cama desfeita.

Paixão é irracional, animal, visceral.



Amor é construído.

Vem depois.

É filho do tempo.

Vem atrás.



Amor só é vivido devagar.

Ano a ano.

Sem pressa.

Com calma.



Amor é aquilo que fica quando a paixão se vai.

É saudade.

É querer mais.

domingo, 11 de dezembro de 2011

2012 - O ANO DO DRAGÃO


Para o dragão o passado não exerce nenhum fascínio, pois estão constantemente com os olhos presos no futuro. A inquietação de descobrir o que há mais além, amparada numa coragem e num temperamento aventureiro e forte, fazem deles desbravadores e pioneiros, jamais se intimidando com obstáculos ou empecilhos.




Em poucos dias estaremos iniciando um novo ano. 2012 será um ano especial, pois é regido pela figura mítica do Dragão. Na China o dragão representa o imperador ou o grande macho. Simboliza poder, riqueza, padrões elevados e perfeição. Em todas as construções do antigo império chinês pode ser apreciada a imagem do dragão, ela também aparece na roupa dos imperadores e em todas as festas e tradições orientais.



Quando o ano se encerra, é regra geral fazermos um balanço sobre nossas conquistas e derrotas no ano que estamos deixando. E começamos a produzir uma nova lista de objetivos a serem perseguidos e alcançados no próximo ano.



O primeiro dia do ano novo é sempre marcante e altamente simbólico, pois está imbuído de uma energia criadora, uma nova força propulsora que nos guiará em direção aos nossos objetivos, sejam eles simples ou ambiciosos.



Mas afinal, quais são nossos desejos de realização para 2012? O que queremos de verdade?



Cada ano que passa encerra com ele vários aspectos de nós mesmos e deixa registrado em sua "caixa preta" nossos avanços e retrocessos individuais. Para mim 2011 foi um ano extremamente marcante porque consegui realizar metas que pareciam realmente impossíveis. Mudei de país, de casa, de vida. Experimentei novos sabores, novas amizades e minha visão de mundo ficou mais abrangente. Escrevi uma obra nova e li dezenas de autores. Fui mais longe do que poderia imaginar.



É evidente que 2011 também teve seus baixos. Alguns aspectos da minha vida não se renovaram. Cometi alguns erros grandes e fiz julgamentos precipitados. Tive alguns desapontamentos e desilusões. Mas também isso foi importante para o meu amadurecimento. Todos os meus erros estão sendo devidamente anotados e catalogados para que não se repitam no ano que entra.



O mais importante agora é definir o que se quer. Mesmo. De verdade. Do fundo do coração. O que você realmente deseja manifestar na sua vida? Quer melhorar de profissão? Mudar de profissão, talvez? Quer viajar? Quer casar? Quer se separar? Trocar de carro? Engravidar? Montar um negócio? Prosperar? Transformar sua realidade? Manter o que conquistou?



Bote no papel. Faça um mapa da sua vida, anote suas conquistas e suas derrotas. Analise seu meio ambiente. Você vive a vida que sonhou para você? Está satisfeito ou deseja fazer algumas mudanças?



Há pessoas que se estabilizam numa situação ruim e permanecem assim por anos e anos. A vida vai sempre mudando, oferecendo novos milagres, acenando. Mas algumas pessoas não percebem os sinais. São fracas demais para acreditarem nelas mesmas e no potencial adormecido. Para alguns a chegada de um novo ano representa apenas mais do mesmo. Uma eterna rotina que parece nunca cessar.



Mas essa atitude é incompatível com a imponência do Dragão. Quem tiver coragem para ousar vai realizar mudanças profundas apoiadas pela energia de renovação do próximo ano.



Tudo aquilo que não nos serve mais deve ser deixado para trás. Comece a fazer já a limpeza em sua vida. Abra o seu armário, doe as roupas usadas. Telefone para as pessoas que sente saudade, faça uma nova conexão. Afaste-se definitivamente das pessoas que não te respeitam. Corte laços que trazem sofrimento e dor. Tire aquele projeto antigo da gaveta e busque realizá-lo. Tenha novas ideias, construa novos modelos para sua realidade.



Lembre-se que a vida é feita de escolhas. Apenas isso. A vida que nos acontece é a sucessão das escolhas que a gente faz.



Eu já estou fzendo uma verdaeira faxina na minha vida. Estou avaliando meu trabalho, meus amigos, meus amores, minha pesonalidade, meus erros e meus acertos. E haverá revolução. Só vai permanecer na minha vida aquilo que me faz realmente bem e me traz sensação de paz e felicidade. Aquilo que de alguma forma me causa dor, terá que sair.



Oficialmente o ano chinês do dragão inicia-se em 23 de janeiro, mas como somos ocidentais vamos recebê-lo já no dia primeiro, certo?



Façam as escolhas certas e sejam felizes!

sábado, 10 de dezembro de 2011

A JANELA



"Só se fantasia o que não se pode ter na realidade"




Não quero ser apenas uma fantasia no seu conturbado mundo imaginário.

Recuso-me a viver num lugar tão quente como a sua mente.

Quero espaço, quero vida, quero forma, quero tamanho.

Não quero ser uma gota perdida no seu oceano.




Estou novamente de partida.

Cansei desse mundo de sonho.

Não quero ser uma alma penada vagando no seu pesadelo.




E se eu aparecesse em carne e osso na hora do seu almoço?

Haveria um prato para mim?

E se eu enlouquecesse de repente e cruzasse o continente?

Haveria um carro à espera no seu aeroporto?

E se eu levasse os meus pertences e chegasse à luz do dia?

Você manteria as luzes acesas?




Sou de carne, sou inteira.

Tenho uma mente que pensa,

um corpo que sente.

Sou um cálice de água ardente

com uma vida inteira pela frente.




Não vou mais observar nada da janela.

Vou sair à noite,

visitar outros lugares,

respirar novos ares,

ouvir outros sons.




Quem sabe a próxima esquina me surpreenda?

Quem pode dizer o que virá depois?



Sente-se sozinho na ilha da fantasia.

Aguarde que outro milagre aconteça à você.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O CERTO E O DUVIDOSO



"As pessoas tem medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem".
Chico Buarque




Para: Michele Almeida

Hoje uma pessoa querida escreveu para mim e disse: "Fiz uma revolução total e troquei o certo pelo duvidoso".

Fiquei pensando na frase. O que é tão certo assim que faz do resto duvidoso?

Trocar o certo pelo duvidoso parece-me uma ação que vem direto do coração. Só trocamos o certo pelo duvidoso quando o coração canta mais alto. E se o certo era assim tão certo, por que foi abalado pelo suspeito duvidoso?


Há dois caminhos básicos na vida: o da coragem e o da covardia. Não adianta discutir. Ou a gente é corajoso e enfrenta nosso destino, ou a gente é covarde e vira marionete nas mãos dele.

Quando realizamos uma mudança realmente brusca é porque algo, lá no fundo, não estava bom. A mudança nunca chega do dia pra noite, a menos que seja causada por um terremoto ou um tsunami... Geralmente o germe da mudança começa a dar sinais leves que vão aumentando com o passar do tempo. Pode ser uma sensação de que algo falta, uma frustração ou um desejo que vai criando força.

Às vezes passamos anos lutando contra uma situação ruim, mas não temos coragem para virar a mesa e botar um ponto final nela. Mais uma vez somos covardes. Medrosos. Temos medo de perder algo que já não nos satisfaz. Temos medo do futuro. Temos medo do novo.


A covardia é o pior defeito que um homem pode ter. Está tudo ruim, mas ele fica ali parado, calado, esperando um milagre que não chega nunca.

Olha ao redor e mal entende o que aconteceu com a própria vida. Não está na casa que gostaria, não tem o casamento adequado, não tem a segurança financeira, não tem mais sonhos, não tem mais nada. Tudo o que lhe pertence é a rotina insossa do dia-a-dia. Aquele dormir e acordar que quase mata de tão igual.

E é engraçado porque não se pode culpar a vida. A vida, coitada, está ali acenando para nós com um sorriso novo. Todos os dias ela mostra um novo caminho, uma nova possibilidade. Mas somos medrosos, e regra geral, os medrosos são cegos.

Aí sentam na poltrona velha da sala e ficam pensando no "e se"...

E se não der certo? E se eu me ferir? E se eu fizer a escolha errada? E se não for bem isso? E se não for bem assim? E se ele me deixar? E se ela me deixar? E se eu ficar sem emprego? E se eu estiver me enganando? E se eu me arrepender?

Aí a vida suspira fundo diante do covarde e bate na porta ao lado. O vizinho , todo contente, já espera a revolução há anos. E quando ela chega, o vizinho destemido a encara. E quando encontramos o vizinho no elevador ele parece mais feliz. E nós? Nós somos os mesmos.

Somos os mesmos de sempre. Infelizes, frustrados, mal casados, mal pagos, mal amados, preguiçosos e medrosos. E a nossa vida fica lá, com a mesma cara que a gente tem.

Não dá para saber o que é certo e o que é duvidoso. Às vezes o certo é tão medíocre que não vale nada. E aquela situação duvidosa, aparentemente de alto risco, é o verdadeiro milagre que esperamos em nossa vida.

O patinho feio que é a situação duvidosa pode se transformar num lindo cisne capaz de alegrar e embelezar mais a nossa vida. O duvidoso pode ser mais certo do que aquilo que no momento tomamos por definitvo.

Mas essa é uma conversa para corajosos, os covardes não vão entender. Vão ler o blog e pensar: Mas e se....? Vão ligar a televisão e tomar mais uma cerveja para não pensar.

Só que o tempo corre para todo mundo. E a vida está aí sorrindo de graça, fazendo convites fantásticos para quem for um pouco mais ousado.


E tem mais minha querida, os semelhantes se atraem sempre. O corajoso logo perde a paciência com o covarde e acaba por encontrar um novo par numa dessas festas ousadas que a vida dá.

E quem ficou para trás...azar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

EXPOSIÇÃO MODIGLIANI EM VITÓRIA: ATÉ DIA 18 DE DEZEMBRO



EXPOSIÇÃO MODIGLIANI: IMAGENS DE UMA VIDA

Palácio Anchieta, Vitória, ES

Terças às sextas: das 09h às 17h

Sábados: das 10h às 17h - Domingo: das 10h às 16h




ENTRADA GRATUITA



Hoje tive o privilégio de visitar a Exposição do pintor Amadeo Modigliani no Palácio Anchieta. A exposição define o percurso artístico e cultural de Modigliani, desde a juventude na Toscana até sua vida adulta na capital europeia da arte do Século XX (Paris).



A mostra conta com diversos desenhos feitos em todo tipo de papel (inclusive pauta cifrada), telas originais, réplicas das esculturas feitas em bronze, documentos pertencentes à família do pintor e cadernetas pessoais de Amadeo.



Toda a visita é guiada por equipe treinada e o visitante fica conhecendo várias peculiaridades da vida do gênio italiano. No final da exposição, não deixe de assistir ao filme de 15 minutos sobre a sua vida e produção artística.



Vale dizer que as réplicas das esculturas foram autorizadas pela filha do pintor, Jeanne Modigliani, que hoje está com 93 anos. É considerado réplica até a oitava reprodução tirada direto do produto original. Após isso os detalhes perdem a força e passam a ser considerados meras cópias do original.



Prestem atenção à vivacidade das cores e a simplicidade dos traços de Modigliani. Contemporâneo à Picasso, Renoir e Monet; Modigliani nunca conheceu a fama. Morreu pobre após ter dedicado a vida e a saúde aos excessos da arte. O artista geralmente está um século à frente do seu tempo, e por isso, nem sempre é reconhecido no meio e tempo em que vivem. É necessário o desprendimento do olhar das futuras gerações para que a obra receba o d evido mérito.



As esculturas originais de Modigliani hoje valem 43 milhões de euros! É triste pensar que o autor desta fortuna incalculável morreu sem ter acesso a nenhum centavo proveniente de sua arte. Porém, o artista verdadeiro troca a vida pela imortalidade. O trabalho de Modigliani não pertence mais ao tempo, mas ao infinito.



Jeanne Hébuterne, sua esposa e musa, também era pintora e algumas de suas telas originais também podem ser apreciadas na exposição. Após a morte de Amadeo, Jeanne atira-se grávida de oito meses do sexto andar de um prédio tamanha é a dor de sua perda. Por esta razão, a exposição não fala apenas de arte e boemia, mas conta também uma história de amor.



Há também alguns pintores de natureza cubista e realista cujas telas originais vieram do Louvre para a exposição de Vitória.

Vale a pena conferir. Lembrem-se de que a arte e a cultura refinam o ser humano, abrem a cabeça, quebram preconceitos e transformam a visão daqueles que a apreciam.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MARGUERITE YOURCENAR






"Adriano sou eu."

Yourcenar



Além do fado, da gastronomia, dos castelos, do bom perfume e do clima perfeito, a Europa também me deu Yourcenar. Foi lá que entrei em contato com esta escritora belga extraordinária e com sua obra histórica monumental.

Marguerite Yourcenar foi a primeira mulher a ser aceita na Academia Francesa de Letras e sua obra, Memórias de Adriano, vendeu o assombroso número de 1 milhão de cópias à época do lançamento. Thomas Mann foi um dos célebres fãs deste livro e enviou para a escritora uma carta de congratulações pela beleza da obra.


Apesar de sua erudição e de seu estilo de escrita clássica, Marguerite não teve uma educação convencional. Ela nunca frequentou o Liceu ou a escola, mas foi educada em casa pelos tutores, o que era natural na sociedade de sua época.

Memórias de Adriano levou nada mais, nada menos do que trinta anos para ser concuída. E quando chegamos ao último parágrafo, temos a sensação de estarnos sendo expelidos para fora do túnel do tempo, tal a veracidade impressa na obra. Desde a primeira página do livro somos arremessados ao século II e vivemos com Adriano cada momento único de seu governo e as angústias de suas paixões.

Hesitei um pouco antes de escrever no blog sobre Yourcenar, pois a exatidão e encanto das palavras dela fazem qualquer tipo de texto parecer menor. Quem sou eu, afinal, para escrever sobre ela? Do que eu sei?

Primeiramente li a biografia de Yourcenar de edição portuguesa, editada pela ASA. A cada página virada uma sensação estranha ia se apoderando de mim. Yourcenar viveu o mito do herói. Ela não somente dedicou trinta anos da sua vida a compreender a essência do imperador romano, como tentou viver com a mesma grandeza de Adriano.

Adriano, mais do que um personagem histórico, era seu alter ego.

Escrito integralmente na primeira pessoa, como se pudéssemos escutar os pensamentos do próprio imperador, Memórias de Adriano dá um show de exuberância expressa. Cada palavra foi pensada com exatidão matemática e nada ali foi posto ao acaso. Yourcenar teve acesso à todos os documentos históricos referentes ao domínio de Adriano e reconstruiu ao mesmo tempo o homem e o mito.

A passagem mais bela do romance refere-se ao encontro de Adriano com seu jovem amante Antinoo. A força das palavras parecem pular do livro para mergulhar dentro de nosso coração. Apesar de imperador, herói e mito, Adriano poderia ser você ou eu. Acima de tudo, Adriano era um mortal, embora incomum.

Após o êxtase da leitura da obra-prima de Yourcenar, iniciei a leitura de outra obra igualmente fantástica da autora: A OBRA EM NEGRO. Romance alquímico ambientado no século XVI que nos leva a uma viagem ao mundo do obscurantismo da Idade Média e dos segredos comprendidos apenas por homens como Nicolau Flamel.

O personagem Zenon é fictício, mas a profundidade de sua expressão faz o leitor estremecer. Quem teme o pensamento filosófico mais denso deve se manter longe do livro. É perigoso demais, faz o homem pensar.



O bem e o mal simplesmente desaparecem na jornada de Zenon. O alquimista está se não acima, além disso. A busca pela liberdade absoluta magoa as pessoas. A liberdade total impede vínculos. O homem integrado em si mesmo despreza o outro. Seria isso um erro?

Todas as pessoas que cruzam o caminho de Zenon não permanecem por mais tempo que o necessário. Ele logo avisa de quem dele se aproxima: "Não pense em mim, pois certamente irei esquecê-lo".

O caminho de Zenon é sua obra em negro, OPUS NIGRUM, a magia da transmutação total. Ele sabe que nada é eterno. Conhece a lei mais dura da vida: todos vamos morrer. E este desapego absoluto por tudo o que o cerca faz dele um homem maior. O desprezo que sente pela aparência vã de todas as coisas o engradece. E a profundidade de seu pensamento transportado para os livros que escreve o torna "persona não quista" ao mundo que o cerca.

Zenon e Adriano nada tem de comum. Zenon e Adriano são igualmente belos em suas formas diferentes. O herói e sua antítese. A escritora e sua paixão pelos mitos.

A leitura da obra Yourcenar exige disciplina, esforço e atenção do leitor. Não são livros recomendados para toda gente. Indico apenas aos leitores apaixonados de verdade pela literatura, pela filosofia, pelo autoconhecimento e pela História universal. E leitor deve saber de antemão que estará incorrendo num texto de extrema erudição, onde as palavras e as ideias são transcritas e pensadas com precisão cirúrgica. Marguerite é uma autora clássica e seus textos também o são.

Portanto, cabe ao leitor avaliar o grau de comprometimento que terá com a leitura de Yourcenar. Mas posso garantir àqueles que tiverem ousadia para iniciarem esta jornada que serão recompensados pelo vislumbre de um mundo novo, nem sempre de acordo com os padrões vigentes, mas ainda assim extraordinário.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MEIA-NOITE EM PARIS



"Noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir."



Woody Allen é, para mim, um dos maiores artistas de nosso século. Juntamente com Pedro Almodóvar, este novaiorquino neurótico, polêmico e politicamente incorreto está no topo da minha lista de cineastas preferidos.


Allen faz do drama uma cena cômica. Ele faz o expectador rir de verdade das maiores desgraças que podem acontecer a um ser humano. Em seus filmes vemos homens e mulheres lidando com um número gigante de problemas, mas como há humor, tudo fica bem.


O amadurecimento do cineasta pode ser acompanhado a olho nu em seus últimos filmes: Match Point, Vicky Cristina Barcelona e Meia-noite em Paris.


Meia-noite em Paris é uma verdadeira obra de arte. Totalmente ambientado na cidade luz, o filme trata da importância de fazermos a escolha certa. O protagonista, um escritor frustrado que escreve filmes de sucesso medíocres em Hollywood e que está prestes a se casar com uma mulher bonita, mas completamente imbecil; embarca numa viagem fantástica onde se vê perdido nos anos 20 e em contato direto com seus maiores ídolos.


Este encontro surreal com Fitzgerald, Gertrud Stein, Picasso, Dalí, T. S. Elliot e Hemingway faz com que ele repense sua própria vida e o coloca novamente no caminho certo: o caminho para o cumprimento de sua verdadeira missão. Ele é despertado do pesadelo absurdo que é sua própria vida e começa a resgatar seus antigos ideiais e a ser movido pela sua verdadeira paixão.


Quantas vezes nos olhamos no espelho e desconfiamos de nosso poder? Quantas vezes olhamos para as pessoas à nossa volta (marido, esposa, amigos, patrão, etc.) e percebemos que aquelas pessoas simplesmente não representam nem um décimo daquilo que somos ou desejamos? Quantas vezes seguimos um caminho na vida completamente oposto àquilo que havíamos sonhado? E quantas vezes nos resignamos e continuamos melancólicos e entristecidos sem coragem para mudarmos o rumo da nossa embarcação?


Meia-noite em Paris nos coloca frente a frente com o dilema das nossas escolhas, sejam elas de ordem profissional ou amorosa.


No amor é a mesma coisa. Quantos homens com potencial extraordinário desperdiçam tudo por causa de uma parceira fútil que não o ajuda a chegar a lugar nenhum? E quantas mulheres anulam seu talento em nome de um casamento medíocre e uma falsa sensação de proteção?


Woody Allen é um gênio e seu filme é simplesmente genial. Vale a pena conferir e refletir.

sábado, 26 de novembro de 2011

PERTO DOS AMIGOS










"A amizade é , acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor."



Voltar para o Brasil não significa apenas retornar para o país de origem, mas retornar para perto dos amigos, das amizades conquistadas há anos. Sexta-feira à noite, Guaramare: noite perfeita rodeada dos melhores amigos, da melhor gastronomia e da melhor expressão de arte.


Já não via meu querido amigo, pintor, chef e escritor Vicente Bojovsky há quase um ano. Fiquei feliz ao vê-lo totalmente recuperado, bebendo seu vinho sem medo e cheio de inspiração para novos projetos. Obrigada pelo carinho, amizade e motivação que sempre me deu.


Ontem ao lado da Miriam e do Aloízio chegamos à conclusão de que Portugal oferece ao visitante a melhor gastronomia do mundo. Eles já percorreram o mundo inteiro e nunca comeram tão bem como em Portugal. Segundo o casal, a tão tradicional e badalada cozinha francesa fica no chinelo quando comparada a Portugal. Fiquei feliz por ter tido a oportunidade de provar muitos pratos portugueses maravilhosos e pude concordar com eles com conhecimento de causa!


A Cláudia estava no céu quando chegou a lagosta gigante preparada pelo Vicente! Como a nossa conversa nunca acaba, nossas noites também se prolongam... Por isso, depois da meia-noite caímos na balada capixaba e tivemos a sorte de encontrar minha querida amiga Maria Fernanda, cantora de primeira linha, orgulhosa por acabar de lançar sua banda em um delicioso cd.


Estão todos bem na minha terra e isso faz com que me sinta cada vez mais grata pela emigração que fiz há oito anos. Nestes anos fiz amigos fantásticos e me sinto totalmente em casa nesse paraíso escondido do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

DICA DE BLOG: LÚCIA VERÍSSIMO



Estou sempre garimpando novidades na internet e, vira e mexe, deparo-me com alguma jóia preciosa. Sou leitora assídua de alguns blogs, como o do cineasta espanhol Almodóvar ou o da atriz Maitê Proença. Mas há pouco descobri uma escritora talentosa na atriz Lúcia Veríssimo, e gostaria de partilhar a descoberta com meu leitor:




Desde que lancei meu blog em 2007 tenho tido apenas alegrias. Algumas pessoas torcem o nariz e acusam o blog de ser um diário a céu aberto absolutamente desnecessário. Chamam de auto-exposição, atividade narcisista e por aí vai.


Pois para quem pensa desse jeito eu nada a tenho a dizer. Sou democrática e acredito que todos tem direito à opinião própria.


Mas para aqueles leitores que acompanham meu trabalho e também para os outros escritores que se expõe na internet, o blog é apenas mais um material para reflexão. Sou escritora e leitora dos blogs mais variados e acho que lendo a gente entende melhor o mundo ao nosso redor.


Parabéns Lúcia Veríssimo pela franqueza e beleza dos seus textos! Acabou de ganhar mais uma leitora!

A RODA DA VIDA



"Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.

Ítaca já lhe deu uma bela viagem;

sem Ítaca, você jamais teria partido.

Ela já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.


Se, no final, você achar que Ítaca é pobre,

não pense que ela o enganou.

Porque você tornou-se um sábio, viveu uma vida intensa,

e este é o significado de Ítaca.


Konstantinos Kavafis (1863-1933)



Ainda não fez uma semana do meu regresso. Acabei de chegar. Mas desde que o avião deixou o solo de Lisboa em direção ao Rio, tudo mudou em mim.


Não sei se foi o movimento da decolagem ou o desconforto das horas da viagem. Não sei se foi alguma palavra solta dentro de um livro antigo ou o refrão de uma música nova. Não sei se foi o peso das nuvens lá em cima ou ou brilho do oceano lá abaixo. Não sei o que aconteceu comigo.


Hoje tenho a sensação de que estava dormindo durante alguns eventos da estrada. Fiz pactos medíocres, amei sem ser amada, amei talvez foi nada.


Os alquimistas sabem tudo sobre a roda da vida. Ela gira levando abaixo o que está hoje em cima, inverte a ordem dos fatos, abala o porvir e derruba planos. Não acredito que nossas vidas estejam 100% nas mãos de um destino involuntário, mas algumas coisas realmente estão além da nossa vontade. Porém, creio que 80% de tudo o que nos acontece provém das escolhas que a gente mesmo faz.


E há que se ter cuidado na hora de jogar os dados. Continuo acreditando de verdade que a oportunidade só bate uma vez na nossa porta, e se a gente não atender, ela toca na porta ao lado.


Por esta razão procuro estar atenta aos sinais da vida. Nada acontece por obra do mero acaso. E o maremoto de hoje podia ser evitado se estivéssemos atentos à maré alta de ontem.


Peguei um avião que estava indo para o desconhecido. Eu mesma comprei a passagem, escolhi os horários e embarquei na viagem. Não podia prever nada. Não podia saber que rumo meu destino tomaria. Mas nunca tive medo. Cheguei sem medo, parti sem medo. Se eu nao tivesse arriscado eu jamais saberia. E não pode haver nada mais desgastante do que lidar com o próprio fracasso e a nossa falta de coragem.


Mas é engraçado observar as mudanças que ocorrem em nosso coração depois de uma grande viagem. Já não penso da mesma forma que antes, já não tenho os mesmos conceitos, já não sou a mesma pessoa. Minha percepção se expandiu e posso ir e voltar no tempo.


Às vezes paro para pensar em algumas pessoas que conheci durante a jornada. Algumas serão sempre difíceis de decifrar. Homens e mulheres que aparecem em meus sonhos com a cabeça da Esfinge. Mas nem tudo foi um puzzle gigante. Algumas pessoas me ensinaram demais. Com algumas aprendi a ler palavras não escritas, com outras aprendi a escrever o que vi.


Amei seres que viviam na Ilha da Fantasia, e meu maior erro foi tentar amá-los fora de lá.


Hoje de volta à Ítaca entendo melhor a rota e a embarcação. O cronômetro foi totalmente zerado e olhando adiante há nada além que uma nova estrada. Sofri muito por nada. Tive momentos de profunda tristeza mas, olhando agora de perto, não fazem sentido nenhum. Mas também tive momentos de muita festa e descobertas incríveis. Tudo o que aconteceu comigo estava certo. Tudo foi importante no processo da caminhada. A roda da vida girou, girou, girou e vai continuar girando.


Às vezes sentimos que perdemos algo importante. Demos tanto amor, meu deus, não foi o bastante?

E esquecemos que só damos aos outros aquilo que temos. E se damos amor demais é porque temos o bastante. E ele vai se renovar, se expandir, se multiplicar. E vai voltar cintilante.


Algumas pessoas se acomodam no sofá da sala de estar e dali só saem para visitar a cama.


Mas eu não. Fiz as malas, viajei, mudei de cidade, mudei de país, transformei minha realidade, amei, escrevi uma obra, falei outras línguas, conheci sua história e me agigantei. E quero aproveitar ao máximo meu momento de imponência porque a roda da vida vai girar outra vez. E aquilo tudo que temos por certo vai deixar as nossas mãos. E vai voar.

domingo, 20 de novembro de 2011

UTOPIA E PAIXÃO



"Ser livre agora não garante, pois, que o sejamos amanhã. Ser livre é um processo contínuo de ir à luta para garantir as conquistas já feitas e ampliá-las. É isso mesmo o que parece ser a nossa liberdade: uma conquista, nunca um direito assegurado."

Roberto Freire


Toda vez que entro na casa da Cláudia, sinto que estou entrando na minha própia casa. Não a casa residencial onde como e durmo (embora também faça isso na casa dela), mas um templo sagrado da verdadeira amizade onde o vinho, o charuto, a boa mesa e a troca intensa de experiências vivida na vida e nos livros se entrelaçam e nos agiganta.


Toda vez que entro na casa da Cláudia encontro a mim mesma. Penso que somos o grande alter ego uma da outra e nos enxergamos melhor quano estamos juntas.


A experiência toda que vivi na Europa foi incrível, mas voltar para casa me parece agora mais incrível ainda.


Na Europa descobri que todos somos exatamente iguais. Nossas angústias, medos, expectativas, paixões, dor, desejo e sensibilidade. Somos todos parte desta raça humana gigante e esta coerência nos iguala. Mas na Europa também descobri o quanto eu sou brasileira. Sou brasileira não apenas por causa da nacionalidade, mas por causa das referências, da visão de mundo, do jeito, do sotaque e da liberdade.


Vi muita coisa legal na Europa, mas também vi muitas coisas que não compreendi. A coisa que mais me chocou na Europa foi a superficialidade das relações. Discordo quando escuto as pessoas dizerem que os europeus são frios. Isso não é verdade. Mas há sim algo diferente na forma em que eles se relacionam que fica um pouco difícil para um brasileiro compreender.


Nós, brasileiros, somos muito passionais. E sinceramente? Eu amo este traço da nossa personalidade! Prefiro viver tudo intensamente e lutar pelo "felizes para sempre" do que me submeter à situações medíocres e desprovidas de paixão.


Ontem, na casa da Cláudia, conversamos sobre tudo. E ao contar minhas experiências para ela, retomei meu lugar. Passei meses com a mala no chão experimentando uma aventura fantástica. Ontem, pela primeira vez em meses, coloquei tudo nas devidas gavetas e me senti mais inteira. Mas o fato de ter minhas roupas arrumadas em gavetas não eliminou a minha vontade de experimentar mais.


É engraçado. Fui para a Europa em busca de algo que somente encontrei aqui mesmo, justamente onde estava. Até os livros que procurei na Europa e não achei, encontrei aqui na esquina de casa. Estou lendo Memórias de Adriano em português do Brasil, viu Helena? :)


O legal desta aventura foi descobrir que posso viver em qualquer lugar porque sou uma cidadã do mundo, e não porque o Brasil não me satisfaz. Posso viver no mundo inteiro e nunca vou deixar de ser brasileira. E melhor ainda foi descobrir o quanto é bom retornar pra perto dos amigos.


Concordo com Roberto Freire quando ele diz que a liberdade é uma busca contínua. O fato de sermos livres hoje não significa que seremos livres amanhã. A liberdade é uma escolha pessoal e talvez seja a mais difícil de se fazer. Eu voei mais longe porque tinha a alma livre. E agora devo fazer a lição de casa diariamente para me manter assim. Devo escolher a liberdade. Porém, acredito que a liberdade possa ser partilhada, e este talvez seja meu ponto de discórdia com Freire.


Seja como for, agora que estou em casa preciso refletir melhor sobre tudo o que aconteceu comigo. É somente a partir disso que vou definir a minha próxima escolha. O que sei por agora é que algumas coisas que fizeram sentido para mim durante o período em que estive fora, hoje não fazem mais. Estou passando tudo por um processador multi-uso e em breve vou ter a certeza do que ainda me serve e do que não serve mais.


E é exatamante por isso que faço essas viagens, para conhecer melhor a mim mesma e as infinitas possibilidades que a vida me traz.

sábado, 19 de novembro de 2011

DE VOLTA AO BRASIL




Já me encontro em solo brasileiro. Minha temporada em terras lusitanas chegou ao fim, e estou feliz por estar em casa novamente. Somente agora sei o que é o sentimento patriótico, aquela sensação boa de pertencer a um lugar que carrega toda a nossa história de vida.

Portugal vai viver para sempre no meu coração. Não faço a menor ideia se regressarei um dia ou se nunca mais vou visitar aquela terra do fado agora tão distante de mim. Fiz amigos em Portugal, provei novos pratos, ouvi muitas histórias, vivi tudo de forma intensa. Quem sabe a roda da vida gire e me leve novamente pra lá? Não temos controle sobre o nosso destino.

O que posso dizer agora é que estou realmente muito feliz aqui no Brasil. É bom demais ter meus amigos por perto de novo. E é bom ouvir o sotaque nacional, comer o feijão separado do arroz e assistir às novelas das 6, das 7 e das 9.

Portugal transformou a minha relação com meu próprio país. Hoje sou uma brasileira orgulhosa da própria nacionalidade.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

SANTIAGO DE COMPOSTELA









Sou uma peregrina. Realizei uma jornada em busca de algo interessante, que só pude encontrar dentro de mim. Desde a adolescência sonho em visitar Santiago de Compostela. Li todos os livros sobre o assunto, acompanhei a caminhada de Paulo Coelho em seu Diário de um Mago, e sempre desejei fazer esta viagem. O santuário de Fátima emociona, mas confesso que nunca havia pensado em visitar o local. Mas Santiago de Compostela...é simplesmente mágico.


Achei que quando estivesse diante da catedral, meu coração pararia. Mas nada aconteceu. Caminhei pelo pátio da catedral, toquei a cabeça de Santiago em seu manto coberto de pedras preciosas, vi de perto o maior fumeiro do mundo, cruzei com peregrinos chegando exaustos após dias e dias de caminhada. E nada.


Dentro da catedral havia uma imagem de Santiago segurando uma caixa onde você pode escrever os desejos e pedir pela sua realização. Prontamente arrumei papel e caneta. E nada. Não consegui fazer um único pedido. Não tinha desejo algum naquele momento. Tudo o que consegui escrever foram palavras de agradecimento: obrigada, obrigada, obrigada.


Na verdade, o que ocorreu comigo diante da catedral se assemelha a um estado de choque. Tudo parecia tão surreal e improvável que não acreditei que eu estava mesmo ali. Acho que a ficha só vai cair de verdade quando eu chegar no Brasil.


É simplesmente extraordinário que uma viajante aventureira tão desprovida de juízo como eu tenha encerrado a sua jornada às portas de Santiago.


Ainda não caí direito em mim. Mas assim que minha mente voltar ao normal, escrevo outro texto e compartilho com você o êxtase da minha loucura.


Obrigada Valentim por mais este sonho realizado.

A MELHOR FRANCESINHA DE PORTUGAL






A gastronomia portuguesa é simplesmente excepcional. Durante todos estes meses que estou fora fora de casa não senti a mínima saudade da culinária brasileira. Vejam lá, não estou dizendo que nossos pratos não são bons, mas quando o assunto é excelência, Portugal leva a medalha de ouro.


Provei de tudo ao que tive direito aqui. Cozido à portuguesa, bacalhau de tudo quanto é jeito, vitela e carne de porco, a posta mirandesa do Veiga (única que vem com certificado de qualidade espetado no pedaço de carne que vem pro nosso prato), baba de camelo, castanhas, vinho branco, tinto, verde e ginja. Os portugueses definitivamente sabem o que é comer!

A Francesinha é um prato típico do Porto e é vendida em praticamente em todos os estabelecimentos da restauração portuguesa. Mas a melhor Francesinha que comi aqui não foi comprada em restaurante nenhum. A mais saborosa e deliciosa Francesinha de Portugal só pode mesmo ser encontrada na cozinha da minha querida amiga Helena Magalhães.



Helena é uma artista como eu. Escritora, poeta, boêmia e uma excelente chef! Foi com ela que aprendi a fazer não só a Francesinha, mas também outros vários pratos da gastronomia lusitana.



São destas coisas que mais sentirei falta no meu regresso ao Brasil. Conhecemos um país não somente pela história e arquitetura, mas pela boa comida servida diariamente nas residências.

Eu não sou muito lá fã de peixe, por este motivo, aqui na casa da Helena o peixe foi abolido em minha homenagem. Também por isso devo agradecê-los. Creio que nas próximas semanas não haverá carne na casa da Helena. Provavelmente o prato da semana será peixe ou sardinha, o prato preferido do Valentim. E eles devem estar felizes com a ideia!

Helena e Valentim, obrigada pelas refeições diárias, pelo acolhimento, pela amizade e pelo carinho sem limites que devotaram a mim. Vou sentir saudade de vocês.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O PASTOR



"Eu nunca guardei rebanhos, mas é se como os guardasse".

Fernando Pessoa




Guardo um rebanho de palavras soltas.

Carrego-as comigo na bagagem:

um cajado, um alforje, um manto sagrado.

E elas seguem a curva do meu pensamento

como se lá eu não estivesse.

E seguem sem amarras, sem pudores,

ao largo de mim.




Às vezes perco a linha do meu pensamento,

confundo-me, torturo-me, esqueço-me.

Mas se a memória não é matéria atômica,

então já não me importa.

E que elas passem,

e passem.




Não guardo mais do que duas lembranças:

o nascimento e o dia de ontem.

Hoje não estou aqui nem ali.

E quando não estou,

morro.




Há tempos sonhei com montanhas verdes.

Havia mulheres idosas trajadas de preto.

Havia silêncio.

Havia nada.






Mas quando acordei no meio do sonho

vi minha alma presa.

E já não podia sair dali,

e já não sabia dizer quem eu era.




Às vezes minha voz se cala.

Tento convencer num discurso inútil,

mas nada revela-se ao acaso.

E estou só.

Acordo só.

Durmo só.

E observo o tempo que parte sem mim.




Meu rebanho de palavras mudas desvia-se da estrada.

Empunho o cajado, chamo-o aos gritos, berro.

Mas elas voam dos livros que ainda não li,

e encontram sossego em solo alheio.




Caminhei a pé pela estrada verde.

Julguei encontrar algo mais que montanhas outrora vistas.

Mas nada mais vi do que aquilo que já era.

Tudo igual.

Ao redor, tudo igual.

domingo, 30 de outubro de 2011

REGRESSANDO












"Procuramos sempre o peso das responsabilidades, quando o que na verdade almejamos é a leveza da liberdade."

Milan Kundera


Estou chegando na etapa final desta jornada. Meu corpo ainda está em solo europeu, mas minha âncora pouco a pouco se desprende. O ano de 2011 será marcado pelo início de uma caminhada estrangeira. Vi muito e não vi nada. Há ainda muito para ver. Há muito mais para saber. Há um infinito de possibilidades.


Em pouco tempo minhas malas ficam prontas porque minha bagagem maior vai por dentro. Vou deixar um jogo de cama, um verniz vermelho, um ferro de passar e outras coisas que já não necessito. O sábio chinês sabe que após a travessia do rio, é melhor não carregar o barco com ele. Há que se ter fé na vida. E há que se viver com menos.


A grande herança que trago da Europa são os amigos que subirão comigo naquele avião. Aprendi muito com eles. E acho que talvez eles também aprenderam um pouquinho comigo.


São Salvador do Mundo (fotos acima) é um local sagrado. Dizem que os pedidos que são feitos ali, são atendidos. Peregrinei por inúmeras igrejas e santuários portugueses. Estive em Fátima. Estive frente a frente com São Bento, meu santo preferido, em Braga. Orei desajeitadamente em vários locais santos. E fui atendida. Todos os meus sonhos foram realizados de uma forma às vezes meio torta. Muitas vezes não consegui entender direito algumas adversidades. Tive obstáculos que hoje, parecem ínfimos diante da grandeza do meu milagre.


Ainda tenho direito a um curto período em terra portuguesa. E tudo o que mais desejo é usufruir ao máximo desta aventura maravilhosa que experimentei aqui.


Fiz amigos incríveis, conheci pessoas diferentes de mim, iguais a mim, próximas a mim e distantes de mim. Conheci mais da minha própria condição humana diante deste espelho gigante. Quando olhamos para os outros, vemos a nós mesmos. E mesmo com um continente inteiro de distância entre povos distintos, somos os mesmos.


Vou partir agora, mas vou retornar. Não sei se meu próximo destino será Portugal. Ainda quero conhecer a nação de Kundera, o universo de Dostoievsky, a casa de Neruda e o reino de Cleópatra. Andar pelo mundo é um caminho pessoal. E é justamente este que quero seguir.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O PROCESSO DE CRIAÇÃO




"Creio que quase sempre é necessário um golpe de loucura para se construir um destino"

Yourcenar


Estou vivendo na Europa há algum tempo e às vezes tenho crises silenciosas de pânico no que diz respeito à minha capacidade de escrever. Desde que cheguei aqui tenho lido muito. Mas mesmo muito. No Brasil as pessoas que conviviam comigo estavam sempre curiosas sobre meu intenso hábito de leitura. Eles não entendiam como eu podia ler cinco livros ao mesmo tempo sem embaralhar as histórias. Pois se meus amigos estivessem aqui, achariam que enlouqueci de vez.


É claro que estou sempre interessada na vida real, aquela vida que acontece fora dos livros, sabem? Estou sempre ouvindo as pessoas, observando os lugares e ouvindo opiniões a cerca de tudo. Afinal, a vida real é o combustível do meu trabalho.


A crise do "branco" geralmente ocorre quando desviamos o foco daquilo que verdadeiramente interessa. Pode ser a falta de grana, um amor mal resolvido, o medo do fracasso, o frio. Mas quando voltamos a nossa atenção à essência daquilo que somos, um milagre acontece.


Ontem finalizei uma nova obra. Para ser bem sincera eu nem sabia que ela estava lá, pronta, dentro de mim. Tomou-me como num assalto. Chegou de repente, com arma em punho e fez com que eu entregasse tudo. Meu livro nasceu de uma forma tão rápida e intensa que mal pude entender direito o processo da criação.


Este é o verdadeiro drama da vida do escritor. A gente tenta perseguir a inspiração, tenta saber de onde ela vem, tenta chegar à fonte desta água santa. Mas é sempre em vão.


É claro que o excesso de fortes experiências externas vão se acumulando e irrompem com violência à certa altura. É evidente que as dezenas de livros que leio ficam impregnados em mim. E é óbvio que nossos novos conceitos vão derrubando os velhos num Big Bang interno. Mas sinceramente, quando botamos no papel tudo aquilo que se acumulou, é sempre chocante.


Senti minha garganta apertar quando botei o ponto final na última página da minha história. Quando fechei o computador fui tomada por uma melancolia inexplicável. Sempre tenho esta sensação quando encerro uma obra. De repente as vozes cessam. De um momento ao outro, vejo-me sozinha, totalmente abandonada pelos personagens que eu mesma criei.


O problema da criação é que ela existe em outro nível. Temos a nítida impressão de que aquelas "pessoas" que vivem vidas extravagantes em nossos livros estão a parte de nós. Dá vontade de ligar para elas e convidá-las para um café no meio da tarde. Fico sempre aflita querendo conhecer o rumo de suas vidas. Mas não há números de telefones à nossa disposição. Não há ninguém além de nós mesmos e de nosso tumulto interior.


Quando um dos meus personagens se cala, é porque de alguma forma, já não tenho mais nada a dizer.


Mas esta manhã ocorreu algo estranho. Acordei novamente com o desejo de escrever. E vi a silhueta de novas "pessoas" flertando comigo. Pelo menos no meu caso, isso é um fato inédito. Geralmente levo meses a sentir isso. O mais comum é o silêncio.


Pois acho que estou inciando uma nova aventura pelas terras da literatura. Meu texto amadureceu, e penso que isso é o reflexo do meu próprio amadurecimento tanto como artista quanto como pessoa.


O que descobri com este novo livro concluído é que eu mudei. Já não sou quem eu era. Já não enxergo as coisas da mesma maneira. Houve uma alteração na essência da minha percepção. E devo isto à esta aventura maluca que estou vivendo tão longe de casa. Mas, principalmente, devo isso aos autores brilhantes que estou lendo. A literatura é universal e seus autores são imortais, pois eles continuam vivos nas páginas dos livros que escreveram e continuam a transformar a realidade dos que agora estão vivos.


A literatura é o grande amor da minha vida. Um amor fiel, apaixonado, e que sempre fez de mim uma pessoa feliz.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

TUDO O QUE EU TENHO TRAGO COMIGO




Gostaria de iniciar este post agradecendo a um grande amigo que virou meu leitor. Suas palavras me emocionaram. Obrigada, Gian.


A cada livro que leio dispo-me de objetos antigos. Coisas que já não fazem falta, uma blusa meio gasta, um par de sapatos, uma bolsa velha, um casaco de lã. A cada história nova preciso de mais espaço para acomodar lá dentro um caminhão cheio de mudanças.


A idade se aproxima e traz com ela a vontade de ser mais. Acordo todas as manhãs grata pelas minhas duas malas que, ainda acomodadas num canto do quarto, não pesam na aventura da minha viagem.


Minha alma peregrina deseja menos. Menos aparência, menos falsidade, menos futilidade, menos cansaço, menos perigo, menos problemas.


Minha alma peregrina deseja mais. Mais conteúdo, mais verdade, mais simplicidade, mais arte, mais vida ao ar livre, mais liberdade.


Tudo o que eu tenho trago comigo, pois tudo o que de fato me pertence está dentro de mim.


Os livros que eu leio, as lições que eu aprendo, o amor que eu sinto, o desejo que inflama, as palavras que escrevo, a obra que crio, a felicidade que sinto e a força que eu tenho. Nada disso poderá ser adquirido em shopping nenhum.


A liberdade é uma palavra traiçoeira. Somente uma pessoa forte pode enfrentar seu destino. Somente uma pessoa realmente livre pode cumrpir sua missão.


Olho ao redor, mas não é tudo o que vejo. Vejo ao redor, mas nem tudo compreendo. Olho nos olhos para interpretar melhor. Às vezes em vão, às vezes não.


Cruzei o continente e não vi nada diferente. Um detalhe pequenino ali, um acento, mero desacerto ortográfico.


Não sinto falta de nada porque trago tudo o que eu tenho comigo. E assim, de rua em rua sob o abrigo dos meus pertences, vou redefinindo aquilo que sou.

domingo, 9 de outubro de 2011

HAVIA A IRLANDA ENTRE NÓS




"Ireland sober is Ireland stiff."

James Joyce


Num romance o maior medo de uma mulher é que haja outra mulher. No meu caso em particular, meu maior medo não era uma outra mulher, mas um outro país: a Irlanda.


Era sempre a mesma ameaça: - Se as coisas não melhorarem entre nós, vou sozinho para a Irlanda! - Mas havia variações: - Estou farto disso tudo, vou pegar um avião no final do mês e passar trinta dias na Irlanda. - Ou ainda: - Cadê os meus cds de música irlandesa? Não suporto mais samba!


Era simplesmente impossível competir com a minha maior rival. A Irlanda ganhava sempre. Não sei se The Pogues é melhor que os Titãs, mas lá em casa, o primeiro nocauteava o segundo. Não sei se Oscar Wilde é melhor do que Machado de Assis (tenhos fortes suspeitas de que era, mas...), o que interessa é que lá em casa, ele estava no topo.


O whisky ainda era escocês, mas a música, a arte e a literatura...Ah! Eram da Irlanda.


Mas havia momentos de trégua e, de vez em quando, a Irlanda virava o meu maior prêmio: - Eu amo você tanto, mas tanto, que vou te levar comigo para conhecer a Irlanda! - Ou ainda: - Então você gosta de poesia? Pois vou te dar um livro de...Yeats! (O maior poeta irlandês)


A Irlanda com Dublin, The Pogues, música celta, seus autores e seus poetas dividiam o mesmo espaço conosco num apartamento que, apesar dos seus quatro quartos, ficou pequeno para todos nós. Eu amava e odiava a Irlanda. Não, na verdade eu amava a Irlanda. E morria de inveja dela porque se algo acontecesse, Mark iria sozinho para lá. E eu iria sentir falta dele, da música e da poesia.


Mas aqui em Portugal, por estranho que pareça, a Irlanda está mais próxima do que nunca da minha vida. Aqui reencontrei a Irlanda, e hoje quem gostaria de fugir sozinha para lá, sou eu.


Mark me mandou um e-mail dizendo que estava ouvindo Marisa Monte diariamente. Tive que confessar que o que ando ouvindo diariamente...vem da Irlanda. E o que ando lendo também. Estou totalmente apaixonada por James Joyce, Yeats e Oscar Wilde. E ando bebendo Baileys. E ando escrevendo também.


A força das palavras e da vida de Joyce tiveram um impacto tão grande em mim que me impulsionou para o início de um novo livro. Um livro no estilo irlandês.


E que venham The Pogues, U2, The Corrs, Cramberries, The Commitments, The Bachelors, e o que vier. E que a fada verde de Joyce continue a inspirar minha obra.


Thank you, scottish.

sábado, 8 de outubro de 2011

ALAN BENNETT: SIMPLESMENTE GENIAL



"Eu era apenas uma criança. Havia perdido os meus pais. Aos vinte anos já era careca. Sou homossexual. Pelas circunstâncias eu tinha tudo o que um artista poderia desejar. Era praticamente marcado. Eu estava programado para ser um romancista ou um dramaturgo."

Alan Bennett



Alan Bennet foi a maior surpresa literária que descobri aqui na Europa. Autor inglês, aclamado pela crítica internacional, estupendamente talentoso e até então, desconhecido para mim.


Sua obra "A Leitora Real" foi para cama comigo há dois dias e foi devorada em poucas horas. O livro afugentou totalmente o meu sono e só pude dormir quando cheguei à página final. Não estamos falando de uma obra extensa com 500 páginas, mas de um livro pequenino, editado com a metade do formato normal e rápido de ler. Mas isso não significa que seja uma leitura fácil.


A Leitora Real é simplesmente genial. Alan Bennett é tão brilhante e foi tão feliz ao escrever esta obra que fiquei pensando se deveria mesmo seguir a carreira literária. Seu texto me desafiou. Seu texto me refinou. Seu texto me fez querer melhorar muito como escritora. Seu texto me fez pensar.


Alan Bennett é tão ousado que colocou a Rainha da Inglaterra como personagem principal da sua trama. Uma rainha meio inútil, já velha, e que por meio da descoberta da literatura, passa por uma revolução interna transformadora.


Bennett fala da mediocridade humana. Bennett combate a estupidez com humor e graça. Bennett dá um show!


Quando descobre uma biblioteca itinerante nos fundos do Palácio de Buckingham, a rainha sente-se obrigada a ser cortês e pega um livro emprestado para apoiar o projeto da leitura. Mas este simples contato faz dela uma leitora voraz, insaciável. A rainha fica tão obcecada pelos autores e pelo alto nível de desafio intelectual que somente a literatura pode oferecer, que perde o interesse por tudo o mais.

O livro é sublime! Engraçado, divertido, inspirador. Bennett faz da literatura uma arma de guerra poderosa : os que não lêem tem medo dos que lêem.

Tiro o meu chapéu e recomendo com nota máxima!