quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O MESMO ESPAÇO INTERNO







Minha casa é um porão adormecido que me esquenta enquanto durmo.
O mesmo espaço interno, talvez um pouco além.
Uma parede vermelha, uma tela de Lautrec, um gato solto pela casa.
Toda minha cultura exposta na parede.
Um cinzeiro de vidro, um chinelo velho.
O computador em cima da mesa
Um jardim secreto.

Não moro na casa dos meus pais,
não divido o mesmo espaço com alguém,
não devo mais nada a ninguém.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O JARDIM SECRETO




Às vezes me pergunto se os erros que cometemos são mesmo parte do processo de crescimento ou se são apenas estupidez. Por que repetimos as mesmas palavras, o velho discurso tosco, os mesmos hábitos?

E agora que estou sozinha o que virá? Sinto medo quando observo o tamanho das asas que nasceram em mim. Não sei de onde vieram, não sei porque me deram.

E agora que pretendo ir, quando partir?

Alguém insiste em me dizer que nem sempre as coisas são assim. A quem devo perguntar? Quem poderá saber? O que fazer?

Acordei de madrugada e vi uma luz acesa no fundo de um túnel qualquer. Olhei para baixo e o vi perdido na imensidão. Um cavalo alado com asas azuis. Entre nuvens de derrota, uma demarcação. Alguém mais esteve ali. Um passado obscuro, uma cicatriz na cara, um corte na mão.

Nada a perder, retroceder.

Fui andando numa trilha escura e encontrei um jardim secreto. A menina estava perdida longe de casa há mais de dez anos. Uma vilã com cara de santa, um princípe do mal. Luz e escuridão em lugar nenhum. E eu ali sem saber para onde ir.

A cada capítulo uma experiência estranha. Não dava para fugir. Era impossível pronunciar meu próprio nome. Vi mais do que devia, a morte de um rei. Uma cidade abandonada à própria sorte, um castelo em ruínas.

Tudo nas minhas mãos, mas nada era meu. No ventre uma criança doente. Herdeira do mal. E ela está rodeando meu sono. E ela tenta falar comigo. Ela disse que vai dominar pela dor. E é isso mesmo que ela vai fazer. Com a pele pálida e os olhos negros. Filha de uma terra adormecida.

Mas minhas asas estão do tamanho do meu coração. E cedo ou tarde me farão voar.

O ALTO LUXO E A VIDA SELVAGEM





A nova campanha da Bvlgari estrelada pela belíssima Juliane Moore está me fazendo pensar. Sempre houve a existência de dois universos distintos: o universo dos homens livres amantes da vida selvagem e o universo das madames repleto de perfumes caros, joias e artigos de luxo.

Pela lógica, seria incompatível a uma madame que gosta de viver perfumada, dividir seu espaço com um animal selvagem com seus odores característicos e sua natural falta de modos. Então por que será que a maior marca de artigos mirabolantemente caros resolveu investir na união desses dois dois mundos tão paralelos?

Eles poderiam ter escolhido um gato ou um cão para posar ao lado de Juliane, e então nos sentíriamos mais confortáveis. - Ah! É só um cãozinho de madame que deve tomar banho duas vezes por semana e usar coleira de diamantes! - diríamos nós conformados com a extravagância.

Mas a Bvlgari não tinha a intenção de nos deixar confortáveis, então arranjou logo dois filhotes de leão e umas cacatuas e pediu para que Juliane os abraçasse!

Será que dá mesmo para viver no mais alto luxo em meio à natureza absolutamente selvagem? Não estaríamos tratando aqui de um paradoxo profundo?

A gente fica meio bobo ao lado dos animais. Pelo menos eu fico. E podem ter certeza de que eu entendi muito bem a pegadinha da Bvlgari! Desde que Chanel chegou aqui em casa (uma gata chamada Chanel prova que a dona também é madame, não?) minha vida mudou. Os animais são dóceis se você é dócil com eles. Eles te devolvem tudo na exata medida em que recebem.

Mas o fato de Chanel transitar pela minha casa como se fosse uma hóspede e deixar um cheiro peculiar de gato em todo o meu apartamento (é claro que limpo a casa todos os dias e dou banho de espuma em Chanel), não me impediu de continuar sendo a mesma madame que sempre fui. Continuo me valendo dos perfumes importados, dos saltos bem altos e da boa música (embora já tenha percebido que Chanel fica entendiada quando escuto música...).

Acho que a Bvlgari teve uma sacada de mestre! Colocou o mais alto luxo ao lado da mais simples e fantástica obra de arte que podemos conceber: a natureza. Dá sim para ser uma madame chiquérrima e abraçar um leãozinho sem perder a pose!

sábado, 4 de setembro de 2010

A BEAUTIFUL LIE



Lie awake in bed at night
And think about your life
Do you want to be different?
Try to let go of the truth
The battles of your youth
'Cause this is just a game
30 Seconds to Mars


Não me apresento como sou assim por inteiro,
fico no meio,
descanso e alcanço uma falsa paz.

Não se iluda, não se engane, não me chame pelo nome,
não me cobre,
não me acompanhe.

A liberdade intoxicou a vontade,
quero a rua,
quero a fama.

Já pensou na própria vida?
Já caiu em armadilhas?
Já partiu pra nunca mais?

Foi assim há um ano atrás quando a mentira fazia sentido,
uma linda mentira,
que já não engana mais.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NOVO AMOR



A esta altura todos já sabem que o ano de 2010 para mim resumiu-se em muito trabalho e pouca diversão. Não reclamo de nada, pois olhando para trás entendo que este está sendo um ano de construção.


Mas minha rotina costumava ser assim: acordo às seis da manhã, banho, café da manhã, trabalho. Retorno às nove da noite, morta, banho, toddy gelado e cama. E por aí vai.
Mas desde que minha gatinha chegou em casa esta rotina mudou. Ah, sim! Levei a bichinha no veterinário e descobri que trata-se de uma gatinha! Foi devidamente batizada de Chanel pela minha amiga Cláudia!

Chanel (foto acima) é a encarnação da pureza. Muito quietinha, linda, educada e me lembra todos os dias de que agora depende de mim. É lindo ver como ela me recebe quando chego em casa à noite depois de um dia exaustivo de trabalho. Está sempre pronta para brincar e ronrona no meu ouvido para mostrar que está feliz e confortável.

Essaa experiência me fez buscar orientação na internet onde encontrei centenas de artigos sobre as maravilhas de se ter um animal doméstico.

É duro acreditar que tanta gente faz maldade com estes bichinhos inofensivos. Se você encontrar um gato na rua, por favor, não maltrate! Eles são ingênuos demais e se aproximam da gente buscando afeto.

Chanel trouxe alegria para minha vida e aumentou minha vontade de retornar para casa no final do dia.