sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

OLHANDO NO ESPELHO EM 2011


A última postagem do ano tem que ser um banho de otimismo, né? Faltam algumas poucas horas para deixarmos 2010 para trás, mas ainda há tempo de fazer uma breve recaptulação dos acontecimentos passados.

Não sei como foi o ano para os meus leitores, mas estou certa de que se olharmos para nós mesmos com uma lupa de aumento, perceberemos que avançamos em diversas áreas. É claro que todos cometemos erros (graves ou banais), é claro que todos choramos e sorrimos em diversos momentos, ganhamos e perdemos, acertamos e erramos... mas isso tudo faz parte da vida, não? É assim mesmo que se vive!

Gostaria de dizer ao meu leitor que em 2011 ele estará livre de enganos, mas não posso mentir assim em público... 2011 terá de tudo! Erros e acertos, perdas e ganhos, mudanças difíceis e favoráveis, crises e prosperidade. Meu desejo sincero é que dentro deste turbilhão frenético que nos ocorre a cada ano, possamos sair mais fortalecidos e com a alma engrandecida!

Vamos nos olhar no espelho no primeiro dia do ano e perguntar para nós mesmos: qual é a minha meta principal para os próximos 12 meses? Se conseguir responder sem pestanejar é porque está com um desejo forte, e um desejo forte se realiza rápido quando mantemos o foco!

Portanto meus leitores, FELIZ 2011 com todos os erros e os acertos que este ano irá nos trazer!
Sejam felizes!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

POR QUE JÉSSICA RABBIT SE APAIXONOU POR UM COELHO?

By Tamara Ramos


Ok, estamos falando de um desenho animado, mas isso não ocorre todos os dias na vida real? Em "Uma cilada para Roger Rabbit" todos os expectadores ficaram extasiados ao conhecer Jéssica, a esposa ultra sexy e fiel do coelho maluco. Até hoje o vestido vermelho de Jéssica é um ícone, e muitas mulheres optam pelos cabelos vermelhos em sua homenagem.

Jéssica poderia ter todos os homens do mundo. Poderia escolher qualquer um em qualquer canto do universo, mas ela se apaixonou pelo Roger, e ninguém mais teve chances com ela.

Sim, estou usando o exemplo bobo de um cartoon para falar sobre amor verdadeiro. Os homens são diferentes das mulheres. Nem todos tem a capacidade de se entregar por inteiro. Geralmente gostam de manter as opções abertas. Tem medo de assumir um compromisso e perder a chance de galantear outras mulheres. De modo geral, os homens são imaturos e bobos quando se trata de amor.

Mas as mulheres são especiais. Quando elas se comprometem de verdade podem mergulhar num oceano escuro sem máscara de oxigênio. As mulheres possuem mais do que belas pernas e belos vestidos vermelhos, ela possuem um coração enorme.

E as mulheres não estão interessadas em conquistar todos os homens bonitos que lhe cruzam o caminho. Pelo contrário, as mulheres insistem em ver em seus parceiros o príncipe encantado mágico, e os valorizam demais por este motivo.

Jéssica Rabbit se apaixonou por um coelho e parece feliz. Sorte dela que ele ainda não tenha se transformado em outro animal engraçado...o sapo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

HEMINGWAY E GATO

Companheiros de silêncio e de escrita

Pela primeira vez publico neste blog um texto que não é de minha autoria. Mas fiquei tão encantada com esta matéria da Revista Século XX que decidi compartilhar com meu leitor. Parece que não é à toa que gatos e escritores se tornam parceiros. Espero que você também se encante com a leitura!

Tamara Ramos



Poetas e escritores de todas as épocas renderam-se ao fascínio dos gatos e com eles compartilharam suas obras e suas vidas


O grande Guimarães Rosa adorava conversar com seus dois gatos persas. Lygia Fagundes Telles declarou seu amor pelos gatos no livro A Disciplina do Amor. T.S.Eliot escreveu o clássico poema O Nome dos Gatos que inspirou o musical Cats, encenado anos a fio na Broadway, com lotação sempre esgotada. Pablo Neruda é o autor de Ode aos Gatos, uma das mais belas descrições da personalidade felina. Thomas Gray escreveu um poema imortalizando sua gata Selima. Victor Hugo tinha um diário no qual escrevia ternamente a seus gatos. A gata branca de Jorge Luiz Borges adorava dormir de barriga para cima – é assim que aparece em várias fotos ao lado do escritor. Edgar Allan Poe fez do gato o tema para alguns de seus melhores contos. Os gatos eram tema constante também para Baudelaire, que dedicou a eles três poemas no seu célebre As Flores do Mal.


Para Ernest Hemingway os gatos eram as únicas criaturas que mereciam ser mimadas incondicionalmente – tinha tanta paixão por eles, que chegou a ter 50 gatos, os quais deixou protegidos em testamento, ao morrer, em julho de 1961. O escritor determinou que seus gatos deveriam ser mantidos com todo o conforto por meio dos rendimentos oriundos de direitos autorais de sua obra. E assim foi feito. A casa em que morava em Key West, na Flórida, foi transformada em The Ernest Hemingway Home & Museum e tem como principal atração 57 bem cuidados gatos – todos descendentes dos primeiros bichanos do escritor.


Como esses, muitos outros escritores, poetas e pensadores de todos os gêneros renderam-se ao fascínio dos felinos e com eles compartilharam suas obras e suas vidas. A lista é notavelmente longa: Lord Byron, Anton Chekov, Collette, Alexander Puskin, Celine, Paul Gallico, Hermann Hesse, H.H. Munro, Thomas Hardy, Edward Lear, Lewis Carroll, Beatrix Potter, W.B. Yeats, Theóphile Gautier, Ray Bradbury, Colette, Honoré de Balzac, Raymond Chandler, Jean Cocteau, Marcel Mauss, Júlio Cortazar, Alberto Moravia, Rudyard Kipling e Charles Perrault (criador do Gato de Botas) adotaram gatos como seus companheiros de silêncio e de escrita e adoravam ou adoram falar deles, escrever sobre eles, transformá-los em personagens de suas histórias.

Também é o gato, com seus mistérios e sua ligação com o encantamento, o animal favorito de muitos autores de ficção científica e terror, como H.G.Wells, Stephen King e Patricia Highsmith. A lista continua com Mark Twain que, da infância compartilhada com 19 gatos, até a velhice, nunca deixou de viver na companhia de pelo menos dois gatos. "Não se imagina uma casa de Mark Twain onde os gatos não reinem supremos", diz um de seus biógrafos. Em sua fazenda em Connecticut viviam 11 gatos. Entre os intelectuais brasileiros os “gateiros” também são muitos: Clarice Lispector, Ana Miranda, Jorge Amado, Ruy Castro, Mario Quintana, Mauro Rasi, só para citar alguns.

Mas o que pode haver de tão intrínseco entre essas duas espécies – gatos e escritores – que as une tanto? “Eles foram feitos para se entender”, afirma a psiquiatra Nise da Silveira no livro Gato, a emoção de lidar. Conhecida por ter transformado seus muitos gatos em co-terapeutas no tratamento de doentes mentais, a doutora Nise nunca teve dúvida de que os gatos são os companheiros ideais para o ser humano. “O gato é remédio para a solidão – a doença mais devastadora de nossos dias”, afirmava. Mas seriam os escritores seres solitários? Talvez solitário seja o ato de escrever e, para isso, não há companhia melhor do que a silenciosa, delicada e elegante presença felina. Talvez seja mais correto pensar que escritores têm a alma livre, capaz de se deixar levar pelo sonho e viver outras vidas por meio de seus personagens. Seria a liberdade característica essencialmente felina – um desafio para a imaginação de escritores?

Ou será que são os gatos que procuram os escritores? Há gatos que adoram livros e vivem em bibliotecas, como o gato Dewey, um filhote de pelo dourado abandonado que foi adotado por uma bibliotecária da cidade de Spencer, nos Estados Unidos e se transformou em mascote de toda a população. Ele tinha o hábito de escolher o colo de um visitante da biblioteca para dormir todas as tardes. Com um apurado sexto sentido – que todo apaixonado por gato sabe ser natural nos felinos – Dewey escolhia sempre a pessoa mais carente para mimar com seus afagos. Sua história correu os Estados Unidos e se transformou no livro Dewey – Um gato entre livros, escrito em parceria por Vicki Myron (a bibliotecária) e o escritor Bret Witter.


Será que os gatos, de maneira geral, não se compadecem ao ver aquela criatura diante do teclado, em companhia apenas de seus pensamentos e letras e, intuitivamente, decidem lhe dar carinho e atenção? Será que os gatos, que odeiam a subserviência, não perceberiam nos escritores um espírito mais aberto, despojado da pretensão humana de se dominar a tudo e a todos? Ou será que os gatos simplesmente apreciam essa companhia pensativa e silenciosa, o som do teclado, o cheiro dos livros? Quem sabe? O fato é que muitas considerações filosóficas já foram tecidas sobre a atração mútua entre gatos e escritores, mas não há conclusões a respeito. Talvez este seja apenas mais um mistério felino entre tantos que vêm desafiando a imaginação humana desde o princípio dos tempos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

VIDA DE ESCRITORA


Às vezes sinto uma pontinha de inveja das pessoas que levam uma vida comum. Deve ser muito mais fácil manter a concentração em apenas uma ou duas coisas. Mas minha natureza é rebelde e minha mente vive vagando por aí.

Se eu não estiver fazendo dez coisas ao mesmo tempo, posso me entediar. Mesmo quando estou em casa descansando há sempre um bom livro à mão, um bom filme no dvd ou uma boa história para contar.

Eu sempre enrolo um pouco antes de começar uma nova obra. Fico adiando, deixando pra depois. Dá uma preguiça danada de abrir o computador e parar exclusivamente para pensar. Mas quando elimino a letargia cerebral, parece que uma nova vida brota de dentro de mim.

Aí começo a escrever e fico tomada pela aquela coisa que chamamos de processo de criação. Começo com uma frase que me parece certa, uma ideia abstrata que passa a fazer sentido, uma inspiração. E então só posso parar quando a obra estiver completa, pronta para encaminhar a minha agente.

Estou no meio da produção de um livro novo. Mas não levo uma vida de escritora celebridade que só precisa fazer isso durante o dia. Na verdade, trabalho o dia inteiro fora de casa e só tenho os finais de semana para me deleitar com as delícias do universo literário.

É duro, mas é gratificante.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

HOMEM É TUDO PALHAÇO


Comecei a escrever um livro novo esta semana e tenho pesquisado (intensamente) as diferenças entre os homens e as mulheres. Por que o relacionamento entre os sexos opostos é tão difícil? Por que não conseguimos nos entender mesmo falando um idioma comum? Por que as mulheres estão sempre insatisfeitas com seus homens?

Segundo a Nara Franco é muito simples: porque homem é tudo palhaço! rsrs

Encontrei 2 sites geniais na internet durante o processo de pesquisa e gostaria de compartilhar com meu leitor.

O primeiro é um guia para identificar o ilustre cafajeste. Manual do Cafajeste www.manualdocafajeste.com.br

E o segundo é uma bomba atirada no meio do site acima: Homem é tudo palhaço www.tudopalhaco.blogspot.com

Não faço ideia da origem de tanto desajuste. A única coisa que tenho certeza absoluta é que homens e mulheres vieram de planetas distintos e, por ironia do acaso sarcástico, acabaram habitando, totalmente sem querer, o mesmo espaço. A língua parece a mesma, mas há códigos indecifráveis entre as duas espécies.

Quando leio o ótimo "Homem é tudo palhaço", fico completamente tentada a concordar com tudo imediatamente. Mas aí eu abro o Manual do Cafajeste e penso: pô, mas o cara tem razão nisso, e naquilo, e naquilo outro...

É um paradoxo profundo, um saco sem fundo, blá blá blá...whiskas sachê...blá blá blá....

Aí fui no sex shop e comprei logo de uma vez 6 filmes pornôs. Fui pra casa tardão, aquela chuva ridícula lá fora, a gata miando querendo atenção e eu doida pra ver a baixaria. Pensei: ah, agora eu vou ver do que os homens realmente gostam e vou entender tudo!

Mas aí caí na besteira (ou dei a sorte?) de comprar o filme do Mateus Carrieri chamado "O rei das mulheres" (eu sei, é cafona pra cara*&$$##), mas acabei achando o filme bom...

.......

Liguei pra minha amiga (que foi comigo no sex shop e comprou 3 - sim, vamos trocar depois que acabar de ver) e contei pra ela que o filme era ótimo. Um dia antes eu tinha assistido o Sex and The City 1, pela segunda vez, e já vi que meu cérebro tava dando problemas de conexão. E aí, hein? Aquele Mr.Big estava certo ou errado ao deixar Carrie no altar?

Olha só, quando uma mulher começa a achar que o cafajeste do Mr. Big pode ter alguma razão isso significa que ela não está bem.

Depois de 6 filmes pornôs, 2 visitas ao sex shop e um surto de simpatia pelo Mr. Big., minha vida mudou. Aquele Mateus Carrieri mandou bem em largar a Globo e abraçar a pornografia, viu? O cara é mesmo bom.

Ah! E tem mais! Sabem o que eu descobri? Os filmes brasileiros são infinitamente melhores do que os americanos! No filme americano o ator trata todas as atrizes como se fossem meras putas...(sim, são, mas é daí?). E no pornô nacional o Mateus pegou umas 20 mulheres e tratou-as TODAS (todas inclua-se Rita Cadillac...eca!) como se fossem o grande amor de sua vida. Um amor, opa!, ator!

Então é isso, não tenho a menor ideia de como fazer um relacionamento funcionar, mas agora sei que tem muita coisa que a gente não sabe e tá na hora de aprender. E que venham os desafios!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SEM CRIANÇAS



Gostaria de iniciar este post pedindo desculpas a todas as minhas amigas que são mães. Perdoem-me. Eu sinceramente amo vocês e suas doces crianças, mas não trocaria meu lugar com vocês. Por nada neste mundo, aliás.

Ok, os mais chegados sabem que ando num momento de crise quase histérica. Não quero mais morar no Brasil, não penso em virar mãe de família e não, não quero ter filhos. Decididamente não quero ter crianças choramingando a minha volta e acabando com minha mais absoluta paz.

Com a chegada dos 30 comecei a pensar seriamente sobre o rumo tradicional da vida de uma mulher da minha idade. Todas as minhas amigas de 30 anos já definiram o porvir de suas vidas. Estão todas com uma aliança dourada no dedo, uma ou duas crianças penduradas nos seus pescoços, obrigações domésticas das mais diversas (lavar, passar, cozinhar, administrar empregados, supermercados, férias em família, etc) e todas, praticamente todas, ostentam uma cara de mãe que em nada me agrada.

Com exceção da Cláudia, minha heroína, o resto tá desse jeito mesmo descrito acima.

Não sei o que há de errado comigo (há mesmo algo errado comigo Freud?), mas não consigo me enquadrar no formato padrão. Não consigo, fazer o que?

Pai, mais uma vez vai um recadinho para você: se depender exclusivamente de mim, não será avô. Sorry. Vai torcendo para que o Tarso (meu irmão) te ajude nisso.

Há anos venho esperando a vontade da maternidade bater na porta lá de casa. Mas acho que ela perdeu o endereço, porque nunca deixou nem um bilhete.

Sempre achei que cedo ou tarde eu iria acordar com uma vontade extrema de constituir família, casar e...ter filhos. Mas gente, eu sei o que é desejo. Eu sei como me sinto quando realmente desejo alguma coisa e esta vontade louca nunca se manifestou quando o assunto é crianças.

É claro que no início eu me sentia meio um peixe fora d'água. Mas o tal dos 30 anos é mesmo libertador para a mulher. A gente acaba se aceitando melhor, conhecendo profundamente nossos defeitos de fábrica e nossas qualidades maravilhosas. A auto-estima aumenta mesmo e a gente consegue enxergar melhor o rumo que gostaríamos de seguir em nossas vidas.

E acreditem meus amigos e leitores, na estrada do rumo da minha vida não há crianças manhosas destruindo minhas adoráveis noites de sono (e de sonhos) profundo.

Será que sou uma pessoa ruim? Egoísta talvez? Muito, mas muito egoísta? Qual será a motivação que me impulsiona para uma vida 100% adulta?

Entendam, eu adoro os filhos dos outros. Até amo de fato alguns (Duda, Raíssa, Emmanuel, etc.), mas amo mais ainda o fato deles morarem em casas distantes da minha. Adoro quando os vejo uma vez por ano e consigo rir sinceramente das suas gracinhas.

Mas todo dia...não dá.

Talvez porque eu seja uma escritora e precise mesmo de uma certa solidão. Sei lá. Talvez porque eu tenha sido uma criança que não gostava de crianças. Na verdade, eu tinha verdadeiro horror a elas. Gostava mesmo era de ficar perto dos jovens, mais velhos e mais descolados do que eu.

Uma amiga me disse essa semana que me achava muito corajosa ao admitir que não queria ser mãe. Não sei se é coragem ou desespero... Sempre que dá eu falo bem alto: NÃO QUERO SER MÃE! Coisa chata isso.

Eu gosto das mulheres vamps, as femme fatales, as viúvas negras, e toda a sorte de mulheres que levam uma vida intelectualizada e divertida. Sim contabilizamos amantes, amigos, livros, filmes, obras de arte e tudo o que há de mais belo na vida. Já imaginou uma criança por perto? Já era o tal charme...

Brigitte Bardot, a mulher mais sexy do mundo, nunca quis ter filhos. Françoise Gilot, a vítima de Picasso, teve meio que obrigada. Jaqueline Bisset, na minha opinião a mulher mais interessante do mundo, nunca quis ter maridos e filhos. E todas estão aí, vivas e poderosíssimas.

Se servir de consolo para os mais convencionais, eu tenho uma gata. Chanel. Amo de paixão e cuido dela como se fosse minha filha. E quer saber o que eu acho? Mãe de gato também é mãe!


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

INESPERADAMENTE




Estava lendo um texto na internet hoje de manhã quando uma frase me saltou aos olhos: "as melhores coisas são aquelas que nos ocorrem inesperadamente".

Essa frase não é 100% correta. Mês passado fui "inesperadamente" assaltada e estou até agora sofrendo tendo que tirar novos documentos, etc. Fora o susto que me tirou o sono por duas noites.

Mas quando se trata de amor, aí sim, os melhores romances ocorrem mesmo de forma inesperada. Já notou que quando você se prepara muito para alguma coisa algo sempre sai do controle? Quantas noites já saiu de casa na expectativa de encontrar o tal príncipe encantado (lamento, mas não vai encontrar nunca...) ou alguma situação que transforme profundamente a sua vida? E quantas vezes já retornou para casa frustrada e ainda teve que lavar o rosto para tirar a maquiagem morrendo de preguiça?

Já passei por isso tantas vezes que perdi as contas.

Ando com ímpeto de mudar de vida. Está tudo bem comigo no momento. Cheguei aos trinta anos com um diploma em Direito, um trabalho que me permite pagar as contas, tenho meu próprio apartamento e me sustento sem grandes luxos. Mas à noite, quando retorno para casa depois de um dia longo de trabalho me pergunto: será mesmo que é só isso?

Minha mente parece que está desconectada do meu corpo. Ela vive voando como se meus pés não pudessem contê-la. Meu corpo transita pelos corredores da empresa, mas minha mente viaja pelo mundo.

Passei este ano completamente sozinha por opção. Após o término de um relacionamento difícil optei por namorar a mim mesma. Hoje percebo que foi uma escolha sábia. Às custas de muita dedicação construí uma nova realidade para mim.

Escrevi um livro novo, montei uma casa, fiz planos possíveis. Mas inesperadamente tudo mudou. Saí de casa sem maquiagem para encontrar os amigos e acabei encontrando um novo amor.

Não faço planos a dois para o futuro, pois aprendi com muito sofrimento que só podemos responder por nós mesmos. O que o outro fala nem sempre se escreve. Mas seja como for, hoje me sinto mais aberta para abraçar a vida.

Minha mente forasteira continua com a mala nas costas, mas sinto que muito em breve, meu corpo vai chamar por ela e vai seguir o mesmo caminho.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E DAÍ?



E daí se tudo der errado?
Levanta a poeira e comece tudo outra vez.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

3ª MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA




No dia 22 de outubro Simone Meriguetti e eu organizamos a 3ª Mostra de Arte Contemporânea na Faculdade Doctum de Guarapari.

A exposição contou com a participação de cinco artistas extraordinários: Zulma Volpini, Lorival Fermiani, Márcio Sacheto, Cláudio Rohten e Simone Meriguetti, expondo um total de 30 telas coloridas e impactantes.

Acreditamos que por meio da arte podemos aprender a improvisar a vida, a transformar os espaços externos e internos, a superar os limites da superficialidade e a enxergar a realidade com os olhos do gênio.


A exposição estará aberta ao público até o dia 22 de novembro e todos os quadros estão à venda. Entrada franca!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

QUAL O PROBLEMA COM A VELHICE?




Esta semana vazou na internet uma foto da Madonna para a campanha da Dolce & Gabanna onde a diva aparecia sem photoshop. Todos sabemos que as celebridades são escravas do trato virtual da imagem, mas no caso de Madonna esta dependência já virou neurose.

Madonna sem photoshop nos passa uma mensagem muito interessante: somos TODOS IGUAIS. Não adianta o quanto de dinheiro você possua em sua conta bancária, quantos países conheça, quanto amantes tenha acumulado pela vida. No final a cara vai cair. Simples assim.

Adoro a Madonna desde que tinha uns nove anos de idade. Aprendi a falar inglês escutando e traduzindo as músicas dela, e aos dez anos quase matei meus pais de desgosto quando pedi "Like a Virgin" de presente de aniversário. Mas tenho ficado intrigada com a postura de Madonna nestes últimos tempos.

Que diabos uma mulher forte como Madonna, aos 52 anos de idade, pode estar querendo com o menino Jesus? Será que há assunto? Conversam exatamente sobre o que? Difícil imaginar.

E por que cargas d'água Madonna precisa continuar posando de ninfeta velha? Não dá pra providenciar uma produção mais madura sem perder o luxo? Sinceramente não compreendo as razões de Madonna.

Aprecio mais a postura de Brigitte Bardot que assumiu a velhice e foi fazer algo mais interessante como cuidar de uma centena de animais. É mais bonito de se ver.

Não quero que Madonna pare de cantar, de pular lindamente naquele mega palco e nem de produzir inéditas canções. Gostaria apenas que ela parasse de se preocupar tanto em passar uma falsa imagem de juventude facial. Veja a foto acima por exemplo, havia necessidade de posar como uma Barbie de cera? Veja as duas fotos à esquerda (sem photoshop), parece uma meretriz envelhecida. Dona de bordel falido.

Portanto querida Madonna fica aqui minha mensagem. Não precisa fazer tricô nos finais de semana, mas também não dá mais para a bancar a like a virgin indefinidamente...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O QUE FAZER AGORA?



"Slower slower
We don't have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads"
RUN - Snow Patrol

O que fazer agora que chegamos a uma encruzilhada? Fingir que não viu, que não sabe, que não sente? A vida dá voltas quando estamos distraídos. Seguimos sem pensar. Mudamos o rumo. Inventamos histórias para matar o tempo. Contamos mentiras a nós mesmos. Trapaceamos. Cantamos alto para espantar a dor. Bebemos vinho, cachaça, licor. Pintamos a boca de vermelho e assinamos nosso nome em preto. Escrevemos cartas, criamos amores, levamos nosso corpo e mente para passear lá fora. Mas o dia está quente e meu peito sufoca. Não sei se estou exatamente onde gostaria de estar. Como ter certeza? A gente tenta. A gente erra. A gente começa tudo outra vez. E quando pensamos que alcançamos um novo caminho...voltamos de súbito ao mesmo lugar. Já estive lá. Já conheço este horizonte e tenho medo. Como será? Dá pra consertar tudo aquilo que ficou obsoleto? Dá mesmo pra fazer de novo de um jeito melhor? O que fazer agora que chegamos a uma encruzilhada? Correr ou tentar?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O MESMO ESPAÇO INTERNO







Minha casa é um porão adormecido que me esquenta enquanto durmo.
O mesmo espaço interno, talvez um pouco além.
Uma parede vermelha, uma tela de Lautrec, um gato solto pela casa.
Toda minha cultura exposta na parede.
Um cinzeiro de vidro, um chinelo velho.
O computador em cima da mesa
Um jardim secreto.

Não moro na casa dos meus pais,
não divido o mesmo espaço com alguém,
não devo mais nada a ninguém.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O JARDIM SECRETO




Às vezes me pergunto se os erros que cometemos são mesmo parte do processo de crescimento ou se são apenas estupidez. Por que repetimos as mesmas palavras, o velho discurso tosco, os mesmos hábitos?

E agora que estou sozinha o que virá? Sinto medo quando observo o tamanho das asas que nasceram em mim. Não sei de onde vieram, não sei porque me deram.

E agora que pretendo ir, quando partir?

Alguém insiste em me dizer que nem sempre as coisas são assim. A quem devo perguntar? Quem poderá saber? O que fazer?

Acordei de madrugada e vi uma luz acesa no fundo de um túnel qualquer. Olhei para baixo e o vi perdido na imensidão. Um cavalo alado com asas azuis. Entre nuvens de derrota, uma demarcação. Alguém mais esteve ali. Um passado obscuro, uma cicatriz na cara, um corte na mão.

Nada a perder, retroceder.

Fui andando numa trilha escura e encontrei um jardim secreto. A menina estava perdida longe de casa há mais de dez anos. Uma vilã com cara de santa, um princípe do mal. Luz e escuridão em lugar nenhum. E eu ali sem saber para onde ir.

A cada capítulo uma experiência estranha. Não dava para fugir. Era impossível pronunciar meu próprio nome. Vi mais do que devia, a morte de um rei. Uma cidade abandonada à própria sorte, um castelo em ruínas.

Tudo nas minhas mãos, mas nada era meu. No ventre uma criança doente. Herdeira do mal. E ela está rodeando meu sono. E ela tenta falar comigo. Ela disse que vai dominar pela dor. E é isso mesmo que ela vai fazer. Com a pele pálida e os olhos negros. Filha de uma terra adormecida.

Mas minhas asas estão do tamanho do meu coração. E cedo ou tarde me farão voar.

O ALTO LUXO E A VIDA SELVAGEM





A nova campanha da Bvlgari estrelada pela belíssima Juliane Moore está me fazendo pensar. Sempre houve a existência de dois universos distintos: o universo dos homens livres amantes da vida selvagem e o universo das madames repleto de perfumes caros, joias e artigos de luxo.

Pela lógica, seria incompatível a uma madame que gosta de viver perfumada, dividir seu espaço com um animal selvagem com seus odores característicos e sua natural falta de modos. Então por que será que a maior marca de artigos mirabolantemente caros resolveu investir na união desses dois dois mundos tão paralelos?

Eles poderiam ter escolhido um gato ou um cão para posar ao lado de Juliane, e então nos sentíriamos mais confortáveis. - Ah! É só um cãozinho de madame que deve tomar banho duas vezes por semana e usar coleira de diamantes! - diríamos nós conformados com a extravagância.

Mas a Bvlgari não tinha a intenção de nos deixar confortáveis, então arranjou logo dois filhotes de leão e umas cacatuas e pediu para que Juliane os abraçasse!

Será que dá mesmo para viver no mais alto luxo em meio à natureza absolutamente selvagem? Não estaríamos tratando aqui de um paradoxo profundo?

A gente fica meio bobo ao lado dos animais. Pelo menos eu fico. E podem ter certeza de que eu entendi muito bem a pegadinha da Bvlgari! Desde que Chanel chegou aqui em casa (uma gata chamada Chanel prova que a dona também é madame, não?) minha vida mudou. Os animais são dóceis se você é dócil com eles. Eles te devolvem tudo na exata medida em que recebem.

Mas o fato de Chanel transitar pela minha casa como se fosse uma hóspede e deixar um cheiro peculiar de gato em todo o meu apartamento (é claro que limpo a casa todos os dias e dou banho de espuma em Chanel), não me impediu de continuar sendo a mesma madame que sempre fui. Continuo me valendo dos perfumes importados, dos saltos bem altos e da boa música (embora já tenha percebido que Chanel fica entendiada quando escuto música...).

Acho que a Bvlgari teve uma sacada de mestre! Colocou o mais alto luxo ao lado da mais simples e fantástica obra de arte que podemos conceber: a natureza. Dá sim para ser uma madame chiquérrima e abraçar um leãozinho sem perder a pose!

sábado, 4 de setembro de 2010

A BEAUTIFUL LIE



Lie awake in bed at night
And think about your life
Do you want to be different?
Try to let go of the truth
The battles of your youth
'Cause this is just a game
30 Seconds to Mars


Não me apresento como sou assim por inteiro,
fico no meio,
descanso e alcanço uma falsa paz.

Não se iluda, não se engane, não me chame pelo nome,
não me cobre,
não me acompanhe.

A liberdade intoxicou a vontade,
quero a rua,
quero a fama.

Já pensou na própria vida?
Já caiu em armadilhas?
Já partiu pra nunca mais?

Foi assim há um ano atrás quando a mentira fazia sentido,
uma linda mentira,
que já não engana mais.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NOVO AMOR



A esta altura todos já sabem que o ano de 2010 para mim resumiu-se em muito trabalho e pouca diversão. Não reclamo de nada, pois olhando para trás entendo que este está sendo um ano de construção.


Mas minha rotina costumava ser assim: acordo às seis da manhã, banho, café da manhã, trabalho. Retorno às nove da noite, morta, banho, toddy gelado e cama. E por aí vai.
Mas desde que minha gatinha chegou em casa esta rotina mudou. Ah, sim! Levei a bichinha no veterinário e descobri que trata-se de uma gatinha! Foi devidamente batizada de Chanel pela minha amiga Cláudia!

Chanel (foto acima) é a encarnação da pureza. Muito quietinha, linda, educada e me lembra todos os dias de que agora depende de mim. É lindo ver como ela me recebe quando chego em casa à noite depois de um dia exaustivo de trabalho. Está sempre pronta para brincar e ronrona no meu ouvido para mostrar que está feliz e confortável.

Essaa experiência me fez buscar orientação na internet onde encontrei centenas de artigos sobre as maravilhas de se ter um animal doméstico.

É duro acreditar que tanta gente faz maldade com estes bichinhos inofensivos. Se você encontrar um gato na rua, por favor, não maltrate! Eles são ingênuos demais e se aproximam da gente buscando afeto.

Chanel trouxe alegria para minha vida e aumentou minha vontade de retornar para casa no final do dia.

domingo, 29 de agosto de 2010

Enviado por Tarso Ramos


Tamara,

Ontem minha apresentação do poema "E eu que era tudo ou nada ao meio-dia" na I Mostra de Arte Contemporânea Caiçara, foi um sucesso!

Estavam presentes Gilberto Mendes e o poeta Flávio Viegas Amoreira.

O poema foi recitado por Célia Faustino, comigo ao piano, Márcio Barreto no acordeão, e Alessandro Atanes no violão.

O evento durou das 14h às 22h e teve divulgação até no Bom Dia São Paulo, da Globo!

Seu nome foi citado e apresentamos o poema como performance, ou seja, teve dança, e depois a leitura dramática do poema.

Tarso Ramos

músico

www.myspace.com/ramostarso

www.ramostarso.blogspot.com

sábado, 28 de agosto de 2010

AMOR EM MINÚSCULA





Adoro visitar as livrarias da cidade em busca de novos autores. Especialmente dos autores latinos. Gosto de saber sobre o quê estão escrevendo, suas motivações e histórias. Meu último romance de origem latina foi "Amor em Minúscula" do espanhol Francesc Miralles. Fiquei encantada com a história e li o livro de uma vez só.

Amor em Minúscula refere-se ao encantamento pelas pequenas coisas. São as mínimas coisas de nosso cotidiano que dão um significado diferente à nossa vida. E se prestarmos atenção, estamos sempre rodeados por momentos verdadeiramente mágicos.

Esta semana eu estava voltando para casa depois de um longo e cansativo dia de trabalho e me deparei com uma situação que me cortou o coração. Havia um gatinho chorando muito alto e sendo importunado por adolescentes insensíveis. Eram uns seis adolescentes contra um filhote de gatinho inofensivo. Meu sangue ferveu. Dei uma lição de moral na turma de desalmados e salvei o pequenininho.

Agora ele está vivendo comigo e é tão bonzinho que dá vontade de chorar. Como podem ver pela foto acima ele é do tamanho do meu sapato!

Ele está convencido de que sou sua mãe, então me segue em casa o tempo todo e ronrona quando o pego no colo. Outro detalhe interessante é o contato dos olhos. Quando conversa comigo, ou mia para mim, ele se aproxima do meu rosto e me olha nos olhos bem de pertinho.

Na história de Frances Miralles, um gatinho que invade seu apartamento muda completamente a sua vida. Quem sabe o meu gatinho também seja um mensageiro de grandes transformações?



domingo, 22 de agosto de 2010

HOMENAGENS



No próximo dia 28/08 o poema "E eu que era tudo ou nada ao meio-dia" será apresentado ao vivo na 1ª MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA CAIÇARA que ocorrerá na cidade de Santos, onde nasci.

O evento terá a presença de Gilberto Mendes, maior compositor vivo do Brasil, ao nível de Villa-Lobos e meu irmão, o compositor e maestro Tarso Ramos, fará uma homenagem a ele lendo um texto e tocando uma música dele ao piano.

Meu poema será lido por Célia Faustino, com Tarso ao piano, Márcio Barreto no acordeão, e Alessandro Atanes no violão.

Estou muito emocionada com a homenagem e triste por não poder estar presente. Aos meus amigos que estiverem na cidade de Santos, convido a prestigiarem o evento para depois me contarem tudo em detalhes!

Obrigada pelo carinho Tarso!

Abaixo um link para conhecer o trabalho de Célia Faustino:

http://celiafaustino-conscienciacorporal.blogspot.com/

sábado, 21 de agosto de 2010

ABDUZIDA PELA HISTÓRIA


Nesta última quinta-feira enviei o original do meu livro infanto-juvenil para minha agente. A sensação de missão cumprida é intensa. Embora eu saiba que isso é uma ilusão porque a obra promete um segundo volume. Foi simplesmente impossível contar tudo num livro só.

A capa já foi feita, as perspectivas são incríveis e estou satisfeita com a trama mirabolante que criei. Aliás, criei um universo inteiro, um lugar novo, um paraíso idílico cheio de personagens fortes e dúbios. Criei um mundo à parte, mas agora não consigo mais sair de lá.

Uma amiga diz que fui abduzida pela história. Há meses que não tenho outro assunto. Sonho com os vilões, transito por ruas inexistem que só são reais na minha imaginação maluca. Escrevi 205 páginas em 12 finais de semana. Não saí, não estive envolvida em gandaias, não namorei, não aprontei nada errado. Doze finais de semana devotados à construção de um sonho maior.

Fiquei impaciente com o resto do mundo, perdi o interesse por tudo ao meu redor, fiquei vivendo numa realidade paralela.

E parece que isso foi só o começo. Minha revisora está falando na possibilidade de uma trilogia, a heroína do meu livro apareceu para mim num sonho clamando pela vida, o tempo parou.

Maiores detalhes vocês verão nas livrarias do país em breve. Se tudo certo!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

UM DIA DE CADA VEZ







Estou tentando controlar minha ansiedade, mas é difícil manter o anonimato moral diante de absurdos. Tenho vontade de matar alguém. Cinco tiros pela frente olhando nos olhos da vítima que teve o que mereceu. Mas é claro que estas fantasias estão trancadas. De vez em quando escapa alguma coisa, um ataque de fúria, uma palavra brusca, uma revolta mordaz.

É difícil controlar os instintos insanos. Não adianta escrever poesia, ler sutra tibetano, contar até dez, disfarçar. A ira fica remoendo ali dentro como uma vontade descomunal de abrir os olhos do mundo.

Desabafo enquanto escrevo. Escrevo para desabafar. É tudo tão violento, o desajuste entre opostos, a maldade interna, a cegueira humana. Mas somos todos passageiros deste infame trem. E não adianta querer correr os trilhos, o destino está marcado pro tempo certo.

E por isso que a partir desta semana não vou mais perder meu tempo com coisas inúteis. Só há uma possivel solução: brincar com os cachorros do vizinho, abraçar os amigos, participar de outras festas, cantar alto e seguir.

O segredo é viver um dia de cada vez enquanto espera o futuro. Fazendo o meu melhor apenas para alegrar a mim mesma. E dias melhores virão. Seja aqui mesmo ou em outro lugar.

domingo, 8 de agosto de 2010

A VAIDADE É ALGO RUIM?




Tenho assistido diariamente aos especiais de moda do canal FTV (Fashion Tv) no horário das 06 da manhã. Levanto cedo, vou pro trabalho e passo o dia inteirinho na rua. Então, este momento de futilidade matinal tem um valor expressivo para mim.

Esta semana tive a oportunidade de assistir aos desfiles de Jean Paul Gautier, Prada, Roberto Cavalli e Dior. Todas as coleções dos desfiles de alta costura de Milão com data de 2010. No intervalo dos desfiles, o FTV mostrou um making of dos atelier de alta costura. Dezenas de pessoas transformando tecido em obra de arte.

É claro que sendo brasileira e morando num país cujo índice de pobreza passa dos limites do aceitável, sinto-me um pouco culpada em ficar tão encantada com a vaidade do mundo. Mas será que isso é mesmo tão pecaminoso e ruim?

Eu sou uma artista, trabalho com mundos imaginários, crio fantasias, invento personagens surreais nos meus livros. Então, qual o problema de sentir atração pela beleza de outras formas de arte?

A maioria das pessoas diz que alta costura é luxo, superficialidade e pura vaidade. Pois eu discordo. Fico fascinada com a combinação das cores que os estilistas ousam. Gosto de ver o embelezamento supremo da mulher. Um desfile de alta costura coloca as mulheres nas posições de deusas que é o que somos de fato.

E aí pergunto: a vaidade é algo ruim? Penso que não. Claro que não pode ser algo obsessivo porque se torna caricato, mas o ato de cuidar bem de si mesma é louvável.

A beleza é algo que nos atrai de forma natural. Coloque duas fotos de duas mulheres distintas (uma linda e maquiada e outra desgrenhada) para um bebê de seis meses e veja o que acontece. O bebê fica fascinado pelo charme da mulher bonita. Estamos falando de um bebê de seis meses!

Portanto, minha dica é a seguinte: seja vaidosa. Isto também serve para os homens, pois vi um desfile masculino esta semana que me tirou o fôlego! A negligência com a própria aparência é uma forma de desamor. E como sou adepta dos extremos intensos, fico com a vaidade da moda ao descaso que alguém pode ter com a própria pele.

E viva os artistas do corte e costura!

sábado, 31 de julho de 2010

SIM, VOCÊ PODE TER TUDO.



Hoje de manhã estava assistindo a uma entrevista da atriz Jane Seymour na CNN americana e fiquei pensando na resposta que ela deu à repórter quando perguntada sobre o segredo de sua vida aparentemente perfeita.

A jornalista perguntou: "Jane, você é atriz, famosa, rica, mãe, esposa, pintora e ainda ajuda pessoas. O seu exemplo de vida nos faz crer que uma pessoa pode realizar todos os seus sonhos. Isto é possível?" e a sábia Jane respondeu: " Claro que sim! Eu amo minha vida, meu trabalho, minha família e meus hobbys pessoais. Quando amamos o que fazemos, acabamos por construir uma realidade cheia daquilo que nos satisfaz".

É este o segredo! O segredo continua o mesmo desde tempos remotos: o amor. Podemos ter tudo aquilo em que acreditamos e amamos, pois não há limites para nosso potencial criativo. A nossa vida atual é sempre um reflexo de nossas escolhas passadas. Não dá para manter aquela antiga postura da vítima. Lá no fundo, bem no fundo, tudo o que somos e temos é fruto de nossos pensamentos e crenças individuais.

Portanto, se assim como eu, você é uma pessoa otimista que acredita merecer tudo aquilo que deseja, pode ter certeza que seus desejos se concretizarão.

Os maiores obstáculo são a dúvida, a culpa, o medo, a baixa autoestima e a falta de fé em nós mesmos e na vida. Removendo este entulho de nosso caminho, encontraremos uma estrada florida aberta a um novo caminho.

Não tenha vergonha por ser alguém que deseja mais da vida. As possibilidades são imensas. E os limites são apenas internos.

Sim, você pode ter tudo o que quiser. Só falta definir o que quer.

sábado, 24 de julho de 2010

JULHO MÁGICO




Este mês de julho tem sido muito especial. Tantas coisas boas aconteceram que é difícil acreditar que o mês ainda nem acabou.

Estive muito próxima aos meus amigos. Mesmo com a correria do trabalho e as demandas do universo literário, tenho encontrado tempo para estar junto das pessoas que me alegram e me inspiram.

Na foto acima um registro de uma noite especial: jantar no Guaramare ao lado do Vicente e dos amigos queridos. Eu adoro visitar o Guaramare, pois ele reflete a alma passional e visionária do Vicente Bojovski. E este contato sempre me inspira muito.

Na foto do meio uma reunião especial com o Cristhopher e o Gustavo. O Cristhopher é o dono da editora Flor&Cultura e nos encontramos novamente, após quase dois anos, para discutirmos a edição do livro de poesias. O Gustavo Maioli todos conhecem: meu designer preferido e amigo querido.

A Nádia Bojovski, esposa do Vicente, tornou-se uma grande parceira e amiga. Obrigada Nádia pelos convites deliciosos que nos tem feito.

A Cláudia Martins (de vermelho) é minha parceira constante. É ela quem faz a leitura crítica dos meus livros e me impulsiona para frente.

E na foto abaixo meu chefe preferido! Léo (à esquerda), todo mundo merece ter um chefe como você! Obrigada por me acolher na sua residência. Pra dizer a verdade, eu gosto tanto do meu trabalho que o vejo mais como diversão, acreditam? Também, com um chefe nota dez como este não dá para reclamar, né?

Minha vida passou por grandes mudanças, e creio que todas foram muito positivas. São em meses perfeitos como este que fazemos um balanço total e percebemos o quanto somos afortunados.

Que venha o mês de agosto!

sábado, 17 de julho de 2010

COCO CHANEL




"Uma mulher precisa ser duas coisas: chique e fabulosa." Coco Chanel

Gabrielle Chanel é uma daquelas mulheres que nasceram para revolucionar o mundo. Tudo em Chanel me fascina. Seus traços fortes, sua audácia, seu extremo bom gosto, sua postura soberba e sua fama de má.

Descobri o livro "O Evangelho de Coco Chanel" da jornalista americana Karen Garbo num dos blogs de moda que acesso. Em minha útlima excursão pelas livrarias de Vitória trouxe-o na bagagem. Posso dizer que foi uma das melhores coisas que fiz este mês.

O "Evangelho de Coco Chanel" é um daqueles livros que mudam a nossa vida. É impossível parar de ler! A autora misturou a biografia da mais famosa estilista do mundo com dicas comportamentais e construiu uma obra deliciosa e indispensável.

Chanel nasceu na pobreza, foi abandonada pelo pai, cresceu num orfanato, teve uma infância triste e miserável. Mas ela tinha uma estrela. E um destino extraordinário.

Ela saiu da mais absoluta pobreza e tornou-se um ícone de sofisticação mundial. Chanel tinha horror da moda de sua época. Aquelas mulheres embaladas para presente com suas roupas pouco práticas e desconfortáveis despertavam sentimentos de pena na mademoiselle. Gabrielle tinha uma visão estética diferente e manteve-se fiel à ela. Aos poucos foi conquistando espaço e criou um estilo atemporal. As peças que Chanel inventou podem ser descobertas no guarda roupas de qualquer mulher.

Você tem um pretinho básico? Chanel que criou. Você usa bijuterias? Chanel que apostou. Você usa blazers e calças? Agradeça a Chanel. Você tem um estilo clean e sofisticado? Inspiração de Chanel. Você usa cabelos curtos? Chanel foi a primeira a cortar os dela. Você usa jérsei? Graças a Chanel.

Gabrielle nunca se casou, mas teve uma coleção infindáveis de amantes e cada um deles contribuiu de alguma forma para o seu sucesso. Ela era uma exímia observadora e por meio da rede de relacionamentos de seus homens poderosos, Chanel aprendeu sobre o luxo e a boa educação. Ela nunca descartava nada. Tudo ao redor lhe causava grande impacto e era imediatamente absorvido em suas criações.

O que descobri lendo este livro é que é muito fácil ser uma mulher extraordinária. Chanel nos deixou um manual prático nos revelando o passo a passo para uma magnífica transformação.

domingo, 11 de julho de 2010

ALMODOVAR'S GIRLS





"Todas as personagens de Almodóvar querem uma ligação, mas todas querem também a independência, a liberdade de poder se livrar do amor quando ele se torna demasiadamente tóxico. Este é um elo comum entre as Almodóvar's girls. Existirá esta ligação ideal que comporte em si a liberdade?"
Frederic Strauss


Esta manhã assisti pela terceira vez o filme "Los Abrazos Rotos" de Pedro Almodovar. Se Pedro Almodóvar não existisse, sinceramente, não sei o que seria de mim. Pode parecer exagero, mas nenhuma outra pessoa jamais me influenciou tanto quanto Almodóvar.

Encontramos no trabalho dele algo que não se vê em quase lugar nenhum. Pode ser que tenha algo a ver com nossa raíz latina, este excesso de paixão e de paradoxos. Não sei ao certo. Talvez seja universal. Mas o que mais me encanta nos seus filmes é a força de seus personagens.

Nos filmes de Almodóvar tudo, absolutamente tudo, é permitido. Cada personagem traz um universo turbulento dentro de si, e para que eles possam interagir, é como se houvesse a necessidade da ocorrência de um big bang a cada instante.

Los Abrazos Rotos é uma obra de arte. Todos os elementos almodovarianos estão lá. O cenário madrilhenho inspirado na década de 70 e 80. Os objetos vermelhos que se destacam em cena. Os milhares de paradoxos. Os segredos pessoais que causam remorso e vergonha . O diálogo do absurdo. A absoluta ausência de bons modos verbais. O impossível e o inimaginável.

Ainda assim, Almodóvar nada faz além de trazer à público as loucuras inconfessáveis dos nossos corações humanos.

Claro que é dramático. É claro que é exagerado ao extremo. Mas é isso que me interessa na obra de Almodóvar. Pessoas de bom senso como você e eu, não iremos levar aos extremos nossa loucura, nossa raiva, ciúme, paixão. Mas todos nós nos identificaremos com o sentimentos explícitos e condenáveis de seus personagens.

Almodóvar faz no cinema o que está proibido de fazer na vida. Praticamente todos os personagens de Almodóvar seriam julgados e condenados em nossa corte normal. Não haveria justificativa e nem escapatória.

A filha adotiva que esfaqueia o pai, o amante desesperado que empurra a amada do alto de uma escada, o homossexual abandonado que mata o amante, a mulher que trai o marido, a mãe que mente para o filho sobre a origem do seu nascimento, a mulher que se apaixona por um travesti, o homem obcecado pela morte, a amiga ciumenta que destrói a vida de seu objeto de adoração.

Todos os personagens são culpados. Mas nos filmes de Almodóvar nós somos capazes de compreender suas motivações, e desenvolvemos sentimentos de empatia e compaixão por todos eles.

As mulheres de Almodóvar me atraem e assustam ao mesmo. São todas muito parecidas comigo, ou o contrário, me pareço com todas elas. Sempre me identifico com suas contradições, seu discurso e até mesmo seu jeito teatral de ser. As mulheres de Almodóvar são incomuns. Fortes e frágeis, lindas e perigosas, capazes de tudo para ser fiel aos seus príncipios. Sejam este princípios louváveis ou duvidosos.

E a questão da liberdade é outro tema que me inquieta. Os personagens de Almodóvar são livres, mas também são prisioneiros de suas próprias ações. Eles semprem se deparam com a consequência de seus atos de forma brutal. Por que a vida é assim mesmo. Ela manda a conta sem fazer juízo de valor.

Bravo Almodóvar! Sou sua eterna fã!

sábado, 10 de julho de 2010

QUASE ESQUIZOFRÊNICO



Acho que estou pirando enquanto escrevo este livro. É impossível criar um universo inteiro e não ser afetada por isso. Esta semana, devido a uma crise de laringite aguda, precisei ficar em casa por três dias porque eu simplesmente não podia falar. Passar três dias inteiros em casa é um tédio, então decidi investir a maioria do meu tempo no processo de criação de meu livro infantil. Mas eu confesso que o escritor corre o risco de ficar esquizofrênico!

Passei a noite tendo sonhos absurdos. Eu estava vestida com as roupas que criei para os meus personagens. Transitei pelos bosques que uso como cenário para minha história e me vi frente a frente com meus heróis e vilões.

Quando entramos neste processo ficamos totalmente consumidos pelo projeto. No meu caso falta tempo durante a semana para estar trabalhando no livro. Trabalho mais de 10 horas por dia, o que me deixa física e mentalmente exausta. Quando chego em casa só quero banho e cama. Então uso os finais de semana para escrever. Mas aí temos um problema. Eu produzo melhor à noite, escutando música bem alta e trancada no meu quarto.

Então você pode imaginar que já não saio aos sábados há mais de dois meses. O livro virou meu playground. E tem que haver disciplina, senão o trabalho não acaba. E enquanto ele não acaba eu não sossego. A história fica sussurrando em meus ouvidos como se fosse uma mosca chata.

É terrível porque à esta altura do campeonato eu já sei mais ou menos o destino dos personagens. Mas não basta contar a história para mim mesma. Se você quer mesmo ser um escritor, deverá aprender a compartilhar seus absurdos.

Hoje é sábado. Você já pode deduzir como será meu fim de semana...


quarta-feira, 7 de julho de 2010

ARTE FASHION



Meus leitores devem estar confusos. Por que a Tamara resolveu falar de moda no blog dela? Bom, para começar eu adoro moda. Amo a mistura de cores, sou louca por make up e não vivo sem um bom perfume.

Escolhi falar sobre moda por um motivo muito simples. Encontrei na liberdade de criação dos grandes estilistas suporte para minha própria liberdade de criação pessoal. Adoro assistir ao desfiles de Dior. Fico totalmente encantada com a habilidade destes mestres em transformar pano em obra de arte. E toda aquela loucura que vemos nos bastidores, para mim é uma analogia que reflete com perfeição a alma do artista.

Não se iludam, viu? A alma do artista é tão caótica como os bastidores do desfile da Dior.

A mente de John Galiano carrega a mesma carga de energia criativa que poderia ser encontrada em Picasso ou Salvador Dalí. Estas pessoas enxergam a cores. Seu universo pessoal é tão amplo e extraordinário que só a arte pode ajudá-los a extravasar esta torrente de emoções. Caso contrário morreriam afogados na grandiosidade de seu oceano interno.

Estilistas são muito mais do que simples costureiros. Eles são mestres em seu ofício artístico. E seu trabalho vai muito além das roupas que desenham. Estas pessoas mudam a sociedade, abre a cabeça, faz pensar. São pensadores que instigam nossos sentidos, nos amplia o senso de realidade e nos permite imaginar a possibilidade de viver novas vidas.

Dior, Versace, Chanel... para mim também são poetas. Embora sua poesia não seja viva por meio das palavras.

Faço menção a estes mestres numa tentativa de mostrar ao leitor que tudo, absolutamente tudo que está ao meu redor, me influencia profundamente. Talvez seja por isso que vivo encantada com a vida.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

ERROS



"Don't know what to do without it
Without this love that we call ours
Beyond here lies nothing'"
Bob Dylan

Cometemos erros porque não somos perfeitos.
Dizemos mentiras porque somos covardes.
Tememos a verdade porque somos falhos.
E além disso, o que mais?

Estamos distantes, mas ainda somos nossos.
Estamos vivos, mas seguimos morrendo.
Dizemos não,
Mentimos.
E além disso, o que mais?

Fizemos tudo errado,
dissemos o contrário,
sentimos medo.

Cometemos erros porque não somos perfeitos.
Dizemos mentiras porque somos covardes.
Tememos a verdade porque somos falhos.
E além disso, o que mais?


domingo, 27 de junho de 2010

CONTANDO HISTÓRIAS



O escritor vive duas vidas paralelas que se cruzam a todo instante. No momento em que começamos a escrever uma história, somos imediatamente transportados para mundos distantes, cheio de novidades e excitação. Os personagens começam a surgir aos poucos, de uma forma tímida, como que para não assustar-nos. A cada dia que passa passamos a conhecê-los melhor, sua essência e motivação.

Estou no meio de um processo de criação. Escrevo uma história que jamais pensei que pudesse existir em algum recanto profundo da minha imaginação. Comecei aos poucos, como se ouvisse um sussurro. Primeiro apareceu um personagem, depois um lugar e, pouco a pouco, fui sendo sequestrada por seres fantásticos.

Todo escritor diz que não tem o controle sobre o futuro das histórias que inventa. Parece discurso de gente maluca, mas é a pura verdade. O mais difícil é escrever o primeiro capítulo. Isso feito, todo o resto sai das nossas mãos. Perdemos o controle absoluto sobre o curso do destino de nossos personagens.

Assim como o leitor, também fico apreensiva querendo descobrir o que acontecerá nos próximos capítulos.

E eles vão se desenrolando de forma alheia. E todo o mais perde um pouco da graça. Às vezes me pego sonhando com os lugares que descrevo como se houvesse a possibilidade de algum dia poder visitá-los. Pura loucura! Penso na história enquanto trabalho, enquanto cozinho, no momento em que durmo e logo após quando acordo.

Escrever é uma atividade compulsiva e satisfatória em igual medida.

O escritor é um viajante do tempo, um amante dos sonhos e um amigo da ficção. A única coisa que realmente importa é a satisfação em contar uma boa história. Um livro é um portal aberto para as mais extraordinárias aventuras. E o leitor, por meio da leitura, se tornará um explorador fantástico que com o tempo se tornará mais vulnerável e melhor conhecedor de todas as nuances de nossos humanos corações.

sábado, 26 de junho de 2010

SEM ROTEIRO




Sábado é meu dia de repouso absoluto. Recuso-me a fazer qualquer coisa que não me dê algum prazer. Quem me conhece sabe que eu tenho duas grandes paixões: os livros e os filmes. É por meio deles que encontro respaldo para os meus sonhos mais grandiosos.

Pois o filme de hoje foi "Nine" de Robert Marshal. Se você ainda não viu, desligue o computador e corra agora mesmo à locadora mais próxima! O filme é simplesmente extraordinário!

"Nine" é um retrato fiel da personalidade de Federico Felline. Li a biografia de Felline aos dezenove anos e nunca consegui esquecer. A biografia foi escrita pelo próprio cineasta que foi extremamente honesto e revelou as maiores contradições que testemunhava em sua alma.

O filme mostra um Felline perturbado pelo fato de não conseguir escrever uma única linha dos roteiros para os filmes que produzia. A inspiração simplesmente não vinha. E ele se corroía ao constatar sua completa incapacidade de passar seus sentimentos para o papel.

Na biografia Felline conta que, na maioria das vezes, ia para o estúdio sem saber o que fazer com os atores, figurinistas, contra-regras e toda a equipe de produção que aguardava por seu comando no set de filmagem.

Ele pedia que o motorista desse uma volta com ele pelo bairro e, olhando a vida das pessoas em seu dia-a-dia mais comum, encontrava ideias para explorar em seus filmes.

As atrizes estão esplendorosas em "Nine". Sophia Loren, Nicole Kidman, Penelope Cruz, Jude Dench, Kate Hudson e outras, dão um verdadeiro show de dança e interpretação. Todos os elementos do cinema italiano estão ali. É de tirar o fôlego.

Portanto, minha dica de hoje é esta. Assistam Nine!

EXTRAVAGÂNCIAS



"Não há extravagâncias quando o assunto é beleza."
Imelda Marcos


Sou completamente apaixonada por ouro e pedras preciosas. Não tenho o menor pudor de confessar que, se eu fosse rica, gastaria meu dinheiro em todas as grandes joalherias do mundo. Não ligo para carros, roupas de luxo, hotel cinco estrelas, grifes internacionais, mas a tal da joia... Ah! Essa me faz sonhar!

Hoje assisti a uma entrevista da Imelda Marcos (sim, a mulher que possui mais sapatos do que a Cláudia Raia), na CNN e passei a tarde refletindo sobre as coisas que ela disse.

Como primeira dama de um país pobre como as Filipinas, todos esperam que ela abra mão de todo tipo de luxo em consideração à pobreza da população. Mas ela não vai fazer isso. Nunca fez. Imelda Marcos é uma mulher que gosta de tudo o que é belo. Gosta de jardins floridos, joias cintilantes, construções palacianas e tudo o que só muito dinheiro pode comprar.

A repórter fez de tudo para que ela se sentisse culpada pelo luxo que ostenta. Perguntou a Primeira Dama se ela não achava uma extravagância gastar tanto dinheiro com sapatos e pedras preciosas. A resposta? Bem a resposta foi desconsertante pela honestidade: "Não há extravagância quando o assunto é beleza. Se algo é belo, qualquer dinheiro vale a pena."

Corajosa a Imelda. Conheço alguns estrangeiros e eles sempre acham que é uma vergonha ver tanta pobreza no nosso país. Eu também acho. Somos uma nação enorme vivendo em um território riquíssimo, mas sob o controle de governos corruptos.

Ok, é importante e bonito ter consciência social. Mas meu lado feminino se encanta diante das lojas de ouro expostas nas ruas de Dubai. Supérfluo? Talvez seja. Mas o fato é que é lindo de morrer!

Não é porque somos um país com problemas que não podemos sonhar com as coisas mais bonitas criadas pelas mãos dos homens. O trabalho de ourivesaria também é arte. Aqueles colares maravilhosos são feitos artesanalmente por artistas habilidosos e super talentosos.

Pode parecer frivolidade, mas acho que o preço alto de um anel de esmeraldas é tão justo quanto o preço de um prato elaborado pelo maior chef do mundo ou quanto uma viagem na primeira classe.

Não é porque não tenho dinheiro sobrando para gastar com estes luxos que devo desprezá-los.

Peço perdão aos comunistas, socialistas e aos simpatizantes da miséria. Mas não vou carregar sentimento de culpa por ver minha alma sorrir diante de um extravagante brinco de rubis.

Sou consciente, sou artista, poeta, brasileira e política, mas acima de tudo, sou mulher.