sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DOIS



Há mais coisas a se dizer aos amantes,
Coisas de outras moradas,
Casais encontram flores por onde passam,
Plantam e colhem ilusões,
Caminham juntos pela mesma estrada,
Tropeçam pedras paralelas,
Visitam a noite e o alvorecer,
Contam histórias tristes de outras épocas,
Lamentam erros passados,
Temem o amanhecer.

Há mais coisas a se dizer aos amantes,
Coisas de outras moradas,
Vidas compartilhadas à toa,
Vidas despedaçadas.

E há os desencontros,
E as brigas de cinco minutos,
Os dez dias sem falar nada,
A separação de corpos.

E há ainda os anos perdidos,
A saudade e a solidão,
Muita conversa para nada,
O desgosto e a desilusão.

Mas há que se falar aos amantes,
Que nem tudo é sepultura,
Pois há também os jardins,
E as aves brancas que sobrevoam o leito.

Há mais coisas a se dizer aos amantes,
Lembrar que agora eles são dois,
Duas vidas entrelaçadas
Sob a proteção de um teto comum.

E se desapontar,
Se desacelerar o antigo passo,
E mesmo se descompassar,
Seguirão na mesma estrada.

Duas vidas a desenrolar,
Novas cores,
Prantos doídos,
Gritos proibidos,
Dois.

Há que se falar aos amantes,
Sobre as coisas de outras moradas,
Histórias parecidas,
Para sempre compartilhadas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

SHAKEASPEARE CONTEMPORÂNEO



“Ser ou não ser?” Será mesmo esta a questão? Tenho estudado a literatura universal há mais de quinze anos. Os autores clássicos internacionais Vitor Hugo, Goethe, Rousseau, Schopenhauer, Homero, Maquiavel, apenas para citar alguns, têm acompanhado minhas noites insones desde o princípio de minha adolescência.
Todo leitor apaixonado encontra nos livros bons motivos para chorar, rir, questionar, indignar-se, emocionar-se e, principalmente, filosofar.

O maior tesouro das bibliotecas antigas é que elas guardam um segredo fascinante: a fragilidade da condição humana e a supremacia de suas paixões! Sempre me surpreendo ao encontrar nos textos provenientes da Idade Média, quando não de épocas anteriores, sacadas contemporâneas e questionamentos tão modernos quanto os textos novíssimos da Gazeta de ontem.

Decidi falar um pouco sobre a obra de sir. William Shakespeare, uma vez que encontrei em seus livros um bom motivo para perder várias noites de sono. Pergunto a vocês leitores: já leram alguma peça de Shakespeare? Se a resposta for negativa, sugiro que comecem hoje mesmo!

Datado do final do século XVI e início do século XVII, o dramaturgo mais famoso da Inglaterra nos oferece em sua obra um banquete de humor, teorias políticas, história, sentimentos do mais sublime amor a mais profunda ira, intrigas, revoltas, vinganças e vitórias onde, quase sempre, os fins justificam todos os meios.

Sabe aquela necessidade atávica que temos de encontrar um grande e verdadeiro amor? Romeu e Julieta também tinham. Sabe aquela vontade inflamável de vencer a qualquer custa? Macbeth conhece bem. E aquela determinação de conquistar quem amamos sem prever limites? Petrúqueo vai dar a você grandes dicas enquanto doma a megera!

O novo leitor das peças de Shakespeare ficará intrigado e fascinado com as semelhanças que irá encontrar entre os personagens da obra e seus amigos ou conhecidos da vida real. Todas as mazelas do mundo estão descritas ali envoltos sob uma áurea poética e, irresistivelmente, sedutora. O aclamado humor britânico poderá ser saboreado em toda a sua majestade enquanto folhear “ A Megera Domada” (1594), “A Comédia dos Erros”(1593) , “Muito Barulho Por Nada”(1599) e “O Mercador de Veneza” (1597).
O leitor também conhecerá um pouco da história da monarquia com as peças baseadas em personagens reais como “Ricardo III”(1593).

A tragédia e a loucura também presentes em sua vasta obra são de uma profundidade arrebatadora! As peças de “Hamlet”, “Macbeth”, “A Tempestade” e “Othelo”, levam o leitor à beira do precipício da insanidade, do pessimismo e do desespero.

Convido a todos os leitores, profissionais ou amadores, que embarquem nesta viagem fantástica pela era shakespereana, onde a dor e o humor são o maior alimento para alma humana.