sexta-feira, 17 de julho de 2009


O FUTURO DA INDECISÃO
By Tamara Ramos




Amanheci à sombra de um dia inédito,
Que me aguardava sereno enquanto dormia,
Percorri ruas sem saídas,
Estradas velozes de asfalto fresco,
Visitei canteiros de flores vermelhas,
Rindo em silêncio do obsceno flerte.

Dormir, acordar, dormir,
Todos os dias o impasse demente,
Quem sou ainda eu?

Tentei escrever versos tristes ao som de Chavela,
Mas nada havia de descompasso em mim.

Subitamente descobri o que queria e,
Estava tão disposta a vencer,
Que me pus novamente em pé.

Era mais do que qualquer pessoa suportaria,
O homem alado,
Sobrevoando os próprios fracassos como se não os fossem seus.

Mas era tarde para ter pena de si mesmo,
Melhor era trocar a roupa velha do corpo igual de cada dia,
E experimentar novas cores.

O tempo ainda não sabe se colabora ou corrompe,
E o tema da ingratidão ainda dá ibope nos templos secos.

Falei demais, sonhei demais, desejei mais do que devia,
E ao invés de guardar para mim todos os impropérios,
Saí compartilhando absurdos.

É mais do que evidente que minhas intenções foram distorcidas,
Mas quem se arrepende de trazer à luz algum anseio?

No último minuto resolvi voltar atrás,
Tarde demais,
Tudo já havia passado.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

CARTAS DE AMOR



“Obrigado por suas cartas durante todo este tempo
– por cada palavra escrita,
e pelo espírito divino que habita em cada uma delas.”
Khalil Gibran


Khalil Gibran escreveu 600 cartas de amor para sua amada Mary Haskell entre os anos de 1909 e 1924. O profeta/poeta traduziu em palavras toda a ebulição que fervia em sua alma libanesa. Cada carta de amor do profeta equivale a um poema universal, capaz de comover e inspirar gerações mesmo anos após a sua morte.

Os poetas escrevem cartas de amor em versos limpos. Cada palavra escolhida é como flores colhidas a um buquê especial. Há no processo da escrita algo sutil. O escritor semeia palavras com convicção e vento. E o verso pronto equivale a colheita de um imenso jardim.

Dedico-me ao ofício da escrita há mais de quinze anos, e ainda não me considero capaz de revelar todos os segredos guardados nos dicionários. Às vezes planto rosas e colho tempestades no jardim das palavras. Envio cartas cuidadosas a leitores descuidados e então, chove em minha casa.

Khalil Gibran queixava-se de sempre parar antes de alcançar seus sonhos. Ele dizia que sempre alcançava somente a sombra dos seus desejos. E se ressentia disso.

Creio que alcançamos muito mais com as palavras do que nossas mãos jamais poderão tocar. As palavras nos levam distante. Contam-nos segredos do Oriente, transmitem odores de Istambul, caminham entre a escuridão e a luz.

Ás vezes também escrevo cartas de amor. E o que é o amor além das palavras? O amor nasce e morre nos meus textos. Levanta-se, expande-se, alcança a imensidão... E então, como um ponto final concluindo uma frase, termina por extinguir-se.

O amor sobrevive nas palavras. Uma carta de amor é a mais perfeita testemunha do próprio amor que presenciou ali. Um amor capaz de compor uma carta é um amor real.

Khalil acreditava que um dia ele seria o homem para quem as cartas de Mary eram escritas. Ele não se reconhecia nas palavras doces de Mary, porque Mary também o idealizava quando escrevia.
Escrevo cartas de amor como uma prova honesta do próprio amor. Porque assim como a primavera vive nas flores, o amor vive para sempre nas palavras dedicadas a ele.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ÀS VEZES EU TENTO



ÀS VEZES EU TENTO
By Tamara Ramos


Às vezes eu tento estancar o sangue em ruas onde não transito. Vejo o noticiário da noite anunciando tragédias cotidianas. Perco o sono, perco a classe, acabo falando um palavrão. Tá tudo um caos no interior da África. A fome continua imensa na periferia do Brasil. Osama Bin Laden continua em liberdade. Caminho entre a sala e o quarto do meu pequeno apartamento localizado aos pés do mar. Faz tanto tempo que não choro de verdade. Nem de dor, nem de alegria. Às vezes eu tento sentir um pouco de empatia. Mas nada adianta. Não consigo me colocar no lugar de estranhos. Penso que a realidade é relativa. Não há espaço para grandes tristezas na minha vida. Amo cada minuto do meu dia. Amo minha vida. Acredito que todo mundo carrega um talento consigo. O meu foi descoberto cedo: amor à arte e uma capacidade imensa de adaptação à montanha-russa da vida. Às vezes eu tento estancar o sangue das ruas onde não transito. Às vezes gostaria de ser um pouco mais humana. Às vezes eu tento fingir que acredito na dor do mundo. Mas o fato é que eu não consigo. Só sei viver assim, em perpétuo estado de paixão e de insana expectativa.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O HOMEM POR TRÁS DA CÂMERA



Gustavo Maioli é o grande responsável pelo meu trabalho artístico. Ele é o fotógrafo de todos os meus ensaios, produtor deste blog e responsável por toda a produção do meu próximo livro, que já está em fase de finalização.
Gustavo e eu estamos trabalhado juntos há alguns anos e nossa amizade cresce a cada dia. Formado em Marketing, Gustavo também atua como designer gráfico e trabalhou no Kabballah Center de Londres contribuindo para a divulgação do local. Sim, ele conheceu a Madonna e participou de várias cerimônias ao lado da diva.
É com muito orgulho e admiração que publico esta foto num dos raros momentos em que não estamos trabalhando!
Gu, obrigado pela amizade, confiança, trabalho árduo e determinação que tem dedicado ao meu projeto literário!