terça-feira, 29 de dezembro de 2009

32 ANOS




Neste último domingo, 27, celebrei mais um aninho de vida. Capricórnio da terra com Serpente de fogo, meus signos predizem que todas as minhas metas serão alcançadas se eu tiver muita paciência e determinação ferrenha. A batalha é dura, mas felizmente conto com amigos poderosos que me amparam sempre durante toda a jornada! A festa foi simples, mas verdadeira. A cada ano que passa tenho me desvencilhado mais e mais do luxo e da superficialidade. Quero viver uma vida descomplicada baseada na verdade e rodeada das pessoas que amo. Fiz 32 anos. Algumas pessoas escondem a idade ou fazem dela um tabu. Pois estou amando essa fase dos 30 anos. Estou mais madura, mais feliz e mais parecida com o ideal que projetei pra mim!

Aos meus amigos santistas que não estiveram presente por causa da distância transmito meu amor incondicional! Todos ligaram e estiveram comigo em pensamento! Obrigada pelo carinho eterno!

sábado, 19 de dezembro de 2009

LEVE-ME PARA O DESERTO QUENTE

Leve-me para o deserto quente. Deixe-me andar. Quero queimar meus pés na areia ardente. Deixe meu cansaço repousar. Roupas brancas. Sem destino. Sem amarras. Livre nesta terra seca. Pertenço ao deserto de antigas tradições. Posso mais. Posso cruzar fronteiras. Posso voar.
Tamara Ramos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O PODER DA NÃO AÇÃO

"A paz vem de dentro de você mesmo. Não a procure à sua volta"
Buda


Sempre que algo nos incomoda tendemos a buscar uma rápida solução para acabar com o problema. Perdemos horas de sono, conversamos desesperadamente com os amigos para que nos orientem, bolamos as mais mirabolantes estratégias.


A ansiedade e a angústia crônica, na verdade, revelam a falta de fé na vida. Em nossa arrogância pensamos que somente nós temos o poder de resolver as situações que nos afligem.


Aprendi com os chineses uma nova forma para resolver problemas difíceis: a não ação. Há momentos na vida que não podemos agir, pois nada do que fizermos será capaz de mudar o curso das coisas.


Existem coisas na vida que são inegociáveis. Quando entendemos quem somos e do que precisamos para sermos felizes, devemos lutar para a concretização desse ideal. Quando abrimos mão de nossa mais profunda essência nos tornamos frustrados e infelizes.


Hoje estou vivenciando este momento em minha vida. De repente, vi-me obrigada a tomar decisões difíceis. Mas dentro de meu coração entendo que devo manter-me fiel aos meus princípios e necessidades mais íntimas.


A felicidade é um sentimento interno e está relacionado à autoestima. Quando nos respeitamos e optamos pelo melhor caminho sentimo-nos em paz com nós mesmos. Ficar só é uma decisão pessoal. Há momentos na vida que é fundamental pararmos para refletir antes de seguir a viagem. E então aqueles que nos são afins, aqueles que compartilham dos nossos sonhos se aproximarão sem falha!

Sempre tive fé na vida. Mesmo quando tudo parece sem saída, ainda assim mantenho a perseverança e a certeza de que dias melhores virão. Quando não há nada a fazer, tudo já está feito. Muitas vezes não agir é agir com sabedoria.
Acalme-se, respire fundo, distraia-se e espere. Acredito que aquilo que nos pertence não será perdido.
Tamara Ramos

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CASAMENTO INDIANO - A Fórmula da Felicidade Conjugal




É difícil entender porque tantos casamentos acabam em divórcio. As últimas estatísticas do IBGE divulgadas em 2007, confirmam que para cada 4 casamentos no Brasil, há 1 divórcio!

Este alto índice de separações indica que há algo errado nestes compromissos conjugais. Casais apaixonam-se e casam-se no auge da ilusão da paixão. O que ocorre depois é uma desmistificação do ideal romântico. A vida a dois é muito mais complicada do que conseguimos prever nos nossos sonhos.

A rotina do casal altera completamente a rotina individual. Quando compartilhamos nossa vida com o outro, não raro, flagramos a nós mesmos mudando drasticamente nossos hábitos e personalidade para nos adequarmos ao parceiro. No início esta transição parece leve, mas com o passar do tempo perdemos a referência de quem somos e do que queremos na vida.

Tornamo-nos a sombra do outro. Coisas que não nos agradam quando estamos só passam a ser toleradas, ainda que a contragosto, para evitar a desarmonia na relação. Pequenos prazeres que cultivávamos quando estávamos sozinhos ficam esquecidos no dia-a-dia ultra compartilhado da relação a dois.

E em pouco tempo começamos a culpar o outro por nossas crescentes frustrações. E aquela paixão invencível que prometia ser eterna, começa a arrefecer.

Onde erramos? Não conhecíamos direito o parceiro? Será que o amor não era tão grande assim? Seria este amor tão frágil incapaz de resistir aos primeiros problemas?

Pois encontrei na tradição indiana uma forma alternativa de casamento que me tocou. O que para nós parece absurdo, na Índia faz todo sentido!

Os casamentos indianos não começam com a paixão, mas com o compromisso futuro. É ainda comum na Índia os casamentos arranjados pelas famílias.É claro que hoje, com a modernização do país devido ao intercâmbio cultural com o ocidente, é permitido aos jovens escolherem seus parceiros ou conhecerem os noivos antes do casamento.

Os indianos creem que o amor é um sentimento que se conquista com o tempo. Para os indianos, esta paixão cega que arde e queima é volúvel e fugaz. O amor se desenvolverá com o passar dos anos e será construído com a convivência.

Eles usam a analogia da água para explicar o motivo de sua felicidade conjugal. Os indianos acreditam que nossos casamentos não dão certo porque casamos com a água já fervendo, mas a tendência da água quente é esfriar. No caso deles o casamento ocorre como a água fria no bule que vai esquentando até ferver.

Casamento na Índia é sinônimo de construção de lar, nascimento de muitas crianças e prosperidade constante. E mais, para conquistar uma relação que dure para sempre, é preciso muita paciência. Compaixão, tolerância, respeito, e lealdade, entre outros princípios budistas e hinduístas de sua religião.

Penso que nós devíamos refletir um pouco sobre isso e trabalhar para modificar nossos próprios conceitos. Se nossa fórmula fosse boa, os índices do IBGE não seriam tão desanimador.

domingo, 13 de dezembro de 2009

AMIZADE - A RELAÇÃO IDEAL



Foto: Tamara e Gustavo Maioli, amigos de verdade!



Sempre me pergunto porque que as relações amorosas são tão diferentes das relações de amizade. Entre amigos há sinceridade, sintonia, compreensão, empatia, honestidade, confiança e amor.

A relação entre amigos flui de maneira leve. Quando estamos entre amigos podemos dizer tudo, desabafar, revelar defeitos, dizer palavras que chocam, podemos rir e chorar sem medo. Ao lado dos amigos não há medo de parecer ridículo, de mostrar os sentimentos mais íntimos e de compartilhar as histórias mais absurdas.

Podemos trazer à tona nuances de nosso passado duvidoso, podemos revelar nossos erros e acertos, falar dos planos futuros e dos arrependimentos e mágoas do passado.


O amigo é mais do que um confidente, é um parceiro de vida.


Por que é tão difícil desenvolver uma relação assim com aqueles que amamos de forma mais romântica? Por que há tanto medo da rejeição? Por que ficamos ansiosos com medo de desagradar? Por que guardamos segredos?


Os amigos nos amam pelo que somos. Não há punição, não há expectativa, não há reprovação. Com os amigos revelamos nossa forma mais humana, repleta de qualidade e defeitos.


Hoje passei a tarde com umas amigas e depois encontrei meu maior amigo, Gustavo Maioli (na foto comigo). Passei o dia compartilhando histórias, expectativas, medos, indecisões. Falamos sobre tudo abertamente. Não houve julgamento moral, rigidez, repressão. Somos o que somos e pronto. E os amigos não se decepcionam com as diferenças!


Convido meus leitores a refletirem sobre a integridade das relações de amizade. Quero que minhas relações afetivas tenham esta qualidade.


Quando dizemos "eu amo você" para o (a) namorado(a) esta declaração tem um peso enorme! Envolve apego, ciúme, desejo, ilusões, posse, expectativas. O ser amado passa a ter uma enorme lista de obrigações que deverá cumprir para nos deixar feliz. Deve esquecer o passado, não pode ter muitos amigos, não pode ter uma vida separada da nossa.


Quando dizemos "eu te amo" para um amigo significa que o aceitamos do jeito que ele é. E esta amizade crescerá e durará o tempo de uma vida.


Pois hoje eu quero um amor que seja também meu amigo. Alguém com quem eu possa ser eu mesma com todas as minhas qualidades e meus infinitos defeitos. Ainda vou cometer muitos erros, mas se eu tiver um amigo ao meu lado, ele vai compreender e me apoiar. E mais, vai me estimular a acertar e melhorar a cada dia!
Este texto é uma declaração de amor a todos os meus amigos: AMO VOCÊS!
Tamara Ramos

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O REINO DA FELICIDADE



Tenho refletido muito sobre a questão da felicidade. Sou uma pessoa muito feliz, satisfeita com minha vida e com as condições de minha existência.

Tive uma vida com conforto, mas nunca fui rica. Sempre trabalhei para pagar as contas básicas e nunca tive condições de financiar viagens internacionais ou, por exemplo, investir em pedras preciosas (o que aliás, tenho paixão!). Ainda assim, me considero uma pessoa extremamente feliz e realizada.

Isto posto, faço a pergunta: O que é a felicidade? O que realmente faz uma pessoa feliz?

Há algum tempo atrás vi uma matéria sobre o Butão, um país budista aos pés do Himalaia. No Butão, o governo não utiliza o PIB como meio de avaliar o desenvolvimento da nação, mas o FIB (Felicidade Interna Bruta). O grau de realização pessoal da população é que define o desenvolvimento satisfatório do país.

Através dos quatro pilares do FIB, economia, cultura, meio ambiente e boa governança, derivam-se 9 domínios de onde são extraídos indicadores para que a “Felicidade” de uma nação seja avaliada: 1) Bem estar psicológico, 2)Meio ambiente, 3) Saúde, 4) Educação, 5) Cultura, 6) Padrão de vida, 7) Uso do tempo, 8) Boa governança e 9) Vitalidade Comunitária.


Estou longe de ser uma menina rica do ponto de vista financeiro. Tenho que batalhar muito para poder colocar as contas mais triviais em dia. Mas acredito que possuo uma riqueza imensa em minha vida. Tenho felicidade em abundância no meu coração!

Não suporto bebida alcóolica, então posso ser encontrada sóbria 24 horas por dia, 365 dias ao ano. Gosto de estar sempre muito consciente para perceber as sutiliezas do ambiente. Tenho um entusiasmo quase infantil pela vida. O fato de ser escritora me desafia o tempo inteiro e tudo me inspira. Isto permite que eu mantenha a curiosidade diante das coisas mais simples.

Acredito que a felicidade é uma escolha.

Conheço pessoas que ganham excelentes salários ao final do mês, mas não são livres. Dinheiro realmente não é garantia de felicidade. Riqueza nem sempre é sinônimo de realização pessoal.

Ser feliz é olhar no espelho e gostar do que vê. A pessoa feliz transmite bom humor e contagia a todos os que estão à sua volta. A felicidade abre portas, cura doenças, constrói bases sólidas de contentamento.

Se você odeia o que faz, não suporta seu trabalho e não está satisfeito com o que vê ao redor, está na hora de pensar em realizar profundas mudanças! Não há desculpas para manter-se infeliz.

Falta fé, amor e vivacidade aos infelizes. Estas pessoas tornam-se sarcásticas, mal humoradas e acabam tornando-se um peso em seu grupo social. É feio ser infeliz!


Portanto, vamos estudar um pouquinho sobre este país que revelou-se ser o reino da felicidade e vamos aprender a sorrir mais com eles!

A falta de recurso, a pobreza e as limitações são contornáveis. Mas a cara feia e o baixo astral dos infelizes... Argh! Ninguém aguenta!!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MULHERES PODEROSAS


Tenho sentido um estranho impulso. Um sentimento de renovação, como uma serpente do deserto seco, estou trocando de pele. Plantei algumas mudanças em minha vida e já posso ver algumas sementes germinando. Não sei como definir. Tudo que sei é que, subitamente, tudo me parece possível e o mundo revela-se melhor.

Sou fã da escritora americana Jean Sasson que especializou-se em retratar a vida das mulheres árabes e do cotidiano opressivo do Oriente Médio. Li estupefata sobre a vida de mulheres como a princesa saudita Sultana ou a prisioneira iraquiana Mayada. Estes livros me fizeram refletir sobre a condição feminina. Como mulher ocidental, nascida e criada num país livre como o Brasil, não sei o que é limite ou sensação de opressão.

Sempre tive liberdade para me expressar abertamente, ainda que minha opinião não encontrasse apoio unânime quando revelada. Mas isso nunca me importou. O que importa é a possibilidade de pensar por si própria, de dizer não, de fazer as próprias escolhas.


No Oriente Médio a sociedade é absolutamente patriarcal. Às mulheres é negado o direito de existência individual. Elas são objetos dos homens e à eles devem o respeito e a vida. O homem saudita, por exemplo, tem direito de vida e morte sobre as mulheres de sua família incluindo sua mãe e irmãs. Estas mulheres escravas num mundo machista são reféns do medo e da desesperança.


Quanto mais leio sobre a vida destas mulheres vítimas da ignorância e intolerância masculinas, mais dou valor à minha liberdade. Hoje, aos 32 anos de idade, sinto-me dona da minha vida e responsável pela manutenção de minha paz e felicidade.

Penso que a mulher é a mensageira do amor. Talvez porque seja dela a responsabilidade de gerar e manter a raça humana. Talvez porque seu ventre seja a origem de todos os homens do mundo. Talvez por sua beleza, sua graça e sua cor.

Ser mulher deve ser uma bênção e nunca um fardo pesado. É por isso que insisto em transmitir minha mensagem sobre a importância do poder pessoal, a força da paz interior e outras formas de manter o equilíbrio interno.

Sinto orgulho de minha condição feminina e sou grata por ter nascido em um país livre onde sempre poderei dispor de meu corpo, minha mente e de meu amor.

sábado, 5 de dezembro de 2009

POESIA ERÓTICA


Esta semana recebi, por meio de minha agente literária, um convite para participar de uma coletânea de poesias eróticas. É um livro feito para adultos onde o tema do sexo poderá ser tratado abertamente.

O convite deixa claro que o autor terá total autonomia para desenvolver seu poema. Achei o desafio interessante e resolvi aceitar a proposta. Ainda não rascunhei nem a primeira estrofe, mas por alguma coincidência do acaso, tenho lido alguns livros de poetas árabes que falam abertamente sobre a questão da sexualidade.

Li em tempo recorde o intrigante livro “Tempo de Migrar para o Norte” do autor sudanês Tayeb Salih, considerado um dos romances em língua árabe mais importante do século XX. O livro até hoje é proibido nos países do Oriente Médio por causa de sua conotação erótica.

Outra obra encantadora é “A Prova do Mel” da poeta síria Salwa Al-Neimi. Este livro já foi publicado em mais de dez idiomas e é um sucesso absoluto por tratar da sexualidade feminina existente por baixo dos espessos véus. Na trama, a autora estuda os textos e tratados árabes sobre sexo anteriores ao surgimento do Islã e de sua tirania castradora.

Os dois livros tratam do sexo como uma atividade normal, uma brincadeira de adultos onde não faz sentido sentir vergonha dos próprios desejos e das experiências libidinosas que todo mundo faz, mas nem todos assumem.

O sexo para mim sempre foi algo absolutamente normal. Nunca tive pudores ou problemas em assumir minha sexualidade e experimentar o que tive vontade. Esta liberdade é fundamental para que a pessoa se conheça e aprenda a ter uma relação saudável com o próprio corpo, a própria carne.

Ter uma vida sexual saudável é uma coisa, mas escrever e publicar um texto sobre ela é outra. No início fiquei apreensiva com a questão da exposição, mas depois entendi, relendo meus próprios poemas, que o tema sempre esteve ali. Nada explícito, mas está ali motivando alguns poemas.

Uma vez ouvi um escritor dizendo que você só se torna bom no ofício da escrita quando consegue escrever uma cena de sexo explícito sem soar piegas, vulgar ou evidente demais. Voilá!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

POETA E COLUNISTA!


Hoje estreei como colunista do site "Gosto de Ler", o site de colunas mais lido do Brasil! Meu artigo de estreia é sobre a perseguição aos poetas russos na época do comunismo. Toda semana estarei publicando um artigo novo relacionado à poesia, literatura, história e algumas crônicas também. Convido a todos os leitores a me acompanharem nesta nova jornada!

domingo, 29 de novembro de 2009

PODER PESSOAL



Precisei perder quase totalmente meu poder pessoal para compreender o quanto ele me é precioso. Se não estivermos no controle de nossas emoções, os problemas nos engolem como um mar em fúria.

As tempestades que destroem tudo fazem parte do caminho. No momento do aguaceiro tememos pela nossa vida. A escuridão, o desespero. Mas quando perdemos nossa força interna o encontro com o destino pode ser fatal. É importante não dar poder para as pessoas.


Somente no silêncio e no recolhimento é que posso entender com clareza princípios básicos da vida. É preciso manter o foco, perseverar em nosso caminho e sermos fiéis à nós mesmos.


Faça a sua parte sem medo. Algumas pessoas não vão entender o afastamento súbito. Outras vão tentar distorcer suas palavras. Outras ainda tentarão desmerecer o mérito do seu esforço. Não dê ouvidos a elas. Concentre-se em você.

Ter poder pessoal é ter coragem para dizer não diante de abusos. É ter coragem e sabedoria para entender o momento da retirada. É ter a garra de manter a integridade e a dignidade intacta a todo custo.


Há limites quando nos devotamos a ajudar os outros. Não podemos subestimar a capacidade das pessoas de se auto-curarem ou de procurarem por si mesmas um novo caminho.

Ter nas mãos as rédeas da própria vida é liberdade. Esteja à frente. Seja forte. Crie um mundo melhor onde você possa viver em paz.
Tamara Ramos

sábado, 28 de novembro de 2009

PAZ INTERIOR


É no interior de nosso corpo que nosso organismo se fortalece. Somente quando olhamos pra dentro encontramos a verdade imutável. Tudo é transitório, sem exceção. Todo prazer, toda a dúvida, todo o medo, toda angústia, toda tristeza, toda dor. Ser feliz é compreender que cada mudança faz parte do caminho. E que o caminho é eterno. Paz interior é sinônimo de amor próprio e de fé. Quando acreditamos na vitória, na superação dos obstáculos, na força da vida; entendemos que todos os acontecimentos fazem parte da experiência de evoluir. Dentro de nós mesmos há um universo de possibilidades infinitas. Há um lugar mágico e silencioso que pode ser acessado através da calma e da meditação. Somos fortes. Somos belos. Somos criativos. Somos deuses. E é por meio de nossa divindade que podemos acionar o destino para que ele trabalhe a nosso favor.
Tamara Ramos

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

AMOR À PROVA DE TODOS OS TESTES



"O AMOR NÃO TEM OUTRO DESEJO ALÉM DE SATISFAZER A SI MESMO"
Khalil Gibran



Ainda estou em busca daquele amor incondicional que não conhece limites, barreiras ou obstáculos. Às vezes penso que meu corpo foi feito de outra matéria, algo além de carne e osso. Minha capacidade de perdoar, esquecer e relevar sempre foi imensa. Subestimo a maldade do mundo. Penso que a humanidade inteira é dotada de boas intenções. Palavras de insulto me chocam. Pois dentro do meu peito pulsa um coração dourado. Pronto a iluminar minha vida e cheio de amor para compartilhar com os que amo. Creio também que o amor deve ser colocado à prova. Acredito no provérbio chinês que garante que aquilo que é do homem não será perdido nem mesmo se ele jogar fora! Quero ser amada na medida do meu amor. Continuo afirmando que as revoluções são possíveis, creio em profundas transformações, em mudanças radicais. E, acima de tudo, acredito no poder transformador do verdadeiro amor.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

PURIFICANDO O CORAÇÃO



O agito da cidade nos impede de enxergar a beleza do planeta. Ficamos presos aos sons da multidão, as preocupações do dia-a-dia, o descompasso interno. Quando percebemos a futilidade de tudo isso já estamos doentes. A ansiedade, o medo, a desesperança.

Todas as decisões são tomadas no momento de desespero. Agimos no piloto automático, não pensamos, não refletimos, não escutamos o clamor do coração. Estamos viciados em coisas nocivas, estamos acostumados a usar palavras duras, perdemos a sutileza e o bom senso.

Este final de semana fugi para as montanhas. Dois dias dedicados ao silêncio e à contemplação. A calma, a beleza da vida pulsando, a liberdade das aves. Banhar-se em águas limpas que jorram da terra. Sentir o tempo parar.

Passei o final de semana em oração. Olhando para dentro ou olhando para o céu estrelado. Sentindo os animais se aproximando. E aquele sol que eu amo tanto iluminando a minha vida.

Tomei consciência de quem sou e do que quero realizar nesta jornada. Entendi que nunca estamos sozinhos. A força da vida nos impulsiona para frente. O corpo de repente se levanta. A visão amplia. A audição se expande. E entendemos que somos seres criativos com talento e poder suficiente para desencadear uma revolução positiva.

Sentada no chão rodeada de gatos ou carregando um papagaio simpático em meus ombros, entendi que estou pronta para compartilhar amor. Quero ensinar aos meus filhos sobre a graça de estar vivo. Quero que eles também desenvolvam um amor incondicional por todas as coisas vivas. A felicidade é sim uma questão de escolha. Pois eu faço esta escolha!

Não vou mudar o mundo, mas posso ser um exemplo de paz.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

DEIXE IR




O sofrimento consiste no apego. Na ilusão de que podemos controlar pessoas, momentos e o próprio destino. Escrevemos um script para nós mesmos e, como um diretor impertinente, não aceitamos falhas ou mudanças no nosso roteiro.

Pensamos que nossos sonhos são grandes o suficiente para atrair seguidores cegos. Nos esquecemos dos sonhos individuais de cada um. Damos tudo o que temos na esperança de mantermos a companhia na sala de visitas. E nos entristecemos ao final do dia quando nos percebemos sós.

Pois tenho aprendido muito com a minha solidão. E tenho aprendido que devemos seguir os sonhos individuais sem medo. A palavra tem força. Somos o que acreditamos que podemos ser.

Não sei se a poesia fez de mim uma sonhadora ou se me tornei poeta por causa da eloquencia dos meus sonhos. O que importa é que tenho verdadeira paixão pela vida. Amo acordar sob o calor de mais um dia de sol. O canto das aves me encanta. O som de algumas músicas fazem meu corpo dançar sem esforço. Sinto que estou cada vez mais conectada com as cores e as possibilidades da vida.

Sinto saudade das pessoas que optaram seguir diferentes caminhos. Mas meu amor por elas continua vivo dentro de mim. É por isso que resolvi testar uma nova estratégia: deixar ir.

Deixe ir as pessoas que não compartilham dos mesmos projetos, sonhos, a paixão pela vida. Deixe ir a falta de amor, o pessimismo, a infelicidade perpétua. Deixe ir o medo do compromisso, o sarcasmo, a cara feia. Deixe ir os amigos que já não são sinceros. Deixe ir o amor que te confronta e fere. Deixe ir as pessoas que julgam, abusam e lançam veneno por meio de palavras duras.

Deixe ir embora tudo aquilo que te faz mal.

Somos todos um campo magnético. Atraíremos, sem falta, aqueles que nos correspondem. Atraíremos mais amor para nossas vidas, atraíremos beleza, esperanças e força para prosseguirmos com nossos projetos. Atraíremos o que acreditamos ser possível.

Deixe ir. Não fique triste com as fases de reconstrução da vida. Não há revolução profunda sem um pouco de angústia. Deixe as pessoas livres para fazerem o que quiserem. E siga você também seu próprio caminho com o coração aberto e a coragem em admitir quem você é e o que realmente quer.

Tamara Ramos

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

LENDO E ESCREVENDO



Neste final de ano estou tendo a oportunidade de dedicar muitas horas do meu dia ao exercício da leitura e da escrita. Desci uma série de livros antigos de minha modesta biblioteca e os estou relendo com entusiasmo infantil. Dom Quixote de La Mancha, O Pequeno Príncipe, Shakeaspeare, Sócrates e Aristóteles fazem parte de meu repertório atual. Estas obras me dão energia e uma vontade imensa de continuar a escrever meus próprios livros, de contar minha própria estória.


Sou uma pessoa bastante espiritualizada. Estas leituras que elevam a alma também me alimentam muito. Nos últimos quinze dias tenho dedicado todo meu tempo ao desenvolvimento de meu segundo livro de poemas. Este é um livro mais espiritualizado, que reflete minha visão de mundo e minha força interna. Não sou uma pessoa dada a grandes festas. Gosto desta vida mais calma, do recolhimento, da paz interior e da liberdade de fazer o que se quer sem ser interrompida.


O trabalho do escritor é muito pessoal e exige comprometimento. Se não houver dedicação não há obra. Se eu não me sentar e dedicar meu foco às palavras, ninguém sentará e escreverá por mim. Mas devo admitir que este exercício da escrita me estimula e cura.


Quando passo por alguma dificuldade na vida ou em meus relacionamentos pessoais, dedico 100% do meu tempo à literatura. Para mim é um processo de cura. Para algumas pessoas é importante sair, se divertir, esquecer o problema. Pois eu prefiro parar, sentar e analisar tudo com calma. E não raro, meus problemas acabam quando viram poesia.


Esta semana uma amiga querida presenteou-me com vários audio/books. Entre eles estava "Os 4 Compromissos" de Don Miguel Ruiz. Este livro me trouxe inspiração e paz interior. Os 4 compromissos são: Tomar muito cuidado com a palavra (as palavras tem força, podem criar ou destruir), não levar nada para o lado pessoal, não fazer suposições e fazer o seu melhor.


Princípios básicos, mas difícieis de colocar em prática! Portanto há bastante trabalho para mim nesta atual fase de minha vida. Corrigir defeitos pessoais, ler muito, escrever ainda mais e aproveitar este momento para fazer um balanço de toda a minha vida.

Mas como leitora não estou nunca sozinha! Os grandes mestres da literatura tem dormido ao meu lado e me inspirado a criar mais e melhor a cada dia.

domingo, 15 de novembro de 2009

FOME DE VIVER


Há algo diferente acontecendo comigo. Talvez seja a proximidade do final do ano. As novas possibilidades, o tempo de renovar a esperança. Não sei bem o que é. Mas algo em mim amanheceu. Acordo inspirada de madrugada, tenho fome de outros temperos, outras cores, novas canções. Ando me flagrando sonhando acordada, apaixonada pela vida. Como um girassol que persegue o sol ando perseguindo projetos mais altos. Dizem que a mulher de 30 passa por grandes transformações. Mês que vem completo 32. Vai ver é isso. Nenhuma brutalidade me abate. A guerra do Irã não tira meu sono, a fome do Brasil não abala meu apetite, a ambição da corrupção não destrói minha fé no futuro. Como Dom Quixote de La Mancha ando meio com vontade de conquistar o mundo. E experimentar novos perfumes, e ouvir novas histórias e conversar com todo mundo. Há algo diferente acontecendo comigo. Me sinto maior e com uma extraordinária vontade de engolir a vida.

domingo, 8 de novembro de 2009

BLOG DE CARA NOVA!



Em dezembro estaremos comemorando 2 anos do lançamento deste blog. Para celebrar convidei, mais uma vez, meu querido amigo e designer gráfico Gustavo Maioli para desenvolver o novo visual do blog. Desde o lançamento do blog em dezembro de 2007, temos recebido uma média de 30 visitas diárias, o que consideramos ser um sucesso uma vez que não houve divulgação expressiva na mídia.


Nestes últimos dois anos tenho trabalhado exaustivamente na produção de livros. Concluí três livros de poemas e meu primeiro romance também está a caminho! Escrever é mais do que um prazer, mas uma forma de terapia. Neste processo revelamos o que está escondido até de nós mesmos nos recônditos de nossas almas. Mas o resultado final é sempre libertador e surpreendente!

A poesia por vezes é considerada uma arte menor. Alguns críticos e também editoras desacreditam na arte do poeta. Porém eu sempre fui uma defensora voraz dos poetas e da poesia. Os poetas tem desenvolvido seus poemas desde os primórdios da cultura humana e, através deles, pudemos manter um registro magnífico da nossa história.

A poesia é a linguagem da arte. O poeta se utiliza das palavras como um grande mestre se utiliza dos pincéis para criarem suas grandes obras. Esta paixão pelas cores das palavras construiu em mim uma poeta apaixonada e incansável.

O blog está de cara nova por motivo de celebração! Escolhemos a temática das Mil e Uma Noites como forma de homenagear Sherazade e os grandes contadores de histórias do Oriente. A arte do oriente seduz pela facilidade com que instiga e liberta nossa imaginação. Histórias fantásticas são transmitidas de geração em geração cultivando em seus ouvintes o fogo da grandeza da humanidade e de seus heróis. Não questiono a moralidade de nenhum texto. Apenas quero manifestar meu fascínio pela arte de inventar e contar uma boa história.

Sherazade também era uma poeta, pois foi colorindo seus contos com a paleta da poesia que manteve o sultão e o resto do mundo encantados por ela até hoje!

O livro "E eu que era tudo ou nada ao meio-dia" está para ser lançado. Para esta façanha conto com o apoio de minha querida agente literária Diana Alanchez que tem movido céus e terra para convencer as editoras da grandeza do texto poético. Não é um trabalho fácil, eu sei. Mas ninguém disse que era fácil lutar pelos sonhos.

Gustavo e eu criamos este blog para que ele seja um portal para a arte e poesia na internet. A proposta aqui é liberar a imaginação, despachar os preconceitos e abrir o coração através da leitura de textos e poemas que glorificam a mais absoluta liberdade de expressão.

Creio que as manchetes de jornais sejam fontes suficientes de más notícias sobre as mazelas do mundo. Nosso trabalho foi desenvolvindo para caminhar na direção oposta. Desejamos que este portal seja um refúgio de descanso e deleite para os leitores.
Espero que todos possam encontrar ao menos uma frase em meus textos que os façam sorrir.

Obrigada aos leitores e aos amigos!

Tamara Ramos

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O AMOR É A RESPOSTA



Às vezes penso que a vida poderia ser mais prática. Tudo o que precisamos é de um pouco mais de paciência com os outros e com nós mesmos. Perseguimos ruas sem saídas por ignorância, porque nos recusamos a abrir os olhos e ampliar nossa visão. Os dias são sempre iguais. Ele não se cansa de amanhecer. Não há ninguém mais perseverante do que a vida. Não importa se há dor no coração, solidão na imensidão, ausência de perspectiva ou desconforto mental. A vida simplesmente não se importa. O sol se levanta, sempre. Se refletirmos um pouco entenderemos que o amor é a resposta. O amor é aquele sentimento doce que nos faz sorrir do medo, que vê graça no trânsito das pessoas aflitas, que se encanta com a beleza das flores e perdoa sem mágoas os erros dos amores. O amor enche a alma de expectativas, oferece suporte, enfraquece a brutalidade, gera esperança. Acredito sinceramente que toda forma de mudança é possível. Acredito em revoluções pacíficas. Acredito que estamos aqui para sermos felizes. O sofrimento é um atalho que pode ser evitado. O medo é um obstáculo que pode ser descartado. A raiva é sinal de desesperança. O amor é a resposta para as questões da angústia, do temor e da escuridão da alma perdida.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

MULHERES NOTURNAS


By Tamara Ramos
Cai a noite sobre a face das mulheres noturnas. Mulheres soturnas, feiticeiras sombrias, conhecedoras de mistérios, guardiãs de devaneios. A mesa posta à luz de velas mais histórias para contar. E ela repassa os sonhos de ontem, a fantasia, a alegria de um mundo paralelo. Como uma fênix azul ela renasce das cinzas maior do que antes. Gigante de auto-estima, bela como a sombra da floresta, nova outra vez, mais uma vez mulher. E ela nasce novamente livre para encantar outros ouvidos, almas curiosas ávidas de imensidão. As mulheres noturnas guardam segredos em camas que fervem sob o sol quente e sob o luar. E ela sempre foi assim, seguindo sorrindo, querendo mais do que a vida pode dar. E no fundo dos seus olhos negros toda a fome do mundo parece saciar. E ela vai se abrindo como as flores do campo santo, enfeitadas de cores para te aninhar. Sou uma mulher noturna que crê em mistérios, renascendo das cinzas e da terra sagrada. Acordei hoje cedo com o dobro do meu tamanho e uma vontade soberana de viver mais e amar.

sábado, 17 de outubro de 2009

OLHO GRANDE



Peço proteção contra o olho grande do mundo,
O desejo de me devassar por dentro,
Explorar meus segredos,
Revelar meus desejos,
Expor minhas entranhas.

Guardo o direito de preservar meus pensamentos,
De manter a chave longe dos olhos adultos,
De me manter calada.

Peço proteção contra o olho grande do mundo,
O desejo de possuir meus sonhos,
Naufragar meus devaneios,
Destruir meus castelos,
Expor minhas entranhas.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DOIS



Há mais coisas a se dizer aos amantes,
Coisas de outras moradas,
Casais encontram flores por onde passam,
Plantam e colhem ilusões,
Caminham juntos pela mesma estrada,
Tropeçam pedras paralelas,
Visitam a noite e o alvorecer,
Contam histórias tristes de outras épocas,
Lamentam erros passados,
Temem o amanhecer.

Há mais coisas a se dizer aos amantes,
Coisas de outras moradas,
Vidas compartilhadas à toa,
Vidas despedaçadas.

E há os desencontros,
E as brigas de cinco minutos,
Os dez dias sem falar nada,
A separação de corpos.

E há ainda os anos perdidos,
A saudade e a solidão,
Muita conversa para nada,
O desgosto e a desilusão.

Mas há que se falar aos amantes,
Que nem tudo é sepultura,
Pois há também os jardins,
E as aves brancas que sobrevoam o leito.

Há mais coisas a se dizer aos amantes,
Lembrar que agora eles são dois,
Duas vidas entrelaçadas
Sob a proteção de um teto comum.

E se desapontar,
Se desacelerar o antigo passo,
E mesmo se descompassar,
Seguirão na mesma estrada.

Duas vidas a desenrolar,
Novas cores,
Prantos doídos,
Gritos proibidos,
Dois.

Há que se falar aos amantes,
Sobre as coisas de outras moradas,
Histórias parecidas,
Para sempre compartilhadas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

SHAKEASPEARE CONTEMPORÂNEO



“Ser ou não ser?” Será mesmo esta a questão? Tenho estudado a literatura universal há mais de quinze anos. Os autores clássicos internacionais Vitor Hugo, Goethe, Rousseau, Schopenhauer, Homero, Maquiavel, apenas para citar alguns, têm acompanhado minhas noites insones desde o princípio de minha adolescência.
Todo leitor apaixonado encontra nos livros bons motivos para chorar, rir, questionar, indignar-se, emocionar-se e, principalmente, filosofar.

O maior tesouro das bibliotecas antigas é que elas guardam um segredo fascinante: a fragilidade da condição humana e a supremacia de suas paixões! Sempre me surpreendo ao encontrar nos textos provenientes da Idade Média, quando não de épocas anteriores, sacadas contemporâneas e questionamentos tão modernos quanto os textos novíssimos da Gazeta de ontem.

Decidi falar um pouco sobre a obra de sir. William Shakespeare, uma vez que encontrei em seus livros um bom motivo para perder várias noites de sono. Pergunto a vocês leitores: já leram alguma peça de Shakespeare? Se a resposta for negativa, sugiro que comecem hoje mesmo!

Datado do final do século XVI e início do século XVII, o dramaturgo mais famoso da Inglaterra nos oferece em sua obra um banquete de humor, teorias políticas, história, sentimentos do mais sublime amor a mais profunda ira, intrigas, revoltas, vinganças e vitórias onde, quase sempre, os fins justificam todos os meios.

Sabe aquela necessidade atávica que temos de encontrar um grande e verdadeiro amor? Romeu e Julieta também tinham. Sabe aquela vontade inflamável de vencer a qualquer custa? Macbeth conhece bem. E aquela determinação de conquistar quem amamos sem prever limites? Petrúqueo vai dar a você grandes dicas enquanto doma a megera!

O novo leitor das peças de Shakespeare ficará intrigado e fascinado com as semelhanças que irá encontrar entre os personagens da obra e seus amigos ou conhecidos da vida real. Todas as mazelas do mundo estão descritas ali envoltos sob uma áurea poética e, irresistivelmente, sedutora. O aclamado humor britânico poderá ser saboreado em toda a sua majestade enquanto folhear “ A Megera Domada” (1594), “A Comédia dos Erros”(1593) , “Muito Barulho Por Nada”(1599) e “O Mercador de Veneza” (1597).
O leitor também conhecerá um pouco da história da monarquia com as peças baseadas em personagens reais como “Ricardo III”(1593).

A tragédia e a loucura também presentes em sua vasta obra são de uma profundidade arrebatadora! As peças de “Hamlet”, “Macbeth”, “A Tempestade” e “Othelo”, levam o leitor à beira do precipício da insanidade, do pessimismo e do desespero.

Convido a todos os leitores, profissionais ou amadores, que embarquem nesta viagem fantástica pela era shakespereana, onde a dor e o humor são o maior alimento para alma humana.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O ESCRITOR FIEL


Eu nunca havia ouvido falar do Códex Gigas. E olha que eu sou uma telespectadora fiel ao Discovery Channel e à National Geopraphic. Todo documentário histórico me interessa muito. Gosto de filmes antigos, obras do passado e relatos medievais que tragam à luz a vida da humanidade em tempos remotos.

Mas confesso que me assombrei ao ouvir a história do Códex. No início do séc. XIII havia um monastério em Praga onde os monges vestiam preto e enterravam vivos os infiéis. Nada novo considerando o sem fim de absurdos cometidos pela mais atroz das instituições religiosas. Porém, encerrado numa cela escura, um homem dedicou-se por mais de trinta anos a escrever um único livro: O Códex Gigas ou a Bíblia do Diabo.

Os estudiosos dizem que este homem havia traído a confiança dos clérigos e foi condenado a ser cimentado vivo na parede do Monastério. Já ouvi relatos de fogueiras que queimam corpos, campos de concentração, e todo tipo de tortura insana. Mas cimentado vivo em uma parede? Isso foi novidade pra mim.

A História conta que este monge condenado fez um trato com seus carrascos, ele garantiu que escreveria toda a história do Monastério em um único livro e em uma única noite. Pelos estudos atuais sabemos que ele levou mais de trinta anos para concluir o feito, mesmo assim sua obra é incrível. Os peritos concluíram que o livro inteiro foi escrito por uma única mão. Coerente do início ao fim.

Acredita-se que o autor fez um pacto com o diabo para que sua vida fosse preservada. Na verdade o livro não adula o demônio, nada mais é do que a compilação de relatos bíblicos. O grande diferencial é que ele desenhou o rosto do demônio numa página inteira da bíblia ao lado oposto ao paraíso de modo que ambos se completam e se distinguem simultaneamente.

Esta história do monge mexeu comigo. Como pode um homem dedicar uma vida inteira a escrever um único livro? Como escritora tenho dificuldade em manter a disciplina diária. E a cada novo dia novas impressões me chegam o que acaba por inspirar uma diversidade enorme de temas.

Será que o monge manteve a disciplina por medo ou porque realmente havia dentro dele uma determinação quente, capaz de ampará-lo continuamente? Este homem, pelo que conta a história, não via a luz do dia.
Ele habitava um porão úmido, sem conforto algum. Mas isso não aniquilou seu talento de escriba.
Desconheço os motivos reais que alavancou um trabalho hercúleo como o Códex, mas curvo-me em reverência ao talento de um escritor que desenvolveu meu ofício com perfeição há oito séculos antes de mim.

sexta-feira, 17 de julho de 2009


O FUTURO DA INDECISÃO
By Tamara Ramos




Amanheci à sombra de um dia inédito,
Que me aguardava sereno enquanto dormia,
Percorri ruas sem saídas,
Estradas velozes de asfalto fresco,
Visitei canteiros de flores vermelhas,
Rindo em silêncio do obsceno flerte.

Dormir, acordar, dormir,
Todos os dias o impasse demente,
Quem sou ainda eu?

Tentei escrever versos tristes ao som de Chavela,
Mas nada havia de descompasso em mim.

Subitamente descobri o que queria e,
Estava tão disposta a vencer,
Que me pus novamente em pé.

Era mais do que qualquer pessoa suportaria,
O homem alado,
Sobrevoando os próprios fracassos como se não os fossem seus.

Mas era tarde para ter pena de si mesmo,
Melhor era trocar a roupa velha do corpo igual de cada dia,
E experimentar novas cores.

O tempo ainda não sabe se colabora ou corrompe,
E o tema da ingratidão ainda dá ibope nos templos secos.

Falei demais, sonhei demais, desejei mais do que devia,
E ao invés de guardar para mim todos os impropérios,
Saí compartilhando absurdos.

É mais do que evidente que minhas intenções foram distorcidas,
Mas quem se arrepende de trazer à luz algum anseio?

No último minuto resolvi voltar atrás,
Tarde demais,
Tudo já havia passado.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

CARTAS DE AMOR



“Obrigado por suas cartas durante todo este tempo
– por cada palavra escrita,
e pelo espírito divino que habita em cada uma delas.”
Khalil Gibran


Khalil Gibran escreveu 600 cartas de amor para sua amada Mary Haskell entre os anos de 1909 e 1924. O profeta/poeta traduziu em palavras toda a ebulição que fervia em sua alma libanesa. Cada carta de amor do profeta equivale a um poema universal, capaz de comover e inspirar gerações mesmo anos após a sua morte.

Os poetas escrevem cartas de amor em versos limpos. Cada palavra escolhida é como flores colhidas a um buquê especial. Há no processo da escrita algo sutil. O escritor semeia palavras com convicção e vento. E o verso pronto equivale a colheita de um imenso jardim.

Dedico-me ao ofício da escrita há mais de quinze anos, e ainda não me considero capaz de revelar todos os segredos guardados nos dicionários. Às vezes planto rosas e colho tempestades no jardim das palavras. Envio cartas cuidadosas a leitores descuidados e então, chove em minha casa.

Khalil Gibran queixava-se de sempre parar antes de alcançar seus sonhos. Ele dizia que sempre alcançava somente a sombra dos seus desejos. E se ressentia disso.

Creio que alcançamos muito mais com as palavras do que nossas mãos jamais poderão tocar. As palavras nos levam distante. Contam-nos segredos do Oriente, transmitem odores de Istambul, caminham entre a escuridão e a luz.

Ás vezes também escrevo cartas de amor. E o que é o amor além das palavras? O amor nasce e morre nos meus textos. Levanta-se, expande-se, alcança a imensidão... E então, como um ponto final concluindo uma frase, termina por extinguir-se.

O amor sobrevive nas palavras. Uma carta de amor é a mais perfeita testemunha do próprio amor que presenciou ali. Um amor capaz de compor uma carta é um amor real.

Khalil acreditava que um dia ele seria o homem para quem as cartas de Mary eram escritas. Ele não se reconhecia nas palavras doces de Mary, porque Mary também o idealizava quando escrevia.
Escrevo cartas de amor como uma prova honesta do próprio amor. Porque assim como a primavera vive nas flores, o amor vive para sempre nas palavras dedicadas a ele.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ÀS VEZES EU TENTO



ÀS VEZES EU TENTO
By Tamara Ramos


Às vezes eu tento estancar o sangue em ruas onde não transito. Vejo o noticiário da noite anunciando tragédias cotidianas. Perco o sono, perco a classe, acabo falando um palavrão. Tá tudo um caos no interior da África. A fome continua imensa na periferia do Brasil. Osama Bin Laden continua em liberdade. Caminho entre a sala e o quarto do meu pequeno apartamento localizado aos pés do mar. Faz tanto tempo que não choro de verdade. Nem de dor, nem de alegria. Às vezes eu tento sentir um pouco de empatia. Mas nada adianta. Não consigo me colocar no lugar de estranhos. Penso que a realidade é relativa. Não há espaço para grandes tristezas na minha vida. Amo cada minuto do meu dia. Amo minha vida. Acredito que todo mundo carrega um talento consigo. O meu foi descoberto cedo: amor à arte e uma capacidade imensa de adaptação à montanha-russa da vida. Às vezes eu tento estancar o sangue das ruas onde não transito. Às vezes gostaria de ser um pouco mais humana. Às vezes eu tento fingir que acredito na dor do mundo. Mas o fato é que eu não consigo. Só sei viver assim, em perpétuo estado de paixão e de insana expectativa.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O HOMEM POR TRÁS DA CÂMERA



Gustavo Maioli é o grande responsável pelo meu trabalho artístico. Ele é o fotógrafo de todos os meus ensaios, produtor deste blog e responsável por toda a produção do meu próximo livro, que já está em fase de finalização.
Gustavo e eu estamos trabalhado juntos há alguns anos e nossa amizade cresce a cada dia. Formado em Marketing, Gustavo também atua como designer gráfico e trabalhou no Kabballah Center de Londres contribuindo para a divulgação do local. Sim, ele conheceu a Madonna e participou de várias cerimônias ao lado da diva.
É com muito orgulho e admiração que publico esta foto num dos raros momentos em que não estamos trabalhando!
Gu, obrigado pela amizade, confiança, trabalho árduo e determinação que tem dedicado ao meu projeto literário!

terça-feira, 30 de junho de 2009

ÁGUA FRIA


Afoguei meu passado num mar de água fria. Tudo congelado de repente. Como se não fosse nada. Como se não tivesse acontecido. Meus erros enrijeceram na velocidade da luz. Cristalizados para sempre no fundo do oceano. As lamentações, as dúvidas e os arrependimentos afogaram-se sob ondas profundas. Mergulhei corpo e cabeça e congelei memórias inúteis. O corpo tremia de contentamento. Nada mais de antigo havia ali. Renasci do ventre de outra mãe. E então olhei ao redor e tudo parecia tão calmo. Eu nua, como no primeiro batismo e o oceano ali sozinho, olhando pra mim. Descobri que talvez eu viesse do mar. Azul sempre. Azul como as minhas antigas lembranças. Azul como a piscina onde brincava meu corpo infantil. Azul como a maioria dos meus poemas. A água estava fria. O mar. O vento sul. Meu passado. Meus erros. Tudo encharcado agora. Havia uma sereia em meus pensamentos. Tive a impressão de tê-la visto sorrir.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SE EU NÃO PUDER DORMIR ESTA NOITE



SE EU NÃO PUDER DORMIR ESTA NOITE

By Tamara Ramos

Se eu não puder dormir esta noite,
se o barulho da cidade atormentar minhas lembranças,
se a fome de aventuras impedir o descanso do meu corpo,
se a fortuna, a fama e a casa vazia forem a leilão,
se minha vida der uma volta de 360 graus às cegas,
se tudo que plantei germinar em solos distantes,
se tudo que amei couber numa caixa de aço,
se minhas mãos paralisarem,
se minhas pernas dançarem,
se a felicidade bater novamente à minha porta,
estarei pronta a qualquer hora.

Se você voltar mais cedo,
se o tempo perdido revelar-se útil,
se eu chegar a tempo de impedir o temporal,
se a vida parecer promissora de repente,
se tudo ficar mais fácil,
eu direi sim.

Direi sim às 4 horas da madrugada de domingo,
direi sim às infinitas noite de espera,
direi sim aos fracassos,
às vitórias,
aos medos ,
às desilusões.

E de repente tudo parece tão velho,
tão distante de mim.
letra morta,
lei posta,
tempo fora de moda,
fim.

E tudo pulsa novo aqui por dentro,
o sangue ferve,
as horas voam,
o amor se apresenta,
e tudo que fiz até aqui,
já não importa mais.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O DESERTO



O DESERTO
By Tamara Ramos


Esta noite sonhei que caminhava sozinha pelo deserto. Desde muito nova sinto uma imensa atração por esta região árida, entregue à própria sorte. Sob o sol inclemente que clareia a mente, pisando a areia fina que acolhe os pés, ouvindo a música dos beduínos. Para alguns parece o fim do mundo. Para mim, o deserto renova a alma e me faz pensar em novos caminhos.

Talvez por ser poeta eu tenha uma visão romântica demais das coisas. O fato é que nada me realiza tanto quanto poder ver estrelas sob um céu sem nuvens, me sentir parte de algo maior do que eu. O deserto me faz pequena e grande. Despir-se de todos os bens, dos apegos, das paixões.

Uma vez no deserto tudo que conta é a manutenção da própria vida. Quando não há mais ninguém para conversar, vem a vontade de orar. Quando não há nada mais a fazer, vem a renúncia e a espera. Quando somos muitos, esquecemos que somos um.

Uma vastidão solene diante de mim. Nos meus sonhos. Quem sou eu afinal? Por que tanto medo? O que poderia dar errado comigo? Nasci sob o signo da serpente. Herdei dela a capacidade de trocar de pele, a coragem de correr riscos.

Acordei às quatro horas da manhã. Senti meu corpo queimando como se houvesse passado a noite sob o sol. Pensei na minha vida. Não carrego arrependimentos. Nunca parei para pensar no conceito do pecado. Nunca lamentei meus fracassos. Nunca dei festas para comemorar vitórias.
Talvez habite em mim um beduíno do deserto. E ele segue em frente sem pensar no tempo. E me carrega pra longes que jamais sonhei pertencer.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A FELICIDADE VEIO ME VISITAR ESTA NOITE

To Stefan: Thank you for making me smile.




A felicidade veio me visitar esta noite,
Chegou em silêncio,
Suspirou algo em meus ouvidos,
Abriu uma janela à minha frente,
Ofereceu uma saída incomum.

O céu estava mais claro,
A brisa noturna sussurrou um verso de amor,
O início de uma nova história,
Um novo dia.

E eu, pronta para viver mais, aquiesci.
E fiz novamente as malas,
E rumei para outra estação.

E chegando lá tomei o caminho mais curto,
E não havia mais peso às costas,
Não havia mais correntes.
Nem discursos,
Nem sermões.

O espelho refletiu a face de outro alguém,
Uma versão melhor de mim,
Livre outra vez,
Sem passado,
Sem juízo,
Sem amarras,
Sem depois.

A felicidade veio me visitar esta noite,
Chegou em silêncio,
Suspirou algo em meus ouvidos,
Me tirou pra dançar,
E assim em paz permaneci até a noite acabar,
E fui além,
Fui mais feliz.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PALAVRAS



PALAVRAS
By Tamara Ramos


Às vezes as palavras ficam melhores no papel. Há coisas que não devem ser ditas. As palavras nem sempre voam. Às vezes elas se repetem num argumento inútil. Ás vezes não há mais nada a dizer, mas ainda resiste aquela sensação de que restaram palavras importantes que não foram ditas. Como se meia dúzia de palavras inéditas pudessem explicar melhor o mesmo assunto. Aquele tema gasto, revisado, revirado, discutido mil vezes. Não sei o que as pessoas pensam quando me escutam falar. Também não sei o que elas pensam quando lêem meus textos. Sinto falta de um bom argumento. Sinto falta de um interlocutor perspicaz. Às vezes falo pro vento. Às vezes falo comigo mesma. Escrevo cartas que não envio. Escrevo livros que não publico. Escrevo palavras. Escrevo porque tudo fica mais claro quando consigo organizar meu pensamento. Escrevo porque sou escritora. Já nem me lembro quando fiz disso uma profissão. Não chega a ser um trabalho sério, é só um desabafo. Eu tenho alguns amigos, mas nem sempre eles entendem minhas palavras. Às vezes se impressionam com meus textos e me mandam e-mails emocionados. Mas nunca sei se eles realmente entendem o que eu tenho a dizer. Nem sempre tenho algo a dizer. São só palavras. Mas eu preciso delas como preciso de ar. E sigo escrevendo. E falando. Palavras de amor, palavras de ferro, palavras de desespero, minhas próprias palavras. Queria encontrar palavras mágicas que me trouxessem de volta o sono perdido, o tempo passado, a sua companhia. Mas eu não sou mágica. Não faço a menor idéia de onde eles tiram aqueles coelhos. Tudo que conheço são palavras. E nem sempre elas me bastam.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

É TUDO MUITO CHATO



É TUDO MUITO CHATO

By Tamara Ramos


É tudo muito chato, essa falta de assunto, de jeito, o desaviso, o desajuste interno. É tudo muito chato, essa falação na rua, a falsa intimidade, o tempo frio e o desemprego. E a gente vai seguindo em frente fingindo que não tá sentindo, que não tá vendo. Vai mentindo pra si mesmo, enganando o tempo e o desassossego. E a gente finge ainda que presta atenção às notícias, que se interessa pela guerra da Coréia e pela chatice da novela. E vai falando assim consigo, ruminando impropérios, reclamando do mundo em silêncio, sem comprometimento. E vai tentando levar a vida de leve, meio sóbria, meio aérea, meio acordada, meio dormindo. E tem gente que vem vindo assim grunhindo desde muito tempo. E ainda tem a chatice da miséria, a fala mansa do pastor na tela, distorcendo verdades, mentindo. Sem falar no telefone que não toca, o e-mail que não chega, a carona que desacelera. É tudo muito chato quando ainda por cima é domingo, a cara meio de sono, a preguiça e o mau tempo. É tudo muito chato quando eu estou aqui sozinha e você aí tão longe, sabe Deus fazendo o quê.

sábado, 23 de maio de 2009

POESIA PERSA: RUMI - O POETA DO AMOR



POESIA PERSA: RUMI - O POETA DO AMOR

“Silêncio.Não explique o fundo de seus mares.” Rumi

Descobri a poesia de Rumi tardiamente. Já havia lido alguns de seus poemas na juventude e não sei por que razão levei tantos anos para reencontrá-los. Estou vivendo um caso de amor profundo com Rumi. Ele tem dormido ao lado de minha cama, sussurrado versos aos meus ouvidos e inspirado obscenamente minha produção poética atual e minha vida pessoal.

Djalal ad-Din Rûmi nasceu em setembro de 1207, onde hoje está o Afeganistão. Rumi é considerado o maior poeta persa de todos os tempos. Sua vasta obra, composta por 70.000 versos, é comparada pelos estudiosos à grandiosidade de Shakespeare, Dante e Beethoven.


Rumi fala de amor, mas não desse amor pequeno e fugaz que testemunhamos nas relações de hoje. A obra de Rumi fala de um amor maior. Um amor maior que a Terra, mais profundo que o oceano, mais quente que o sangue que corre em todas as veias. Rumi fala de um amor espiritual, um amor que transcende o tempo, a vida e a morte.


Aos 30 anos de idade Rumi conheceu seu guia espiritual e seu amante Shams de Tabriz. Shams era um homem de 60 anos à época, um marginal sem casa, sem futuro, sem medo e sem rumo. Seu apelido era “pássaro”, pois era incapaz de permanecer por muito tempo em um único lugar. Shams pregava pelas ruas sua verdade espiritual.


Shams e Rumi passaram meses isolados em comunhão espiritual. Eram almas gêmeas e buscavam uma meta única: a integração total com Deus. Rumi era um ser espiritual, mas não religioso. O amor que ele pregava era maior, incapaz de conter preconceitos, dogmas inflexíveis, punições. A poesia de Rumi é carregada de beleza terrena e divina, onde se é permitido amar, beber, viver e entregar-se ao amado (Deus).


Quando Shams morre, provavelmente assassinado por algum discípulo enciumado de Rumi, sua poesia sobe vários degraus e alcança o cume de uma montanha altíssima: a montanha do amor universal e da união mística.


Para Rumi a vida só tem sentido para quem sabe amar. Só quem ama conhece a imensa alegria e a profunda dor. Quem ama é do amor prisioneiro e senhor. Somente aquele que ama pode expor-se ao meio-dia sem queimar-se.


Rumi viveu um amor maior. Abençoado seja Rumi, que ele inspire nossas vidas e liberte nossos corações.

ANDO EM MIM PERDIDO


ANDO EM MIM PERDIDO
(Homenagem a Rumi)
“Quando se aquietam os lábios,
mil línguas ferem o coração”.
Rumi
Ando em mim perdido,
Por ruas estreitas que me apertam o peito,
Vielas duras de asfalto frio,
Como por dentro.

Foste a vida feita para se viver sem medo?
Foste a morte o augúrio de um mau pressentimento?
Onde está aquele tempo que amei?
Onde está o tempo?

Amei Shams de Tabriz nos versos de Rumi,
Amei Rumi,
E ao meu lado o que tenho?
Trovão e vento.

Meu coração partiu mais de dez vezes,
Mas não me lamento,
Pois meu modo de amar ainda me assombra,
mas sigo fervendo.

Percorri o túnel do meu próprio tempo,
Enterrei pessoas queridas,
Trouxe à vida uma obra vasta,
Talvez inútil, mas vasta.

Ando em mim perdido,
Por ruas estreitas que me apertam o peito,
Vielas duras de asfalto frio,
Como por dentro.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

VOCÊ VAI ME ENCONTRAR


VOCÊ VAI ME ENCONTRAR
By Tamara Ramos
"I am your harp,
play me easy,
play me hard,
or don't touch my strings at all."
Rumi
Você vai me encontrar em todos os quartos de uma casa que não é minha. Vai me encontrar pelas ruas desertas do seu país. Vai me encontrar ao lado direito de outra cama. Nos livros escritos em outro idioma. Nas areias de outras praias. Vai me encontrar na garagem vazia. Nos arredores da cidade em festa, nas livrarias e no Tribunal. Você vai me encontrar na estrofe de sua música preferida. No seu automóvel com cheiro de novo. Você vai me encontrar sem querer, por acidente, nos seus sonhos. Vai me encontrar na fila do banco. No bar da esquina. No terraço plano e no precipício. Você vai me encontrar em lugares altos. Vai subir montanhas e desbravar fronteiras infinitas. Você vai me encontrar mais perto. Você vai procurar. Você vai me encontrar.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A BELA ARTE DE LEONID AFREMOV



A BELA ARTE DE LEONID AFREMOV
Fui apresentada ao trabalho de Afremov pelo meu irmão. Na minha família todos temos algum talento artístico. Meu pai é pintor, meu irmão é maestro e eu sou poeta. Mas independente de nosso trabalho individual, somos completamente apaixonados pelas mais diversas formas de arte.

Fiquei extasiada quando tive o primeiro contato com o trabalho deste pintor bielo-russo e senti uma necessidade enorme de compartilhar a beleza de suas telas com o meu leitor. Leonid Afremov nasceu em 1955 na cidade de Vitebsk, mesma cidade onde nasceu Mark Chagal. Afremov graduou-se na Vitebsk Art School em 1978. Esta escola de arte foi fundada por Chagal e teve como membro o igualmente genial, Kandinky.

O diferencial do trabalho de Afremov é que ele não utiliza pincel, mas espátula.
Além da beleza estética evidente na pintura de Afremov, o que mais me atraiu neste artista foi o seu discurso sobre a arte. Afremov diz que cada quadro seu é pleno de seu mundo interior. Ele revela que ama expressar a beleza, a harmonia e a alma do mundo em seu trabalho. Seu coração é completamente aberto a arte e suas cores revelam seus mais íntimos sentimentos, paixões e a música proveniente de sua alma.

Para Leonid Afremov a verdadeira arte é viva e inspirada na humanidade. Ele crê que a arte ajuda a nos mantermos livres das agressões e do sentimento de depressão.

O contato com o trabalho de Afremov me abriu novos horizontes. Minha arte, assim como a dele, também está marcada pelas impressões que tenho sobre a vida. É tudo muito pessoal. E sim, também creio que a verdadeira arte seja viva. Talvez por isso Afremov e eu compartilhamos a mesma paixão pelo excesso de cores. Vemos a vida de uma forma muito colorida e intensa. E por isso não hesitamos em expressar de forma explosiva tudo aquilo que carregamos em nossa alma de artista.

Para saber mais: http://www.afremov.com/

Dica de filme: “O mestre da vida” (Local Color)

sábado, 9 de maio de 2009

POESIA




DESISTO DE VER

By Tamara Ramos


Desisto de ver a vida que passa em preto em branco,
Que passa por mim se som, sem acordes, em silêncio.

Fecho os olhos para a multidão enfurecida,
Para a perda de casas em enchentes,
Para os acordos paralelos dos homens de preto,
Para a tortura de certas celas.

Fecho os olhos para os escritos ríspidos,
Para a falta de amor ao próximo,
Para a falta de zelo,
Os desencontros e os dias lentos.

Não quero ver mais heróis atravessando o meu caminho,
Não quero ver vítimas de tumultos absurdos,
Não quero ver a desordem nem o descontentamento.

Abrirei meus olhos apenas quando o amor vencer o medo,
E resgatar suas histórias,
E celebrar.

Abrirei meus olhos apenas quando a festa acabar,
E todos já tiverem partido,
E restarem apenas crianças cantando,
E restar o mar,
E a alegria do vento.
.
E assim de olhos fechados permanecerei,
Até que o último trovão se cale,
Em respeito ao sol,
E à beleza vibrante de um novo alvorecer.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

SOB O SIGNO DA SERPENTE



SOB O SIGNO DA SERPENTE
By Tamara Ramos


Nasci sob o signo da serpente de fogo que habita o deserto. Sempre atenta às coisas da terra. Sou o enigma do ciclo chinês. Posso rastejar sozinha sem sua ajuda. E sempre fixa, com o olhar imutável, tenho a certeza da hora exata da vitória. Pode demorar, podem desacreditar, pode ser lento, mas a serpente sempre alcança sua meta.

Esta semana li que uma arqueóloga dominicana descobriu o túmulo de Cleópatra. As escavações devem começar ainda este mês. Li três vezes a matéria. Quando dei por mim estava vagando pelo antigo Egito, nos tempos grandiosos dos faraós. Pensei em Cleópatra com sua serpente que lhe tirou a vida e lhe devolveu a dignidade. O conceito da serpente varia de cultura para cultura. A Bíblia a definiu como a escória, a filha do diabo, a maldita pecadora que pôs fim ao paraíso. Os egípcios a cultuaram como o símbolo de sabedoria. Os chineses creem ser a serpente a representante das coisas ocultas, conhecedora dos mistérios da vida.

O que é comum a todas as culturas é o sentimento de reverência e medo que ela evoca. Vagarosa, astuta, pouco afeita à melancolia, a serpente prossegue sempre em seu ritmo natural conhecendo a brevidade de todas as coisas. Cleópatra sabia que só poderia contar com ela. Afinal, quem mais poderia aniquilar uma rainha e, ao mesmo tempo, salvá-la da derrota e da humilhação?

A serpente quando morde sua cauda nos oferece o símbolo do infinito. O círculo sagrado representando o ciclo que nos leva do começo ao fim, e do fim ao começo num eterno movimento.
Tenho grande admiração pela figura da serpente e sinto uma profunda identificação. Tento aprender com ela o valor do silêncio. Uma serpente nativa jamais perde tempo explicando o que só se entende sentindo.

Frente a frente com a serpente a vítima tem duas opções: ou desiste da vida ou aprimora sua fé.
Dizem que os nativos da serpente são atraídos por fama, dinheiro e poder durante toda sua trajetória. Há um fundo de verdade nesta afirmação, mas não penso que ela busque isso como meta principal. Acredito que tudo lhe chega de forma natural, em consequência de suas habilidades em dedicar sua atenção apenas ao que há de melhor. Uma serpente não perde tempo com coisas fúteis. Ela não briga de igual para igual e nunca devolve nada na mesma moeda. O que pode ser um problema.

Uma serpente vai pensar muito antes de agir. (Ela deveria ser a protetora dos escritores...). Geralmente sua vingança é o afastamento e a indiferença. Quando uma serpente é ferida ela retorna ao deserto. E dificilmente será capturada outra vez.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

AZUL



AZUL

By Tamara Ramos

E eu de novo falando do azul. Talvez porque ele esteja em tudo. Picasso teve a sua fase azul. Neruda falou tanto do oceano que fez versos azuis. O astronauta garante que a Terra é azul. E tem o mar, ah o mar... Capaz de lavar a alma do mundo. E afogar pessoas, e desvendar mistérios. Nossa arara em extinção é azul. Minha pedra preciosa preferida, turquesa, é azul. Meu jeans é azul. Os olhos de Ryan são azuis e a casa de Frida também. Sei mais do azul das minhas histórias do que sabe o pescador do azul noturno do seu mar infinito. E ainda tem o infinito. Ele próprio azul. E o destino dos homens sérios. E o sermão do padre cristão. A desordem. No fim da jornada, o caos. O começo de todas as coisas. A reforma da casa. Os novos amores. As crianças que estão por nascer. Vou pintar minha casa de azul e deixar que o sol reflita seus raios nela. E então a imensidão vai transparecer por todos os poros. E ela é azul.

domingo, 3 de maio de 2009

MARCAS PERMANENTES



Neste feriado de 1º de maio perdi um amigo muito querido. Um verdadeiro mestre. Manoel Serpa era um pintor mineiro, inovador, e cheio de projetos que serão enterrados com ele. Não fui ao velório, nem ao enterro. Não suportaria ver o corpo de um artista separado de sua alma criativa. Seria um golpe cruel demais para mim. Serpa me deu a honra de conhecer sua casa e sua obra. Um verdadeiro bom vivant. Serpa não sabia nada sobre preconceitos nem limites. Serpa desconhecia o impossível. Serpa me ensinou que eu também posso viver da arte. Todos podem. Basta amá-la e entregar-se a ela. Não lamento pela vida de Serpa, pois ele a viveu intensamente e produziu beleza neste mundo cinza que hoje vivemos. Lamento, sim, por sua morte. Os artistas deveriam ser eternos como suas obras.

Tenho uma estranha mania de colecionar lembranças. Às vezes são as pessoas, outras as palavras. Não sei bem como acontece, mas sinto que minha mente é como uma tela em branco que vai sendo impressa com o passar dos anos. Deve ocorrer com todo mundo, mas talvez o artista seja mais sensível ao entra e sai que ocorre em sua vida. Talvez porque certas impressões se transformam no combustível que move sua obra.

Hoje quando me olho no espelho identifico inúmeras influências que se acumularam e que fizeram de mim o que sou. Na verdade, quando me olho no espelho vejo países, pessoas, paisagens, cores, acordes. Cada milímetro do que sou devo a algo ou a alguém.

Principalmente nas minhas atividades profissionais, seja como escritora ou como fotógrafa, sempre reverenciei aos meus heróis. Sempre dei preferência aos artistas, pela sua criatividade, inventividade e extravagância. Lamento não ter nascido antes do falecimento de Picasso. Lamento não ter podido comprar o primeiro e único quadro que Van Gogh jamais vendeu. Mas tive a sorte de poder conviver com gênios contemporâneos a mim.

Andreja Spiridonovic era um gênio, e eu tive o privilégio de conhecê-lo. Andreja era um pintor sérvio que veio ao Brasil fugido da guerra. Um gênio casado com uma das mulheres mais bonitas que já vi. Eu era uma criança quando a vida deste casal único se cruzou com a vida de minha família, mas eu jamais os esqueci. Ainda me lembro do cheiro de tinta, tabaco e vinho que exalava do ateliê de Andreja. Ainda me lembro das telas enormes daquele mestre impressionista dispostas pela casa.

E Manoel Serpa. Este pintor cheio de paixão pela sua arte era um homem completo. Um homem aberto aos amigos, à vida e às idéias que lhe faziam pintar mais, mais e mais a cada dia. Havia esculturas em sua casa, e apito de passarinho, e um desenho de Dalí emoldurado na parede.

A vida sem beleza e sem arte não faz sentido algum. Não tenho filhos, mas o que mais poderemos ensinar às crianças além do amor pela arte e pela beleza de todas as coisas vivas? Eu fui uma criança de sorte. Meu pai, ele próprio um artista, sempre me estimulou a flertar com a arte. Todo tipo de arte. Íamos ao cinema com freqüência, líamos muito (na minha casa havia uma biblioteca com dois mil livros – lidos), e foi por influência dele que comecei a fotografar.

Na escola de fotografia tive a oportunidade de conhecer pessoas brilhantes, que dedicavam todo seu tempo a perceber o que ninguém via, depois fotografavam, e surpreendiam muita gente. Porque a beleza está aí, ela escapa da guerra, foge do senso comum, trapaceia a estupidez de alguns homens, ignora o preconceito e a cegueira da massa.

Toda vez que me sento para escrever, reverencio aos escritores que estiveram ali antes de mim. Atormentados por uma idéia, felizes ou infelizes por algum motivo secreto. Meus antecessores não tinham a praticidade que tenho hoje por utilizar um computador moderno, mas o princípio ainda é o mesmo. Tela em branco, tinta e urgência em contar uma história.

A arte me ajuda a curar minhas próprias feridas, me ajuda a homenagear pessoas que amo e a transmitir a quem possa interessar, o que de fato se passa pela cabeça de um artista em pleno desenvolvimento.

Sim, a arte é minha terapia de cura. Ela é minha terapeuta, meu remédio tarja preta, meu repouso, minha internação e minha alta. Porque o artista sofre de um mal crônico, sem chance de recuperação. Porque ele tem que criar, e vai seguir criando até a última cor, até o final.

Para Manoel Serpa, que sua alma descanse em paz.