quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A CABRA E A SERPENTE


No alto da montanha imponente,
o mais alto atalho conquistado sem pressa,
Cabra montanhesa observa com desdém,
a Serpente astuta que a observa abaixo.

Sou cabra e serpente nos dias normais,
subo devagar a escadaria da subversão,
não me atenho ao medo de outras alturas,
não me atenho ao som que provenha de outra fonte,
senão de minha alma voraz.

Sou serpente nas manhãs sem sol,
espreguiçando lenta, ausente, distante,
mas se minha mente ainda é presente ,
sei exatamente onde estou.

Sou cabra no pasto verde que afugenta o tempo,
sinto o alvoroço do vento em minha superfície lisa,
guiada pelo ar do pastor que, de tanto optar pela fé,
alcançou a pureza perdida pelo homem do centro.

Sou cabra e serpente no cair da noite sem pais,
não me movo à toa sem intentos concretos,
nem queixo ao norte,
minhas lamúrias tristes.

Nasci assim selvagem,
sob o signo da cabra montanhesa que nunca descansa,
e da serpente de fogo que jamais me queima.
Sou cabra e serpente no raiar e dormir do dia,
sou terra e fogo em perfeita harmonia.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

PROJETO "FORMANDO POETAS"



PROJETO "FORMANDO POETAS" em Guarapari/ES.


O projeto, idealizado por mim ,tem por finalidade estimular o interesse pela leitura, pela escrita, pela arte e pela produção literária nos jovens estudantes.


Nós, escritores, temos um papel decisivo na formação de um novo Brasil. Ansiamos por melhorias na Educação e esperamos contribuir para o desenvolvimento de novos métodos de ensino, promovendo efetiva mudança no pensamento juvenil.


A poesia é um recurso íncrivel para o ensino da língua portuguesa! Mais do que belas palavras, o poema nos estimula a sonhar, amplia nossa imaginação e nos emociona.


A Salvamar é mantida por diversas empresas e algumas pessoas físicas, oferecendo um ambiente propício para a formação de nossos jovens, foi por este motivo que escolhemos este local para o desenvolvimento deste trabalho.

Desejo cumprir a promessa do projeto formando jovens poetas apaixonados pela palavra, pela emoção e pela beleza da língua portuguesa!


Tamara Ramos

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O POETA QUE VEIO DO MAR


O POETA QUE VEIO DO MAR
(Tamara Ramos)
Homenagem a Vicente Bojovski

Sinto saudade da terra distante que abandonei ao mar,
na memória de outras vilas me perdi,
cantando canções de livramento à beira de outras águas,
enviando cartas de amor a Zeus.

Pois da alma nobre surgiu a história mais bela,
de um povo acordado por versos azuis,
trazendo mais à minha alma que espaçosa morada.

E cada vez mais a história de minha vida se acende,
percorrendo areias de ilhas longínquas,
permanecendo alheio a tristeza e a dor.

Aprendi a ser feliz nadando na mesma fonte dos corais adornos,
que de tanto namorar o sol,
resplandeceu na órbita de meus encantamentos.

Porém longe de minha aldeia apenas meu corpo está,
pois como uma casa de rodas forasteiras,
nas costas de trabalho árduo a trago sem alças.

Fui mais longe ainda que o corsário audaz,
voei mais alto do que o corvo amigo que em certas horas confusas,
não me reconheceu como a um seu,
pois sendo ainda filho da Macedônia imaginária,
sou digno do chão que pisou meus ancestrais.

Mas o Brasil apareceu não sei de onde,
e de praia em praia seqüestrou meus sonhos rígidos,
como a mulher ciumenta que amarra seu homem,
prendeu meu corpo na razão do vento.

Sou poeta e minhas palavras encantam o som desta vila nova,
caminho apátrida na imensidão deste solo hoje íntimo,
sei mais do amor deste céu de estrelas do que canta a voz do sabiá,
e por ser inteiro na arte de viver sem medo,
casei-me com duas moças distintas no rito e na cor:
uma mensageira amiga de Alexandre, desconhecedor de limites;
outra festeira e linda sob os braços abertos do viril Redentor.

Sou habitante de todos os lares,
carrego comigo os assombros do mundo,
da pobreza ganhei o ouro de sonhar nas alturas,
da riqueza ganhei prestígio, merecimento e ardor.

Faz tempo que não ouço o canto de minha gente,
mas no recanto oculto escuto a cantiga que a vida traz,
e sendo assim marinheiro do azul estrangeiro,
faço deste horizonte esplêndido
o refúgio da minha paz.