quarta-feira, 24 de setembro de 2008

GAROTA DA CAPA


No dia 29/08 o Diário do Litoral de Santos/SP me deu a honra de ser a garota da capa!
A matéria falou sobre as dificuldades do trabalho do poeta, sobre a minha vida escolar , minha relação de amor e saudade com a cidade de Santos, com a poesia e com a arte da escrita.
Obrigada Santos!
Obrigada à jornalista Paula De Donato pela linda matéria!
Tamara Ramos

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A CARAVANA




Atravessei o deserto seco que mora em mim,
milhas e milhas de abandono íntimo,
nevascas de paradoxos,
contradições de ilusões.

Caminhei dias sem água,
o rebanho agarrado aos sonhos da minha alma,
quieto permaneceu.

Meu suor desfeito irrigou o deserto antigo,
e de gota em gota,
a esperança arrefeceu.

Atravessei o deserto longe que mora em mim,
sem noção do tempo,
sem perder as horas,
numa prece prossegui.

Apenas no último dia a caravana deu por mim,
e mesmo entendendo que eu estava perdido,
me abençoou e partiu.







quinta-feira, 4 de setembro de 2008

QUERO MAIS DE MIM MESMO

Quero mais de mim mesmo no acordar do dia,
quero ver o que o herói esconde,
as frases que dissimulam,
os olhares que atordoam,
a voz que mente.

Quero entender a melancolia de alguns dias,
as palavras frias que ferem,
o chão que ninguém pisa,
a nevasca interior,
o auto-exílio.

Quero mais do que meu corpo aguenta,
uma escalada em fúria,
mergulho fundo no oceano índico,
seduzir tempestades e,
deitar o corpo nu,
na lava que a ninguém queima.

Quero mais de mim mesmo no descer da noite,
ofuscar estrelas que brilham,
cantar poesia ao forasteiro aflito,
embalar crianças que nunca dormem,
experimentar a vida que já não é minha.

PERMITA-ME

Permita-me adentrar muralhas sagradas,
perambular por ruas soturnas de guetos,
fazer fantasias matinais sob o sol lento,
roubar tesouros terrenos em outras arenas,
cavar poço fundo de flores, amor e silêncio.


Quero nascer na fonte de rubis cristalinos,
comemorar o destino que me detém em segredo,
escrever belos poemas com tinta e seiva,
celebrar noventa anos de erotismo e lendas.


Hoje sou gueixa na memória do tempo,
escondi meu talento sob fogos de artifícios,
explodi corações famintos de cores e beijos,
e namorei sozinha meus ancestrais.


Permita-me compartilhar o embuste da jovem,
porque enquanto há eterna vida,
ninguém se lamenta,
posto que a pele é seda
e o sabor é mel.


Foi de iludir aos poucos que me fiz rainha,
cantando hinos doces em homenagem ao céu,
triunfei sem saber sobre a aurora bendita,
amanheci plena da sorte,
revigorada e viva,
da arte de ser mulher.