segunda-feira, 30 de junho de 2008

NÃO DURMAS

Para Mônica Ramos, que sua alma descanse em paz.

Não durmas na escuridão deste quarto novo,
abra a janela para a brisa abençoar seu céu,
que de estrelas coloridas transformou a vida de quem te amou,
e para sempre,
nesta estrada falsa de asfalto fresco,
jamais pisar em vão para que não se queime.


Não durmas na virada do ano,
os amigos a esperam em constante vigília,
para que sua alma transborde a vida que conhecemos,
que aprendemos com você,
para seguirmos cantando.


Não durmas profundamente pois te chamarei em breve,
venha comigo ver o dia lindo que faz hoje,
e as crianças que deixastes sem rumo,
precisarão de novo de ti,
para que virem grandes homens,
e grandes mulheres.


Não durmas pela eternidade, Mônica,
não durmas longe de nós.

terça-feira, 10 de junho de 2008

SOB O VÉU NEGRO



Sob o véu negro a vida passa em cores,
as alegrias da areia,
as negras vestes,
o limbo entre o ontem e o amanhecer.

Nada mais a esconder daquele homem estranho,
noturna sou plena de estrelas,
alcanço altas constelações
de esmeraldas e encantos.

Envolta em mortalha negra,
dissimulo a imaginação de muitas horas,
trabalho em sonhos ocultos,
e nada mais revelo.

O portal do paraíso se abrirá um dia,
para que todos entrem nus.

Sob o véu negro safiras se escondem,
a pele adocicada e o ouro,
o imenso calor,
os devaneios de mulheres comuns.

Filha de muitas mães,
oprimidas pelo sexo oposto,
o sexo insolente e fraco,
os homens de branco.

Moro em dunas de areia e névoa,
escrevo histórias de mundos distantes,
leio poesias e grandes poetas,
sob o véu negro,
sou odalisca imortal.